Melasma não é falta de cuidado! Entenda o que é e como lidar com a hiperpigmentação da pele


Selena Gomez estava em uma live tranquila com os fãs quando surgiu o comentário sobre um suposto “bigodinho”. Rindo, ela explicou: não era falta de depilação, era melasma. A resposta simples ajudou a jogar luz sobre uma condição comum e ainda cercada de julgamento.
O melasma é uma hiperpigmentação que aparece principalmente no rosto e atinge, em sua maioria, mulheres. Apesar de benigno do ponto de vista médico, costuma ter impacto direto na autoestima. E, diferente do que ainda se imagina, não está ligado a desleixo ou falta de cuidado.
A dermatologista Ana Braga, médica pós-graduada em dermatologia com ênfase em cosmiatria, é direta: “O melasma é uma condição crônica da pele. Não falamos em cura definitiva, mas sim em controle”.
Segundo ela, a tendência à recorrência é uma característica da doença. “Ele pode melhorar muito com tratamento adequado, porém existe tendência à recorrência, principalmente diante de exposição a sol, calor, estímulos hormonais ou inflamatórios. O paciente que entende o caráter crônico da doença costuma ter resultados mais estáveis e menos frustração ao longo do tempo”, explica a médica.
Não é só excesso de pigmento
O melasma é resultado do aumento da produção de melanina, mas o mecanismo é mais complexo do que parece. “Hoje sabemos que não é apenas ‘excesso de pigmento’. Há uma disfunção que envolve alteração na regulação dos melanócitos, aumento da vascularização local, inflamação crônica de baixo grau e alteração na barreira cutânea”, explica a dermatologista.
Entre os principais fatores desencadeantes estão exposição solar, inclusive à luz visível, predisposição genética, hormônios (como na gestação ou uso de anticoncepcional), calor e processos inflamatórios. Essa combinação multifatorial ajuda a explicar por que o tratamento precisa ser individualizado.
Uso do protetor solar
Muitas mulheres relatam frustração ao perceber o surgimento ou piora das manchas mesmo usando filtro solar diariamente. “O protetor solar é, de longe, o cuidado mais importante para o paciente com melasma. Mas, apesar de indispensável, ele isoladamente não é suficiente na maioria dos casos”, afirma Ana Braga.
Isso porque, além da radiação ultravioleta, a luz visível e o calor também ativam os melanócitos. A especialista destaca que, para quem tem melasma, a estratégia costuma incluir fotoproteção com cor, ativos antioxidantes e despigmentantes e medidas para controlar a inflamação e fortalecer a barreira da pele.
Sobre tratamentos, ela alerta para promessas milagrosas. “Não vejo bons resultados apenas com uma intervenção isolada, como um ‘procedimento milagroso’. Procedimentos muito agressivos podem piorar o quadro por induzirem inflamação, levando ao chamado efeito rebote”, avisa a médica.
Desafio do espelho
Se do ponto de vista médico o melasma é considerado benigno, emocionalmente ele pode ser devastador. “Embora seja uma condição benigna, acomete principalmente o rosto, que é a área central da identidade e da interação social humana. Muitas pacientes relatam queda na autoestima, insegurança e até isolamento social”, observa a dermatologista. “Tratar melasma não é apenas tratar manchas; é restaurar autoestima, segurança, bem-estar e qualidade de vida”.
Francisca Oliveira, de 42 anos, líder de produção, percebeu as manchas há cerca de dez anos, quando já estavam espalhadas. “Quando eu percebi, já estava tomado. Assustei, mas achei que não tinha como amenizar”, conta.
Na época, vivia uma rotina intensa de trabalho, com pouco descanso. “O tempo todo eu me culpava, por não ter cuidado. Mas também lia coisas sobre estresse, questão hormonal, e achava que poderia ser o estresse porque eu vivia em constante tensão”, relata.
A relação com o espelho mudou. “Passei a me inteirar mais sobre o assunto e vi que muitas mulheres tinham, mas cuidavam e que tinha como controlar.” Hoje, ela mantém uma rotina rigorosa de cuidados. “Qualquer descuido, elas aparecem”.
Maquiagem como escudo
Para Fabiana Cristina dos Santos, de 44 anos, analista de assuntos regulatórios, o melasma surgiu pouco depois do uso de anticoncepcional, na casa dos 20 anos. “Confesso que isso me abalou bastante, porque minha pele estava ótima e, de repente, as manchas apareceram”, afirma.
Ela diz que nunca se sentiu julgada, mas admite que o impacto é constante: “Não gosto de me olhar no espelho de rosto limpo, isso me incomoda. Há muito tempo não fico sem maquiagem, porque não me sinto bem com minha pele manchada”.
Fabiana já realizou diversos tratamentos e reconhece o custo financeiro e emocional do processo. “Saber que não existe cura definitiva é algo difícil de aceitar. No entanto, precisei compreender essa realidade e aprender a lidar com ela”, conta. Ela também destaca a influência do emocional: “Aprendi que o equilíbrio emocional é fundamental, pois o estado psicológico pode contribuir para a piora do melasma”, finaliza.
Fonte: O Tempo

















