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Nipah não tem potencial pandêmico e risco no Brasil é baixo, diz infectologista

Redação31 de janeiro de 202610min0
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Especialista explica por que o Nipah preocupa, mas tem baixo risco de se espalhar pelo Brasil

Um novo surto do Nipah vírus na Índia, com cerca de 110 pessoas em quarentena por monitoramento epidemiológico, colocou o país e o mundo em alerta e com o temor de um possível risco de uma nova pandemia. O Nipah é classificado como uma doença zoonótica, que é transmitida de animais como porcos e morcegos frugívoros para seres humanos. O vírus também pode ser transmitido por meio de alimentos contaminados e por contato com uma pessoa infectada.

Ao entrar no corpo humano, o vírus afeta o sistema respiratório e o sistema nervoso central. Os sintomas são semelhantes à gripe (febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga e tontura), além de dificuldades respiratórias e encefalite (inflamação do cérebro que resulta em sintomas como confusão, desorientação, sonolência e problemas neurológicos como convulsões).

Os morcegos frutíferos da família Pteropodidae são os hospedeiros naturais do vírus Nipah. Não há vacina para prevenir a infecção e nenhum remédio para curá-la e não há registros da doença no Brasil nem em outros países da América Latina.

O risco de uma nova pandemia, nas proporções da Covid-19 por exemplo, é afastado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por especialistas. O órgão aponta que há baixo risco de propagação do vírus mesmo com a Índia tendo anunciado dois casos confirmados.

O ICL Notícias conversou com o médico infectologista Alberto Chebabo, Diretor Médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. Alberto afirma que o risco da doença se espalhar pelo Brasil “é considerado baixo”.

“O período de incubação pode chegar a dez dias e, em um mundo globalizado, uma pessoa infectada poderia viajar antes de apresentar sintomas. No entanto, os casos atingem uma população muito específica, em regiões com condições socioeconômicas e culturais particulares. É mais provável que ocorram casos em países próximos à área afetada. Um espalhamento global é pouco provável, embora não seja impossível”, diz o infectologista.

Segundo o médico, o risco de uma nova pandemia também é “baixo”. “O Nipah não tem potencial pandêmico como a Covid-19, principalmente por suas características de transmissão e pela gravidade dos quadros clínicos. Ele pode causar surtos regionais com óbitos, como ocorreu com o Ebola na África, mas com possibilidade de controle local”, afirmou.

Alberto Chebabo, porém, não descarta o surgimento de uma nova pandemia no futuro. “É possível que uma nova pandemia surja, seja por um vírus novo que sofra mutações e se adapte ao ser humano, seja por um vírus já conhecido, como o Influenza aviário”.

Nipah vírus tem baixo risco de se espalhar no Brasil e chance de pandemia é pequena, diz infectologista
Médico infectologista Alberto Chebabo conversou com o ICL Notícias. (Foto: HUCFF-UFRJ)
O que é o Nipah vírus

“O vírus Nipah circula principalmente em regiões da Ásia, especialmente na Índia. É um vírus que tem como reservatório natural os morcegos e pode ser transmitido ao ser humano, principalmente pelo contato com frutas ou seiva contaminadas por esses animais. Ele voltou ao noticiário porque já houve um surto no passado recente, que foi controlado, e agora surgiu um novo foco, com um número significativo de casos localizados”.

Alta taxa de letalidade do Nipah

“É um vírus com letalidade muito alta, podendo variar entre 70% e até próximo de 100% em alguns surtos. Não há tratamento específico. Na maioria dos casos graves, o paciente desenvolve encefalite, uma infecção do sistema nervoso central, entra em coma e acaba evoluindo para óbito. Essa gravidade dificulta o manejo clínico.

Por outro lado, exatamente por ser tão grave, o risco de uma transmissão sustentada em larga escala é menor. Diferente da Covid-19, em que muitas pessoas tinham sintomas leves ou eram assintomáticas e continuavam circulando, no caso do Nipah os pacientes rapidamente procuram atendimento hospitalar. A transmissão costuma ocorrer em ambiente domiciliar ou hospitalar, ou quando várias pessoas entram em contato com a mesma fonte contaminada, como frutas ou a seiva da palmeira, que é consumida sem pasteurização em algumas regiões”.

Nipah vírus
Risco de se espalhar pelo Brasil

“O risco é considerado baixo. O período de incubação pode chegar a dez dias e, em um mundo globalizado, uma pessoa infectada poderia viajar antes de apresentar sintomas. No entanto, os casos atingem uma população muito específica, em regiões com condições socioeconômicas e culturais particulares. É mais provável que ocorram casos em países próximos à área afetada. Um espalhamento global é pouco provável, embora não seja impossível”.

Risco de pandemia do Nipah

“O risco é muito baixo. O Nipah não tem potencial pandêmico como a Covid-19, principalmente por suas características de transmissão e pela gravidade dos quadros clínicos. Ele pode causar surtos regionais com óbitos, como ocorreu com o Ebola na África, mas com possibilidade de controle local”.

Chance de novas pandemias 

“O surgimento de novos vírus está muito relacionado à ação humana, como desmatamento e ocupação de áreas antes preservadas. Isso expõe o ser humano a vírus que antes circulavam apenas em ambientes silvestres. Foi o que aconteceu com a Covid-19.

É possível, sim, que uma nova pandemia surja, seja por um vírus novo que sofra mutações e se adapte ao ser humano, seja por um vírus já conhecido, como o Influenza aviário. Hoje, esse vírus é transmitido de aves para humanos em situações específicas, mas se adquirir capacidade de transmissão entre humanos, passa a ter potencial pandêmico”.

O que aprendemos (ou deveríamos ter aprendido) com a Covid-19

“Aprendemos muito. Hoje temos ferramentas de diagnóstico muito mais rápidas e acessíveis, como os testes de biologia molecular e PCR, que antes eram pouco utilizados. Os sistemas de vigilância epidemiológica também evoluíram, permitindo a detecção mais precoce de novos vírus.

Por outro lado, ainda há muito a avançar, especialmente na estrutura dos sistemas de saúde e na capacidade de produção de insumos estratégicos. Durante a pandemia, vimos desabastecimento global de equipamentos de proteção e medicamentos. É fundamental que os países tenham autonomia para produzir esses itens, algo que ainda precisa ser fortalecido, inclusive no Brasil”.

Fonte: ICL Notícias

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