É preciso treinar os professores em análise da linguagem corporal


Quero começar fazendo perguntas – Quem são os públicos que interagem diretamente no ambiente escolar? São professores, alunos, pais, familiares, coordenadores, diretores, equipe de secretaria, portaria, equipe de higienização e manutenção. Será que cada um sabe como se posicionar dentro dos seus respectivos papéis? Quem se acha mais importante do que quem? Qual é o setor mais preconceituado, rejeitado ou isolado?
Nas relações interpessoais diárias como você define o índice de satisfação entre os profissionais. Oportunizo para saber especificamente como estão as relações entre os seguintes públicos: Professores e alunos, secretaria e pais, coordenação e pais, direção e alunos, professores e coordenação, equipe de apoio e equipe administrativa, portaria e pais, portaria e alunos, direção e coordenação, entre outros aqui não citados, finalmente, como está o seu ambiente escolar?
Quem nunca se sentiu julgado ou punido por conta de um olhar atravessado, lábios franzidos, micro expressão facial de rejeição, preconceito ou indiferença no ambiente educacional? Em geral, a maioria das pessoas geram comunicações diversas de forma voluntária ou involuntária – como costumo dizer, o balde transborda do que dele está cheio – se a pessoa estiver cheia de conflitos e frustrações, ela dará aos seus semelhantes tudo isso e muito mais. Já viu uma pessoa triste entregar alegria ou uma pessimista entregar otimismo?
Será que os emissores destas mensagens acreditam que elas não podem ser fixadas negativamente na mente de alunos, professores ou pais? Sim, pode. Quem nunca ouviu a expressão – a primeira impressão é a que fica? Você tem certeza que terá a segunda chance para causar uma segunda boa impressão fazendo com que a pessoa esqueça a sua má atitude anterior? Em geral, não. A nossa mente tem ampla capacidade para gerar outras interpretações a partir de uma atitude negativa – afinal, uma voz pode criar ou ativar memórias traumáticas oriundas de situações outras ou correlatas.
REFLEXÃO: Faça um minuto de silêncio e busque em sua memória – preste bem atenção ao tema reclamação de professores – observe se você não escutará um eco distante daqueles gritos que a sua professora dava em sala de aula. Agora pense no tom de voz e nos olhares por ela adotado – O que vem a sua mente? Qual é o seu sentimento? Bem, vou parar por aqui para você não ter como voltar de realidade distante, afinal, não sei que dor lhe causou agora. Respire e volta ao tempo presente, se perdoe, perdoe ela e siga em frente. Já basta! Percebeu o impacto da comunicação humana em nossas vidas?
Sendo assim, testemunhamos muitas escolas realizando inúmeras propagandas informando que a escola é referência em educação, mas é no expediente da realidade diária que vemos também a plena falta humanização nas relações internas? As escolas realizam lindas jornadas pedagógicas, mas logo após os primeiros trinta dias de volta às aulas, notamos: estresse, depoimento de desgastes pelos cantos, manifestação de conflitos, algumas não conformidades ou irregularidades praticadas por diversos profissionais do ambiente escolar.
A maioria das vezes, não é uma questão de falta de recursos, mas falta de valores consolidados e comprometimento em alto nível de entrega diária. Mesmo porque, quando entrou já tinha conhecimento da realidade – ou se adapta ou pede desligamento? Não é melhor do que permanecer e entregar mediocridade e maus tratos de forma velada nas relações internas trazendo prejuízos para o ambiente escolar?
Fato é que a direção pode controlar muitos recursos, entre eles, os materiais, financeiros e propagandísticos, mas não tem capacidade de controlar a linguagem silenciosa dos corpos dos seus funcionários. Quem controla uma micro expressão facial involuntária na sala de aula ou diante dos pais?
Dessa forma, sem querer aqui ser o senhor da verdade, venho convidá-los a adoções de posturas mais humanizadas. Não posso finalizar sem dar especial atenção aos desafios sensíveis que marcam presença na educação infantil, onde os professores passam mais tempo com os seus alunos em sala de aula. Quantas vozes ficam registradas na mente dessas crianças com marcas de nervosismo, impaciência, intolerância ou qualquer outra expressão negativa?
É muito importante treinar os professores para compreender os impactos da linguagem corporal na sala de aula – nas relações com os pais – nas relações internas em geral. Os profissionais precisam conhecer sobre os impactos causados por diversos códigos corporais involuntários – aqueles gestos que os profissionais não fazem ideia que comunicam e os códigos voluntários – aqueles que eles têm consciência do que está comunicando. Eles precisam conhecer os tipos, níveis e caracterização de voz no ambiente de sala de aula.
Os treinamentos não devem ser através da exibição de slides ou leitura de apostilas numa sala fechada, pelo contrário, os professores devem vivenciar os conteúdos apresentados. A metodologia deve trazer muitos exercícios corporais, dinâmicas e jogos situacionais que consolidam a aprendizagem. Toda escola tem necessidade de um treinamento que tenha por propósito criar condições favoráveis para a gestão da imagem, reputação e contenção de crises? Quando a sua escola viveu esta experiência? Cuide da sua equipe!
* Uemerson Florêncio – Escritor. Treinador, Palestrante e Correspondente Internacional onde expõe sobre a análise da linguagem corporal; Gestão da imagem, reputação e crises; E, comunicação empresarial.

















