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Março Lilás: câncer do colo do útero ainda é o que mais mata mulheres até 36 anos no Brasil

Redação16 de março de 202611min0
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Apesar de ser um dos tipos de câncer com maior potencial de prevenção, o câncer do colo do útero ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil.

Como parte das estratégias para enfrentar o problema, o Ministério da Saúde segue a meta global proposta pela Organização Mundial da Saúde conhecida como estratégia 90–70–90, que prevê, até 2030, vacinar 90% das meninas contra o HPV, rastrear 70% das mulheres com exames adequados e garantir tratamento para 90% das pacientes diagnosticadas com lesões ou câncer.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o número estimado de casos novos de câncer do colo do útero no país para cada ano do triênio de 2026 a 2028 é de 19.310, com risco estimado de 17,59 casos a cada 100 mil mulheres. A doença é atualmente o câncer que mais mata mulheres até os 36 anos e o segundo que mais causa óbitos femininos até os 60 anos, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Nesse contexto, ampliar a vacinação e melhorar o rastreamento são estratégias consideradas fundamentais para reduzir a incidência da doença. O mês de março, marcado pela campanha Março Lilás, reforça justamente a importância da conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e vacinação.

Diferentemente de muitos outros tipos de câncer, o tumor do colo do útero tem uma causa bem definida: a infecção persistente por determinados tipos do papilomavírus humano (HPV), vírus transmitido principalmente pelo contato sexual, o que torna as estratégias de prevenção ainda mais eficazes quando adotadas de forma ampla pela população.

Segundo a Dra. Madalena Oliveira, médica e professora na pós-graduação de Ginecologia da Afya Vitória, o câncer do colo do útero apresenta um grande paradoxo. Apesar de ser amplamente prevenível, muitas mulheres ainda chegam ao diagnóstico em fases avançadas. “O câncer do colo do útero geralmente se desenvolve de forma lenta, ao longo de vários anos, passando por lesões precursoras que podem ser identificadas e tratadas antes de se tornarem um tumor. Quando a mulher realiza exames preventivos regularmente, as chances de evitar o câncer são muito altas, mas muitas delas chegam para tratar já em fase avançada”, explica.

A especialista destaca que a prevenção da doença se baseia principalmente em duas estratégias complementares: a vacinação contra o HPV e o rastreamento periódico. Segundo ela, este tipo de câncer é causado, na grande maioria dos casos, pela infecção persistente pelo vírus HPV. “A vacina protege contra os principais tipos de HPV relacionados ao câncer e é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual”, afirma.

Tradicionalmente, o rastreamento é feito por meio do exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, que permite identificar alterações celulares precoces. No entanto, a especialista explica que novas estratégias vêm sendo incorporadas ao sistema de saúde, como o rastreamento por teste molecular de HPV (PCR), que detecta diretamente a presença do vírus no organismo e apresenta maior sensibilidade que a citologia tradicional. “Esse método permite identificar com mais precisão mulheres com risco de desenvolver lesões precursoras. A implementação desse exame vem sendo feita de forma gradual no Brasil, começando pelas regiões Norte, e tende a melhorar significativamente a detecção precoce e o controle da doença”, destaca.

A médica explica que, após a infecção, o vírus pode ser eliminado naturalmente pelo organismo, como ocorre na maioria das vezes, ou tornar-se persistente e iniciar transformações lentas nas células do colo do útero. Além disso, a especialista ressalta que o processo pode levar cerca de 10 anos até o desenvolvimento do câncer. Por isso, o objetivo do rastreamento é detectar e tratar lesões pré-malignas antes que evoluam para um tumor.

Outro desafio, segundo a médica, é ampliar o acesso à informação e reduzir barreiras culturais que ainda afastam muitas mulheres dos serviços de saúde. Muitas pacientes ainda relatam desconforto ou vergonha em relação ao exame preventivo, o que leva ao adiamento da consulta. “Precisamos reforçar que esse é um cuidado simples, rápido e que pode literalmente salvar vidas”, afirma Dra. Madalena.

A especialista também destaca que novas estratégias podem ajudar a reduzir essas barreiras. Uma delas é a autocoleta para exames de rastreamento, que começa a se tornar mais acessível e pode facilitar o acesso de mulheres que sentem incômodo com a coleta tradicional ou que vivem em regiões com menor acesso a serviços de saúde. Para ela, o avanço dessas alternativas, aliado à ampliação dos programas de monitoramento e da cobertura da vacinação contra o HPV, pode fortalecer a prevenção e melhorar o controle da doença no país.

5 fatos sobre o câncer do colo do útero que muitas pessoas ainda não sabem

1. O câncer pode levar anos para se desenvolver

Entre a infecção pelo HPV e o surgimento do câncer podem se passar 10 a 20 anos, o que torna o rastreamento extremamente eficaz.

2. Nem sempre há sintomas nas fases iniciais

Alterações iniciais geralmente são silenciosas. Sintomas como sangramento fora do período menstrual, dor pélvica ou dor durante a relação sexual costumam aparecer apenas em fases mais avançadas.

3. A vacina contra HPV também protege contra outros cânceres

Além do colo do útero, a vacina ajuda a prevenir tumores de ânus, orofaringe, pênis e vulva, todos associados ao vírus.

4. Mesmo mulheres vacinadas precisam fazer o preventivo

A vacina protege contra os principais tipos de HPV, mas não contra todos, por isso o rastreamento continua sendo necessário.

5. Homens também participam da cadeia de transmissão do HPV

Embora o câncer do colo do útero atinja mulheres, o vírus pode circular entre parceiros, o que reforça a importância da vacinação de meninos e meninas.

Sobre a Afya 

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br eir.afya.com.br. 

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