IBGE: 26% das meninas já sofreram algum tipo de assédio sexual nas escolas


Meninas brasileiras são as principais vítimas de bullying, violência e também as que mais relatam sentimentos de tristeza durante a adolescência. É o que mostra a quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em alguns casos, o sofrimento entre elas chega a ser quase três vezes maior do que entre os meninos.
De acordo com o levantamento, cerca de 26% das meninas já sofreram algum tipo de assédio sexual — índice aproximadamente 30% superior ao registrado entre os meninos.
Elas também aparecem com mais frequência como vítimas de bullying, especialmente em situações repetidas, realidade vivida por cerca de três em cada dez estudantes do sexo feminino nas escolas brasileiras.
A pesquisa foi realizada em 2024, com cerca de 150 mil estudantes de 13 a 17 anos, em aproximadamente 4 mil escolas distribuídas por 1.200 municípios. O estudo é fruto de uma parceria entre o IBGE, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação.
Segundo a professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Débora Malta, os dados acendem um alerta, principalmente em relação à violência sexual.
“Cerca de 18,5% dos estudantes relatam já ter sofrido violência sexual ao longo da vida, número que sobe para 26% entre as meninas. Muitas vezes, essa violência ocorre dentro da própria família, o que torna a situação ainda mais grave”, destaca.
O estudo também aponta que 27% dos estudantes afirmam já ter sofrido bullying, enquanto 13% relatam casos de cyberbullying — percentual semelhante ao registrado na edição anterior, de 2019.
Na área da saúde mental, os indicadores também preocupam. Cerca de 4,5% dos adolescentes disseram não ter amigos próximos, e 26% afirmaram sentir que ninguém se preocupa com eles.
Apesar do cenário desafiador, a pesquisa traz um dado positivo: a redução no uso de drogas entre os estudantes.
Para Débora Malta, os resultados reforçam a importância do papel da família e da sociedade na proteção dos jovens. “Esses dados mostram a necessidade de fortalecer o apoio familiar e social, tanto na prevenção da violência quanto no cuidado com a saúde mental. Também são fundamentais para orientar políticas públicas de proteção e inclusão social”, afirma.
Fonte: Itatiaia



















