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‘Pode virar uma dipirona’, alerta médica sobre canetas emagrecedoras após quebra de patente

Redação20 de março de 202611min0
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Mudança ocorre nesta sexta-feira (20) e pode facilitar acesso a novas versões da semaglutida; especialistas temem riscos à saúde em caso de banalização do uso

Prevista para esta sexta-feira (20), a quebra da patente da semaglutida, principal ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, deve  ampliar o acesso a tratamentos para diabetes tipo 2 e obesidade no Brasil. A mudança permite a entrada de novos fabricantes no mercado, o que tende a reduzir preços e aumentar a oferta dos produtos – mas não de forma imediata. Especialistas ouvidos pelo Hoje em Dia alertam, porém, para um efeito colateral da popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”: disseminação do uso sem acompanhamento médico, elevando riscos à saúde.

Na prática, segundo o endocrinologista Felipe Leão, especialista‬‭ pela‬‭ Sociedade‬‭ Brasileira‬‭ de‬‭ Endocrinologia‬‭ e‬ Metabologia e mestre‬‭ em‬‭ Medicina‬‭ Molecular‬‭ pela‬‭ Universidade‬‭ Federal‬‭ de‬‭ Minas‬ Gerais (UFMG), a principal mudança será a possibilidade de ampliar o acesso ao tratamento.

“Do ponto de vista prático é o aumento do acesso, com a possibilidade de outras versões mais acessíveis permitirem que mais pessoas se beneficiem dessas medicações”, explica Felipe Leão, que atua no Hospital Orizonti.

Apesar da expectativa de queda nos preços, isso não deve acontecer a curto prazo, já que os novos medicamentos precisarão passar pelo crivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de chegarem ao mercado. “Então é necessário um prazo até que essas novas opções estejam disponíveis”, afirma o especialista.

Diferenças entre medicamentos e novas opções

Com o fim da exclusividade na produção, devem surgir versões similares da semaglutida. Segundo Leão, o princípio ativo será igual, mas a qualidade do produto final pode variar conforme o fabricante.

“A ação da medicação é a mesma, já que o princípio ativo é o mesmo. Mas é importante considerar a qualidade da indústria farmacêutica. Empresas com histórico consolidado tendem a garantir maior segurança e padronização”, diz.

Ele também destaca que outros medicamentos, como a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, já vêm ganhando espaço e apresentam diferenças no mecanismo de ação.

“A tirzepatida atua em dois hormônios relacionados à saciedade, enquanto a semaglutida atua em um. Em alguns pacientes, isso pode resultar em uma resposta mais potente, mas não significa que uma medicação seja melhor que a outra. A escolha depende do perfil de cada paciente”, diz.

Indicação médica e uso indiscriminado

Apesar da tendência de popularização das “canetas”, especialistas reforçam que os medicamentos não são indicados para qualquer pessoa. O uso é recomendado principalmente para pacientes com obesidade, sobrepeso associado a comorbidades ou diabetes tipo 2.

“Essas medicações não têm como objetivo um tratamento inicial ou estético. São indicadas para condições de saúde importantes, como obesidade e diabetes. Quando usadas apenas para perda de peso pontual, o risco pode superar o benefício”, adverte Leão.

Segundo ele, o uso fora das recomendações já é realidade. “Existe um uso excessivo ou fora das indicações. Muitas pessoas têm expectativas irreais e utilizam o medicamento sem associar a mudanças de estilo de vida, o que compromete o resultado”.

Riscos à saúde e efeitos colaterais

Gastroenterologista e membro da diretoria da Associação Mineira de Gastroenterologia (AMG), Camila Coradi destaca que o uso da semaglutida sem acompanhamento médico pode trazer complicações, principalmente no sistema digestivo.

“Essas medicações atuam retardando o esvaziamento do estômago, o que aumenta a sensação de saciedade. Por isso, os efeitos colaterais mais comuns são náuseas, refluxo, constipação ou diarreia”, explica Camila, que também trabalha no Hospital Orizonti.

Segundo ela, os sintomas costumam ser mais intensos no início do tratamento ou na fase de aumento de dose, e variam de paciente para paciente. Mas também há registros de casos mais graves associados ao consumo inadequado.

“Já tivemos pacientes internados com vômitos persistentes e desidratação por conta do uso dessas medicações sem acompanhamento”, relata.

A especialista também chama atenção para o perigo dos produtos sem procedência. “O que mais preocupa são medicações manipuladas ou importadas sem controle, que aumentam muito o risco de eventos adversos”.

Impactos no organismo

Por alterar o funcionamento do sistema digestivo, o medicamento também pode interferir na absorção de nutrientes e até de outros remédios. “Como o esvaziamento gástrico fica mais lento, pode haver interferência na absorção de substâncias, inclusive medicamentos, como anticoncepcionais orais”, explica Camila.

Outro ponto observado nos consultórios é o aumento de alterações intestinais. “Temos visto muitos casos de disbiose, que é um desequilíbrio da microbiota intestinal, além de constipação e piora do refluxo”.

O perigo da banalização

Para os especialistas, a quebra da patente pode representar um avanço no tratamento de doenças crônicas, mas também exige atenção redobrada. “A obesidade é uma condição epidêmica e precisa ser tratada com seriedade. Essas medicações são eficazes e seguras quando bem indicadas, mas o risco está na banalização do uso”, afirma Leão.

Camila concorda e ressalta que o cenário exige conscientização. “A quebra da patente é importante para ampliar o acesso a quem precisa, mas também pode facilitar o uso sem indicação. O risco é transformar um tratamento médico em algo banal. (…) O mais importante é que vamos viver agora o maior acesso da medicação, mas temos que viver também uma maior conscientização. Estudar a indicação, estudar os riscos, como manejar para quem é indicado, se não vai virar uma dipirona, cada um vai tomar de acordo com o que quer e isso é completamente ruim”.

Tratamento exige acompanhamento

Os especialistas reforçam que o uso das “canetas emagrecedoras” deve sempre ser feito com orientação médica e associado a mudanças no estilo de vida. “O medicamento é apenas uma parte do tratamento. Alimentação adequada, atividade física, sono e acompanhamento clínico são fundamentais para resultados seguros e duradouros”, afirma Leão.

Camila complementa: “O principal erro é começar a usar sem avaliação médica, sem ajuste de dose e sem acompanhamento. Isso aumenta o risco de efeitos adversos e compromete o tratamento”.

Fonte: Hoje em Dia

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