Saiba quais são os cursos superiores mais procurados do Brasil


A 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, divulgada nessa quinta-feira (19) pelo Semesp, revela um retrato de transformação profunda na educação brasileira. Com um total de 10,23 milhões de estudantes matriculados, o setor privado reafirma sua predominância ao deter 79,8% de todas as matrículas do país. O levantamento destaca que a escolha dos cursos tem sido fortemente guiada pelas mudanças tecnológicas e novas exigências do mercado, com as áreas de Computação e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) apresentando crescimento expressivo entre 2023 e 2024: 9,2% no ensino presencial e 12,5% na modalidade a distância (EAD).
A modalidade EAD, embora tenha apresentado uma desaceleração no ritmo de crescimento, consolidou-se como o principal caminho de ingresso. O estudo esclarece que essa perda de fôlego não está relacionada ao novo marco regulatório de maio de 2025, mas reflete uma mudança estrutural. Atualmente, a rede privada detém 97,3% dos novos alunos de EAD, evidenciando um domínio quase absoluto. Em termos geracionais, o perfil dos estudantes é heterogêneo: enquanto o ensino presencial é composto por 61,9% de jovens até 24 anos, a EAD atrai um público mais maduro, com forte concentração entre 30 e 49 anos.
A ascensão do ensino digital provocou uma inversão histórica no turno noturno. Se em 2014 as aulas presenciais à noite representavam 53,2% dos ingressantes, em 2024 esse índice despencou para 18,2%. Em contrapartida, a EAD saltou de 26,7% para 73,5% no mesmo período, sugerindo que a modalidade absorveu o público trabalhador que antes dependia do ensino noturno. Esse fenômeno é impulsionado pela capilaridade das instituições com fins lucrativos, que correspondem a 58% das faculdades brasileiras e oferecem mensalidades mais acessíveis.
Apesar da expansão, o cenário apresenta sinais de alerta. A taxa de evasão permanece alta, atingindo 24,8% no presencial e preocupantes 41,6% na EAD. No setor privado, a desistência na modalidade a distância chegou a 41,9% em 2024, o maior índice da série histórica iniciada em 2014. Além disso, o crescimento global de matrículas caiu de 5,6% no período anterior para 2,5% no último ano, indicando uma estagnação nas políticas de financiamento e baixa taxa de conclusão de curso.
Regionalmente, o Sudeste lidera com 4,5 milhões de matrículas, seguido pelo Nordeste (2,2 milhões) e Sul (1,75 milhão), onde a EAD supera a metade dos registros em várias áreas. No Norte, o presencial ainda resiste com 51,2% das matrículas. Diante desses dados, especialistas divergem sobre o futuro. O sociólogo Simon Schwartzman aponta que a expansão da EAD foi excessiva e critica a baixa oferta de vagas no setor público. Já a professora Maria Ligia Barbosa destaca que, apesar da retração, as faculdades presenciais isoladas permanecem essenciais por sua presença territorial e oferta de cursos noturnos de formação de professores.
O Mapa do Ensino Superior, produzido anualmente pelo Instituto Semesp, serve como um centro de inteligência analítica que monitora as tendências, o perfil dos estudantes e os desafios estruturais das redes pública e privada no Brasil.
Com informações de Estadão Conteúdo


















