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Dia Mundial da Obesidade: excesso de peso ameaça o cérebro e amplia risco de Alzheimer

Redação4 de março de 20268min0
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Estudos apontam que obesidade na meia-idade pode elevar em até 40% a chance de declínio cognitivo; especialistas reforçam a conexão entre peso corporal e integridade do sistema nervoso.

 Neste dia 4 de março, data em que se celebra o Dia Mundial da Obesidade, a comunidade médica intensifica o alerta sobre uma conexão que vai muito além das doenças metabólicas tradicionais, mas também no impacto do peso corporal na integridade do cérebro.

De acordo com Alzheimer’s Society, Reino Unido, a obesidade entre os 35 e os 65 anos pode aumentar o risco de demência na terceira idade em cerca de 30%. Essa conclusão é baseada em uma análise que combinou 19 estudos de pesquisa de longo prazo. A mesma análise também mostrou que estar acima do peso, mas não obeso, não apresenta o mesmo risco. A obesidade também está associada a outros fatores de risco para demência. Pessoas com obesidade têm duas a três vezes mais probabilidade de desenvolver hipertensão e diabetes tipo 2.

Um estudo recente, publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, reforçou esse cenário ao identificar que indivíduos com um Índice de Massa Corporal (IMC) elevado têm uma probabilidade significativamente maior de desenvolver demência vascular. O neurologista da Afya Educação Médica de Belo Horizonte, Dr. Philipe Marques da Cunha, explica que o tecido adiposo, especialmente o localizado na região abdominal, não atua apenas como reserva de energia. Ele é metabolicamente ativo e libera substâncias inflamatórias e hormônios capazes de alterar a maneira como o cérebro utiliza a glicose e responde à insulina.

“Na prática, isso cria um ambiente de neuroinflamação persistente e de resistência à insulina no cérebro. Esse ambiente metabólico desfavorável favorece o acúmulo de proteínas anormais, como a beta-amiloide e a tau fosforilada, alterações diretamente associadas ao Alzheimer. Além disso, a obesidade frequentemente está associada a condições como hipertensão, diabetes tipo 2, apneia do sono e dislipidemia, fatores que aumentam significativamente o risco de demência vascular”.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estima que, mantidas as tendências atuais, o Brasil poderá chegar a 2044 com quase 75% da população adulta acima do peso. No Brasil, a obesidade aumentou 72%, apenas entre o período de  2006 até 2019, de acordo com dados da Pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).

Dr Philipe Marques comenta que controlar o peso ao longo da vida, especialmente evitando obesidade na meia-idade, está associado a menor risco de comprometimento cognitivo e demência na velhice.

“Estudos de coorte indicam que pessoas com sobrepeso ou obesidade entre os 40 e 60 anos têm cerca de 20% a 40% mais chance de desenvolver declínio cognitivo e demência após os 65–70 anos, em comparação com indivíduos com IMC saudável. Há ainda evidências de que manter um IMC adequado nessa fase pode reduzir o risco de demência em torno de 30%. Assim, quando discutimos a relação entre obesidade e demência, não se trata de um único mecanismo isolado, mas de um conjunto de vias biológicas que atuam de forma convergente, promovendo uma sobrecarga metabólica e vascular que fragiliza o cérebro ao longo de décadas”, complementa o neurologista.

Cenário brasileiro em alerta 

De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, 1 em cada 3 brasileiros adultos vive com a doença. Quando somados os casos de sobrepeso, o número saltou para 68% da população adulta do país. Segundo a Dra Juliana Couto, nutróloga da Afya Educação Médica Montes Claros, o cenário brasileiro é resultado de uma complexa combinação de fatores biológicos, comportamentais, sociais e ambientais.

“O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados ricos em açúcar, gordura e sódio, somado à queda na prática de atividades físicas, tem papel central nesse panorama. Além disso, fatores como estresse crônico, sono de má qualidade, uso excessivo de telas, desinformação sobre alimentação e desigualdade no acesso a alimentos saudáveis contribuem para o avanço da obesidade”.

De acordo com uma pesquisa recente publicada na revista científica The Lancet  o consumo de alimentos ultraprocessados mais que dobrou no Brasil desde os anos 80, saltando de 10% para 23%. A nutróloga explica que os ultraprocessados passaram a ocupar um espaço que antes pertencia às refeições feitas em casa, sendo muitas vezes apresentados como soluções práticas para a falta de tempo. Além disso, mudanças socioculturais como a diminuição das refeições em família e a maior presença de fast-foods, contribuíram para que esses alimentos se tornassem parte da rotina.

“Embora pareçam facilitadores do dia a dia, os ultraprocessados têm um custo biológico significativo quando consumidos com frequência. Eles são formulados com excesso de açúcar, gordura de baixa qualidade, sódio e aditivos que tornam o alimento mais palatável, mas menos nutritivo. Com o tempo, esse padrão alimentar favorece ganho de peso, resistência à insulina, pré-diabetes e diabetes tipo 2. Também aumenta o risco de hipertensão, dislipidemias e doenças cardiovasculares, problemas que hoje representam grande parte das internações no país”.

Dra Juliana Couto ressalta que a obesidade pode atrapalhar a vida de uma forma muito ampla e que muitos pacientes relatam sofrimento emocional, baixa autoestima, discriminação social e profissional e dificuldades com as relações interpessoais. Além disso, a fadiga, a alimentação funcional, e a insegurança corporal afetam as atividades simples do dia a dia.

“O paciente deve manter a motivação, lidar com recaídas, combater a auto-sabotagem e ter acesso a informações confiáveis. O emagrecimento sustentável exige uma abordagem individualizada, planejamento, uma educação alimentar e um suporte contínuo, de preferência com equipe multidisciplinar. Não existe solução mágica, existe ciência, estratégia e cuidado. O objetivo não é apenas a perda de peso, mas a melhora da saúde e da qualidade de vida de uma forma sustentável”, conclui a nutróloga da Afya Educação Médica Montes Claros.

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