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Cuidado máximo contra golpes virtuais em janeiro

Redação6 de janeiro de 20268min0
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Bandidos aproveitam a época de pagar impostos, como IPTU e IPVA, para agir, desfalcando vítimas através de boletos e links falsos, além de pedidos de Pix

Enquanto milhões de mineiros se organizam para pagar IPVA, IPTU e outras despesas do início de ano, golpistas aproveitam para agir. Em Minas Gerais, mais de 550 mil crimes cibernéticos foram registrados desde 2019, metade deles por estelionato. O crescimento acompanha a digitalização dos pagamentos e transforma janeiro em um dos períodos mais críticos para fraudes com boletos falsos, links fraudulentos e pedidos de Pix.

O número de ocorrências registradas por ano foi de 38 mil em 2019 para 112 mil em 2024, média de 223 crimes por dia, segundo dados da Polícia Civil (PCMG). Especialistas alertam que a pressa para quitar dívidas e a falta de padronização nos sistemas públicos criam o ambiente ideal para fraudes.

O avanço dos crimes cibernéticos acompanha a digitalização dos serviços e dos meios de pagamento. Em Minas, a maior parte das vítimas tem entre 30 e 39 anos, público que mais os utiliza.

Segundo o diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio), Fabro Steibel, os criminosos exploram momentos em que milhões de pessoas realizam pagamentos semelhantes. “Em períodos como os de pagamento de IPVA e IPTU, basta enviar boletos ou links que parecem oficiais para confundir o cidadão”, explica.

Entre os crimes mais recorrentes está o golpe do boleto falsificado. O documento chega por e-mail, SMS ou WhatsApp e imita comunicações oficiais. “É muito difícil saber se o pagamento está indo para o governo ou não. Se o código de barras for alterado, o dinheiro vai direto para uma conta laranja”, afirma Steibel.

A falta de padronização agrava o problema. “Cada imposto tem um formato diferente. Nem todo cidadão sabe identificar se é uma guia correta ou não”, diz o diretor.

O advogado Alexandre Atheniense reforça o alerta. “Para emitir boletos de IPTU ou IPVA é necessário login e senha nos sites oficiais. Se alguém envia um link pronto para pagamento, é golpe”, afirma.

Mensagens e programas

Além dos boletos, golpes por meio de links fraudulentos também crescem no início do ano. Mensagens simulam comunicados de órgãos públicos ou bancos e induzem a vítima a clicar. “Ao acessar o link, a pessoa pode instalar um programa malicioso ou fornecer senhas aos criminosos”, explica Steibel.

Mesmo ao baixar os boletos diretamente no site oficial, é preciso atenção. “Existem invasões que trocam o arquivo verdadeiro por outro falso. Por isso, é fundamental conferir quem está recebendo o pagamento e se o nome do pagador aparece corretamente”, orienta.

Outro golpe frequente é o do Pix, que envolve pedidos urgentes de transferência ou perfis falsos em aplicativos de mensagem. “Os criminosos simulam intimidade e convencem a vítima a transferir dinheiro para uma conta que parece conhecida, mas não é”, explica Atheniense.

Para Steibel, esses crimes seguem uma lógica clara: “São golpes baratos de aplicar, com alto retorno financeiro e baixo risco. Basta uma pequena parcela dos alvos cair para gerar lucro”. Segundo ele, trata-se de uma atividade organizada, com divisão de funções e uso de tecnologia, inclusive de inteligência artificial.

Ninguém está imune

Pessoas com menor letramento digital, idosos ou quem tem pouco tempo para conferir informações estão mais suscetíveis, mas ninguém está imune. “Eles são muito convincentes. Qualquer pessoa pode cair”, alerta Steibel.

A educadora Ana de Santos Gontijo, de 68 anos, moradora de Bom Despacho, no Centro-Oeste mineiro, viveu na prática como esses golpes podem ser convincentes. Ela perdeu R$ 10 mil após acreditar que estava participando de uma audiência virtual sobre um processo judicial que aguardava havia cerca de dois anos.

Segundo Ana, o contato começou com um comunicado que parecia legítimo, acompanhado da foto e dos dados do advogado que realmente a representava. “Quando cheguei em casa, cansada, vi a mensagem dizendo que eu tinha ganhado a ação e que teria uma reunião on-line com o juiz”, conta. A suposta audiência foi feita por video chamada. Do outro lado da tela, um homem engravatado se apresentou como juiz e passou orientações detalhadas sobre o suposto depósito do valor.

“Eles tinham todos os meus dados: nome, número do processo, informações do advogado. Era tudo muito realista”, relata. Durante a conversa, os golpistas pediram dados bancários e, em seguida, a senha da conta. “Eles diziam que era um procedimento necessário para liberar o valor”, afirma.

A vítima só percebeu que se tratava de um golpe quando viu movimentações suspeitas na conta. “Quando percebi que estavam sacando dinheiro, questionei. Eles diziam que fazia parte do processo”, lembra. Em poucos minutos, R$ 10 mil foram retirados da conta. “Desliguei e corri para o banco, mas já era tarde.”

Ana conta que o cansaço e a expectativa pelo desfecho do processo contribuíram para que ela baixasse a guarda. “A gente nunca acha que vai cair. Eu já tinha escapado de outros golpes, mas, desta vez, foi muito convincente”, afirma.

Ela não conseguiu recuperar o valor perdido e registrou ocorrência. “Hoje eu tomo muito mais cuidado. Qualquer coisa diferente, eu paro”, completa.

Como se proteger

  • Acesse sempre o site oficial do órgão responsável, como da prefeitura ou da Secretaria de Estado da Fazenda
  • Nunca pague boletos recebidos por e-mail, SMS ou WhatsApp
  • Digite o endereço do site manualmente no navegador
  • Confira o nome do recebedor antes de concluir o pagamento
  • Desconfie de mensagens urgentes ou ameaças de multa
  • Em caso de dúvida, não pague: é melhor arcar com juros do que perder valor bem maior

Fonte: Estado de Minas

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