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Pesquisa revela que cerca de 13% dos idosos no Brasil apresentam sintomas de depressão

Redação27 de janeiro de 202611min0
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Especialistas analisam a condição e oferecem orientações de cuidado com a saúde mental na terceira idade

A saúde mental da população idosa brasileira tem se consolidado como um dos principais desafios da saúde pública. É o que indicam dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2024/2025 e do IBGE, que mostram que cerca de 13% dos idosos apresentam sintomas ou diagnóstico de depressão, com maior prevalência entre pessoas de 60 a 64 anos. Mesmo em idades mais avançadas, os percentuais permanecem acima de 10%, contrastando com taxas significativamente menores entre jovens adultos de 18 a 29 anos, que está em torno de 5,9%. Esses números superam a prevalência média de depressão no Brasil, estimada em aproximadamente 5,8% pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando a necessidade de atenção específica à saúde mental no envelhecimento.

Para a professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, os dados reforçam a necessidade de um olhar mais atento e sensível para a saúde mental nesta fase da vida. “O envelhecimento ainda é cercado por estigmas, e muitos sintomas emocionais acabam sendo naturalizados como parte da idade, quando, na verdade, podem indicar quadros depressivos que precisam de acompanhamento psicológico”, explica.

Segundo a especialista, existe a ideia equivocada de que tristeza, apatia, isolamento ou falta de motivação fazem “parte da idade”, o que é perigoso, já que nem todo sofrimento emocional é consequência natural do envelhecer e, em muitos casos, esses sinais exigem atenção e cuidado profissional, especialmente quando envolvem tristeza persistente, apatia e perda de interesse pela vida social.

A psicóloga também afirma que a terapia ainda é muitas vezes um tabu para grande parte da população mais idosa. Ela explica que do ponto de vista psicossocial, isso está relacionado a modelos culturais internalizados ao longo da vida, nos quais a expressão emocional era inibida e o sofrimento psíquico era interpretado como fraqueza.

“Essas crenças influenciam padrões cognitivos rígidos, mediados por redes neurais consolidadas ao longo do desenvolvimento. No entanto, evidências mostram que intervenções psicoterapêuticas promovem mudanças neuroplásticas mesmo na velhice, fortalecendo circuitos de autorregulação emocional, consciência de si e enfrentamento adaptativo. Portanto, a psicoterapia é não apenas possível, mas altamente benéfica nessa etapa da vida.” explica Dra. Mariana. A especialista reforça, ainda, que vínculos sociais reduzem a solidão, fortalecem a autoestima e funcionam como fator protetivo contra a depressão.

O médico psiquiatra Rodrigo Schettino da Afya Itaperuna, complementa que a depressão no idoso não costuma vir tão frequentemente acompanhada de tristeza, e que  há um predomínio de falta de prazer e desinteresse nas atividades anteriormente realizadas, o que gera isolamento social.

“Muitas vezes, a depressão se manifesta por meio de sintomas físicos, como dores no corpo, alterações no sono ou falta de apetite. Esses sinais podem ser confundidos com doenças crônicas ou com o próprio processo de envelhecimento, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento”, afirma Rodrigo.

O especialista explica que o diagnóstico de depressão é complexo e envolve a constatação de um conjunto de sinais e sintomas. “Muitas vezes a queixa principal do paciente é de dor, mas aprofundando em consulta conseguimos observar outros sintomas como alterações do apetite, do sono e do humor. Todo diagnóstico de depressão passa por uma etapa de exclusão de causas orgânicas, como hipotireoidismo e falta de vitamina B12, e situações induzidas por medicamentos ou drogas. O paciente pode, por exemplo, ter depressão e também ter uma outra doença que cause depressão”, detalha.

Cuidado integrado e individualizado

Para a professora de geriatria da Afya Vitória, Karoline Fiorotti, o cuidado com a saúde mental do idoso deve ser compreendido como parte essencial da promoção da autonomia e da qualidade de vida. “A avaliação geriátrica deve sempre incluir o aspecto emocional, pois corpo e mente estão profundamente conectados. Transtornos de humor, por exemplo, estão associados a piores desfechos clínicos, menor adesão aos tratamentos, declínio cognitivo e perda da capacidade para as atividades da vida diária. Por isso a abordagem deve ser sempre integrada e individualizada, envolvendo uma equipe multiprofissional capaz de atuar de forma articulada em aspectos clínicos, farmacológicos, psicoterapêuticos, de reabilitação, atividade física e intervenções sociais e ambientais, conforme a necessidade de cada paciente”, enfatiza.

Para promover bem-estar emocional, autonomia e qualidade de vida, os especialistas reuniram seis orientações essenciais voltadas à prevenção, ao acompanhamento e ao fortalecimento da saúde mental dos idosos.

  1. Observar sinais emocionais e comportamentais como tristeza persistente, isolamento, alterações no sono, no apetite e perda de interesse por atividades antes prazerosas;
  2. Não naturalizar o sofrimento psíquico como parte normal do envelhecimento, buscando avaliação profissional sempre que houver mudanças no humor ou no comportamento;
  3. Estimular a convivência social e familiar, fator essencial para reduzir sentimentos de solidão e isolamento, considerados gatilhos importantes para a depressão;
  4. Manter acompanhamento regular com profissionais de saúde, incluindo médicos, psicólogos e psiquiatras, garantindo uma abordagem integral do cuidado;
  5. Valorizar atividades que promovam autonomia e propósito, como exercícios físicos, participação em grupos sociais e atividades cognitivas;
  6. Ampliar o acesso à informação e ao acolhimento, fortalecendo políticas públicas e ações de prevenção voltadas à saúde mental da população idosa.

Sobre a Afya 

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br. 

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