Março Lilás realiza campanhas de prevenção ao câncer do colo de útero
Conhecido como Março Lilás, durante todo o mês atual campanhas de conscientização sobre a importância de se prevenir contra o câncer do colo do útero são feitas por instituições de saúde públicas e privadas. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero ainda responde pela quarta maior causa de morte de mulheres pela enfermidade no Brasil. Os números assustam porque já existe uma vacina disponível para prevenir a ocorrência.
A obstetra e ginecologista Luciana Guedes explica que “o câncer de colo do útero é causado pelo HPV (Papiloma Vírus Humano), um vírus que é transmitido por via sexual”. “Existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns deles causam verrugas genitais e outros podem causar o câncer de colo do útero”, alerta a especialista.
Disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e nas clínicas particulares, a vacina contra HPV é recomendada para meninas e mulheres de 9 a 26 anos de idade, sendo que a imunização deve acontecer, preferencialmente, entre os 9 e 14 anos, quando é mais eficaz, de acordo com o Ministério da Saúde. Pessoas com HIV positivo e transplantadas, entre 9 e 45 anos, também têm preferência para receber o imunizante. A aplicação, em três doses, deve se completar no período de seis meses. Na rede privada, o preço da vacina pode variar entre R$500 e R$900, dependendo do laboratório.
Em 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma campanha global para erradicar o câncer do colo de útero até 2030, com foco na vacinação, rastreamento e no tratamento. Seguindo a lógica da doença, a ginecologista Luciana Guedes reforça que “a melhor forma de evitar o câncer de colo do útero é evitar a contaminação pelo HPV, usando camisinha em todas as relações sexuais”. “Tomar a vacina, que protege contra os principais tipos de HPV que causam câncer, também é uma ação importante”.
Prevenção
A outra via de ação que também comparece na estratégia da OMS é a prevenção. Luciana ressalta a necessidade tanto das consultas ginecológicas quanto da realização do exame preventivo conhecido como Papanicolau, “que avalia as células do colo do útero e permite o diagnóstico precoce de lesões precursoras e do tratamento adequado para evitar que evoluam para um câncer”.
“De acordo com a alteração identificada no preventivo, é definido o tratamento a ser realizado, que pode ser biópsia, cauterização da lesão ou retirada de uma parto do colo do útero”, declara a especialista, em referência à cirurgia de conização, popularmente chamada de CAF.
Ela esclarece que o exame preventivo “deve ser feito a partir de 25 anos em mulheres sexualmente ativas”. “Após dois exames anuais sem alterações, é seguro realizar o preventivo a cada três anos. Mesmo assim, a consulta ginecológica deve ser realizada anualmente para avaliação da saúde em geral da mulher”, ratifica a ginecologista.
Luciana faz questão de sublinhar que “o câncer de colo do útero tem tratamento, principalmente quando diagnosticado precocemente”. “Essa é a importância do exame preventivo. Após o tratamento, o acompanhamento com a ginecologista deve continuar, pois o HPV pode manifestar outras lesões”, afirma.
Tratamentos
A obstetra informa que, “uma vez que a pessoa contrai o HPV, ele ficará em seu corpo de forma latente, mesmo se não houver sintomas”. “Isso porque não há tratamento para o HPV especificamente, e sim para as lesões que ele causa. A pessoa que tem o HPV em seu corpo, deve cuidar de sua saúde e imunidade, pois o vírus pode ficar latente no corpo, e, diante de uma queda da imunidade, manifestar seus sintomas”, alerta.
Essa atenção deve ser redobrada sobretudo porque, nas palavras da especialista, “o câncer de colo do útero é silencioso e não apresenta sintomas específicos”. “Por isso a prevenção é tão importante. Quando já está avançado, ele pode causar sangramento vaginal irregular”, salienta.
Outros sintomas podem incluir dor abdominal associada a problemas intestinais e urinários; secreções vaginais anormais; menstruação irregular; fadiga; perda de peso sem motivo aparente; e náuseas. O tratamento para o câncer do colo de útero dependerá, de acordo com Luciana, do “tamanho da lesão e se há acometimento de órgãos próximos”, cujo termo técnico se refere ao “estadiamento” da região.
Para o câncer descoberto ainda em sua fase inicial, “a retirada do colo pode ser o suficiente”, mas, a depender do caso, há a possibilidade de outros procedimentos serem aplicados, como a histerectomia, cirurgia que remove o útero total ou parcialmente, a retirada dos linfonodos pélvicos e mesmo tratamentos mais agressivos como quimioterapia e radioterapia.
Vacina contra HPV
*Recomendada para meninas e mulheres de 9 a 26 anos de idade;
*A aplicação, em três doses, deve se completar no período de seis meses;
*Disponível no SUS, imunizante na rede privada custa entre R$500 e R$900;
*Campanha da OMS para erradicar o câncer do colo de útero até 2030 prevê foco na vacinação, rastreamento e tratamento.
Fonte: O Tempo