Casos graves de Covid-19 e gripe elevam probabilidade de câncer de pulmão


Cientistas da Universidade da Virgínia (UVA), nos Estados Unidos, descobriram que casos graves de Covid-19 ou influenza, principalmente aqueles que exigem internação, podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento de câncer de pulmão. De acordo com a pesquisa, publicada na revista “Cell” na quarta-feira (11/3), infecções respiratórias graves alteram células imunológicas dos pulmões e criam um ambiente inflamatório duradouro favorável ao surgimento de tumores.
Após analisar dados de pacientes internados com coronavírus e realizar testes em camundongos, os pesquisadores identificaram que aqueles que haviam sido hospitalizados pela doença apresentaram uma taxa mais alta de diagnósticos de câncer de pulmão. Os roedores com infecções pulmonares severas também desenvolveram a doença e tiveram maior probabilidade de morte.
Segundo os pesquisadores, isso aconteceu porque as infecções respiratórias graves modificam células imunológicas chamadas neutrófilos e macrófagos, responsáveis pela defesa pulmonar. Portanto, após uma infecção severa, alguns neutrófilos adotam comportamento anormal e contribuem para um ambiente inflamatório persistente.
“Um caso grave de Covid ou gripe pode deixar os pulmões em um estado ‘inflamado’ duradouro que facilita o estabelecimento do câncer posteriormente”, explicou Jie Sun, codiretor do Carter Center da UVA e membro da Divisão de Doenças Infecciosas e Saúde Internacional da universidade.
A equipe também encontrou alterações nas células epiteliais que revestem os pulmões e nos pequenos sacos de ar responsáveis pela respiração. Essas mudanças, conforme o estudo, mantêm os pulmões em estado inflamatório prolongado que facilita o estabelecimento de células cancerígenas.
Em termos estatísticos, os dados revelaram um aumento de 1,24 vez na incidência de câncer de pulmão entre pacientes hospitalizados com Covid-19. O risco elevado foi observado independentemente de os indivíduos fumarem ou terem outras comorbidades. Indivíduos com infecções leves não mostraram esse risco aumentado. Na verdade, apresentaram uma ligeira diminuição na incidência de câncer de pulmão.
O estudo também identificou que a vacinação prévia pode prevenir muitas dessas alterações prejudiciais nos pulmões.
O médico-cientista da UVA, Jeffrey Sturek, que colaborou no estudo, destacou que as descobertas têm implicações no acompanhamento de pacientes após infecções respiratórias virais severas. Os pesquisadores pontuam, porém, que estudos futuros são necessários para determinar se uma abordagem de monitoramento próximo com tomografias computadorizadas de rotina dos pulmões deve ser considerada após infecção viral respiratória grave. Essa estratégia é similar à recomendada para pacientes com histórico de tabagismo. Também permanece em estudo quais pacientes específicos apresentam maior vulnerabilidade e quais estratégias de monitoramento seriam mais eficazes para diferentes grupos de risco.
Apesar disso, os cientistas recomendam que médicos monitorem de perto pessoas que se recuperam de Covid-19 grave, gripe ou pneumonia. O objetivo é detectar o câncer de pulmão precocemente, quando o tratamento é mais eficaz.
Fonte: O Tempo

















