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Paternidade tardia: quais os riscos de gerar filhos estando mais velho?

Redação2 de abril de 20258min0
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Especialistas explicam quais os obstáculos enfrentados por homens que se tornam pais na terceira idade, mas também destacam os benefícios dessa escolha

Quando as pessoas pensam no início da paternidade, é comum que construam uma imagem mental de um homem mais jovem, no auge da vida adulta. Essa representação não acontece por acaso, já que a idade média com que os homens se tornam pais pela primeira vez no Brasil é de 25,8 anos, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 – Ciclos de Vida. Mas há um movimento que vai bem além das estatísticas, estendendo a idade com que os homens se tornam pais, inclusive na terceira idade: a chamada paternidade tardia.

Esse é o caso de atores como Robert De Niro, por exemplo. O norte-americano já tinha outros seis filhos – com idades entre 11 e 51 anos – quando anunciou, em 2023, que seria pai novamente. À época, ele tinha 79 anos. Mais um ator também foi pai depois dos 60: Al Pacino viu seu quarto filho nascer aos 83 anos, também em 2023. Outro que também foi pai na terceira idade, o cantor Zezé Di Camargo, ao final de 2024, aumentou a família aos 61 anos com a chegada de Clara, fruto de seu relacionamento com Graciele Lacerda.

É sabido que o envelhecimento torna mais difícil que mulheres gerem filhos, mas, ao ver homens com idade avançada se tornando pais, é impossível não questionar se o relógio biológico funciona de forma diferente para eles. E a resposta é quase um não. Isso, porque, assim como as mulheres, eles também podem sofrer impactos do envelhecimento, mas, diferente delas, os homens não deixam de produzir gametas. É isso o que explica o médico urologista Mateus de Almeida Ribas, cooperado da Unimed-BH. “A idade paterna pode influenciar a saúde do filho, a qualidade dos espermatozoides e a fertilidade masculina, dificultando a concepção”, diz.

O médico também aponta estudos que mostram que pais mais velhos têm maior probabilidade de transmitir mutações genéticas aos filhos, o que pode aumentar o risco de condições como autismo, esquizofrenia e outros problemas psiquiátricos. “Além disso, há uma chance maior de problemas congênitos, como doenças cardíacas e nanismo”, acrescenta.

Mateus de Almeida ainda destaca que o envelhecimento afeta a qualidade do sêmen, fazendo com que seja diminuída à medida que o homem se torna mais velho. “Isso inclui menor motilidade (capacidade de movimento), maior fragmentação do DNA e redução no volume seminal. Essas alterações podem dificultar a fertilização e aumentar o risco de abortos espontâneos”.

Além de envolver desafios fisiológicos – principalmente relacionados à fertilidade e à própria concepção dos filhos –, a paternidade tardia apresenta outros obstáculos. Segundo a médica geriatra Barbara Correa de Oliveira, cooperada da Unimed-BH, ser pai na terceira idade também pode ser mais difícil quando são levadas em consideração as condições físicas e motoras. “Alguns pais podem ter alguns problemas degenerativos osteomusculares que os impeçam de ter um desempenho físico para acompanhar uma criança pequena”, afirma.

Ela acredita, porém, que existem mais benefícios do que desvantagens em ser pai tardiamente. “O indivíduo mais idoso vai ter uma experiência, um tempo, uma paciência que os pais mais jovens não têm. E o brincar não é necessariamente uma questão física, você pode se sentar, jogar, estar presente e ter um tempo maior disponível para essa criança, o que vai possibilitar relações e memórias afetivas extremamente importantes no desenvolvimento de qualquer pessoa”, destaca.

O psiquiatra Bruno Brandão reforça o coro, pontuando que, independentemente da idade, a paternidade terá benefícios e desafios. No caso de pais na terceira idade, ele reconhece que pode haver questões relacionadas à capacidade física, mas é possível que esses mesmos pais tenham mais disponibilidade emocional e de tempo do que os mais jovens. “A gente pode fazer um contraponto: será que todos os pais mais novos também têm essa disposição? Será que um pai de 20 anos têm maturidade para criar um filho? Hoje em dia, será que um pai de 30 anos tem maturidade para criar um filho? Então, a gente sempre está pronto para julgar”, observa.

Ele ainda acrescenta que, do ponto de vista do filho, a paternidade tardia pode ser percebida de várias formas. “A experiência de estar com um pai mais velho pode ser muito rica, porque esse pai tende a oferecer uma visão de mundo mais madura, uma experiência de vida que facilita a transmissão de valores, reflexões sobre questões fundamentais da vida, algo que muitas vezes um pai mais jovem não tem”, expõe Bruno.

Por outro lado, a preocupação acerca da morte do pai mais velho, que pode gerar impactos e fazer, inclusive, com que os filhos comparem, desde a infância, o próprio pai com outros mais jovens. “Isso pode gerar sentimentos de ansiedade e de medo de perda e uma sensação de urgência de querer aproveitar ao máximo o pai”, lista o psiquiatra Bruno Brandão. “Mas o que a gente precisa, principalmente, é reconhecer as vantagens e os problemas. A paternidade tardia apresenta, sim, várias limitações associadas ao envelhecimento, mas oferece também oportunidade de criar uma relação mais profunda. Ou seja, a gente tem um tempo mais limitado, mas muitas vezes essa conexão com pais mais velhos é mais intensa, tanto pela questão do próprio tempo quanto pela questão da maturidade emocional. Pais mais velhos costumam reconhecer essa força emocional, que pode compensar as limitações físicas e, no final das contas, ter um ganho e ser positivo”, afirma o especialista.

Por fim, o médico ressalta que, mais do que uma discussão ou avaliação da idade, é preciso observar a qualidade da conexão emocional entre os pais e os seus filhos. “Se você me perguntar qual é o melhor, um pai mais velho, conectado com o filho emocionalmente, ou um pai mais jovem, com alto vigor físico, mas que não se conecta emocionalmente com o filho, a resposta, claramente, é esse pai mais velho. Agora, se você me perguntar: e um pai mais jovem que se conecta emocionalmente com o filho? Esse seria o cenário ideal. Mas aí a gente tem que ver as limitações e as condições de cada um”, conclui.

Fonte: O Tempo

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