Heróis de Jaleco !!!

Redação28 de janeiro de 20214min0
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por Valdeci Santana

Passos apressados nos corredores entupidos de gente. Lamentos e, sobretudo, o medo instalado em cada ala. Uma verdadeira batalha árdua e inclemente a cada plantão, travada dentro de um sistema obsoleto e em profundo colapso, onde tudo falta, só não falta a missão de cuidar. Um triste cenário de guerra, onde milhares de vidas são consumidas de maneira desenfreada, pela força de um inimigo absolutamente letal e desconhecido.

Na linha de frente do caos, no pelotão de infantaria, estão nossos destemidos heróis. Que deixam suas casas no momento em que o mundo recomenda a segurança do lar. Eles não estão ornamentados com capas e espadas. Usam jalecos e manuseiam bisturis com a precisão do mais habilidoso espadachim. Suas máscaras não são para esconder suas identidades, mas, para evitar que seu inimigo se propague.

É óbvio que sentiram medo. Medo de serem contaminados sim, mas, acima de tudo, medo de serem insuficientes, pois, é certo que seus professores não lhes preparam para uma situação tão surreal, até porque, esta situação é inédita na humanidade. Também tiveram medo de que aquela pessoa desesperada pelo o ar que seus pulmões não são capazes que aspirar, consiga notar a incerteza estampada em seu olhar. Medo de não serem fortes o suficiente para amparar a vitima, quando ela estiver isolada, lutando pela vida numa ala de UTI. Medo de que chegue a hora mais temida, a de ter que escolher quem vive e quem morre. Medo de serem vencidos pelo seu maior inimigo, que visita seu trabalho todos os dias, a morte.

No momento mais agudo, quando o pânico se instalou na sociedade, eles foram colocados à prova. Foram questionados e tiveram seus métodos de enfrentamento comparados uns com os outros. O mundo externo pouco presenciou desta batalha terrível que se desenrolava no interior das alas de enfrentamento ao covid. Salvas as raras ocasiões em que furtávamos a imagem de um o outro guerreiro tombado exaustos nas trincheiras do combate, às vezes mais debilitados do que os pacientes que tratavam. Fome, sede, exaustão e como prêmio, o contágio que fez com que muitos destes guerreiros não retornassem aos seus lares. E seus colegas não tiveram tempo sequer de velá-los, pois, assim como o inimigo que não davam tréguas, também não podiam parar.

Estes anônimos guerreiros mascarados enfrentam diariamente o vírus com o risco eminente de suas vidas, de levarem o inimigo para o seio de seus lares. Tudo isso para salvar a vida de pessoas que eles sequer conhecem.

Ah paciente leitor! Quando este vírus estabeleceu um limite em nossas vidas, estes seres iluminados ousaram ultrapassar este ponto final e devolver um novo paragrafo para nossas histórias.

Homenageá-los com palavras é quase que insuficiente, por mais grato e criativo que sejamos. Creio que a melhor maneira de prestar um sincero tributo a cada profissional da saúde que neste momento tão caótico enfrenta bravamente o vírus, seria nos cuidarmos, pois, imagino que nos mantermos vivos, seja a única medalha que estes heróis querem ganhar.

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