Vírus Nipah: Minas monitora situação, mas diz que risco de pandemia é baixo


O fantasma de uma nova emergência sanitária global voltou a rondar o noticiário internacional com o recente surto do vírus Nipah (NiV) na Índia, mas as autoridades brasileiras pedem calma. Embora a confirmação de casos tenha acionado o alerta em aeroportos e despertado o receio de uma nova pandemia, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas (SES-MG) e o Ministério da Saúde garantem que o cenário atual não justifica pânico. O monitoramento é rigoroso, porém o risco de o vírus romper fronteiras e atingir o Brasil é considerado baixo.
Em Minas, o trabalho de observação é feito pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs Minas). O foco atual está no surto notificado na província de Bengala Ocidental. Segundo a SES-MG, não há recomendações de cuidados adicionais ou restrições para o Estado, uma vez que o Sudeste Asiático possui histórico de controle desses eventos.
Já o Ministério da Saúde reforçou que o vírus Nipah, identificado originalmente na Malásia em 1999, já é amplamente estudado. Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) o classifique como de alta patogenicidade, o Brasil mantém protocolos de vigilância ativa e resposta de emergência para agentes desse tipo.
O trabalho de monitoramento nacional conta com a parceria de instituições de referência, como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A experiência de países como a Índia na contenção de surtos recentes – como os registrados entre 2018 e 2025 – também auxilia na avaliação global de risco.
Transmissão e sintomas
De acordo com a infectologista Melissa Valentini, do Lab to Lab Pardini, o Nipah é uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Os principais reservatórios são os morcegos frutíferos.
A transmissão ocorre principalmente por ingestão de alimentos contaminados com saliva ou urina de morcegos infectados; contato com animais hospedeiros intermediários, como porcos e contato direto com secreções de pessoas infectadas (vias aéreas), especialmente em ambientes hospitalares.
“Os principais sintomas são respiratórios, semelhantes aos da gripe, mas podem evoluir para quadros graves de encefalite e meningite. Os quadros clínicos variam desde formas assintomáticas a quadros muito graves. A mortalidade é significativamente alta, variando entre 40% e 75%”, destaca a infectologista.
Por que o risco é baixo?
Apesar da gravidade clínica, especialistas apontam que o vírus nunca registrou casos fora da Ásia. Valentini ressalta que, embora a transmissão de pessoa para pessoa seja possível – como observado em profissionais de saúde na Índia -, o controle rigoroso em portos e aeroportos é a principal barreira preventiva.
“Não há risco imediato no Brasil neste momento, visto que nunca tivemos um caso registrado fora da Ásia. Contudo, é fundamental manter o monitoramento internacional, sobretudo de pessoas provenientes desses lugares”, afirmou.
A SES-MG afirmou que o Cievs Minas permanece em alerta contínuo para qualquer alteração no cenário internacional que possa impactar o território brasileiro.
Fonte: Hoje em Dia

















