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Antes feito do que perfeito: a importância de se exercitar mesmo que por poucos minutos

Redação6 de abril de 202610min0
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Especialistas mostram que qualquer quantidade de movimento é melhor do que nenhuma e que a constância vence o perfeccionismo

Por Renata Abritta

“Segunda-feira eu começo”. A frase tornou-se um clássico da procrastinação moderna. Tudo parece começar na segunda-feira: a dieta rigorosa, a matrícula na academia, o fim do consumo de doces ou a pausa no álcool. Para muitos, inscrever-se nos treinos já representa uma vitória. No entanto, somente a intenção não gera resultados. Quando faltam disciplina e motivação sustentada, o desfecho comum é pagar a mensalidade sem frequentar o espaço. Outros nem chegam a tentar e permanecem presos à inércia de um estilo de vida sedentário, com consequências graves para a saúde.

Há ainda aqueles que desistem antes mesmo de iniciar, convencidos de que, sem treinos intensos, suor “instagramável” ou metas ambiciosas, o esforço não vale a pena. Nesse caso, o perfeccionismo funciona como desculpa conveniente. “Antes feito do que perfeito” deveria ser o lema. O Dia Mundial da Atividade Física, celebrado nesta segunda-feira, 6 de abril, surge como lembrete oportuno de que movimentar-se não se resume a performance, mas à constância diária.

A atividade física pode, literalmente, salvar vidas. Camila Fernandes, que atua como educadora física e coach de CrossFit, vivenciou isso na prática. Em 2020, dois dias após completar 33 anos, sofreu um AVC hemorrágico. Passou 20 dias hospitalizada, sendo 15 deles no Centro de Terapia Intensiva (CTI).

“Por ser uma pessoa ativa, com massa muscular de reserva, consegui sobreviver e me recuperar de forma mais rápida. A recuperação também veio a partir do movimento. Na enfermaria, já comecei a fazer caminhadas pelo hospital. Assim que voltei para casa, iniciei acompanhamento com fisioterapeuta. Dois meses depois, fui para o pilates. Sete meses após o AVC, retornei ao CrossFit com treinos adaptados”, relata. Hoje, Camila leva uma vida normal, sem sequelas.

Uma das diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) é clara: “qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma”. Estudos científicos confirmam que poucos minutos fazem diferença e que quanto menos tempo se passa sentado ou parado, melhor.

“Nosso dia a dia está cada vez mais sedentário, com maior comodidade nos deslocamentos — escadas rolantes, elevadores — e alimentação baseada em produtos industrializados. Cada vez mais parados e consumindo mais calorias e substâncias maléficas. Uma forma simples de mudar isso é trocar a escada rolante ou o elevador pela escada convencional e fazer pequenos percursos a pé”, sugere Camila Fernandes.

Emerson Rodrigues, professor de Educação Física do UniArnaldo Centro Universitário, alerta que as pessoas que passam muito tempo sentadas têm uma tendência maior de dores na lombar, rigidez no pescoço e nos ombros e inchaço nas pernas. “Hoje temos diversos dispositivos eletrônicos que nos lembram de fazer uma caminhada, ficar um tempo em pé. No dia a dia, use um copo de água na sua mesa de trabalho para ter que levantar e ir buscar a água, deixe as coisas de uso diário em um local que vá te fazer levantar, duas vezes por dia, levante e faça um exercício para ativar a panturrilha”, recomenda.

Porém, o professor reforça que embora atividades cotidianas façam diferença, elas não substituem o exercício estruturado.

Vencendo o sedentarismo

No Brasil, o sedentarismo ainda representa um grave problema de saúde pública. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 47% dos adultos brasileiros não praticam atividade física suficiente no tempo livre. Em âmbito global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 1,8 bilhão de adultos (31% da população mundial) não atingem os níveis recomendados de exercícios. Essa inatividade eleva significativamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, certos tipos de câncer e problemas de saúde mental.

Para quem se enquadra nessa estimativa, começar com pouco é válido e recomendado. “Todo treino deve levar em consideração a capacidade física da pessoa. Esse treino digamos ‘mais facilitado’ para a pessoa sedentária, vai ajudá-la a melhorar e, psicologicamente, traz o efeito do ‘consigo fazer’, então é uma ótima maneira de começar”, avalia o professor.

Camila Fernandes frisa que de gota em gota a gente enche um copo de água. “Faça o mesmo com a atividade física. Tem 10 min por dia? Use esses 10 min! Aos poucos, vendo as mudanças, a gente acaba encontrando mais tempo para se exercitar. O importante é procurar uma atividade ou esporte que goste (ou odeie menos)”.

O pecado da comparação

O excesso de exposição nas redes sociais pode ser um desmotivador, mas especialistas recomendam cuidado. “A maioria dos posts mostra apenas o que as pessoas já conquistaram, e nem sempre reflete apenas mudanças de hábitos de atividade física e alimentação. Há quem mostre a luta real dessa transformação. Temos que selecionar com cuidado o que e quem acompanhamos. Existem inspirações positivas por lá, mas o foco deve ser na nossa própria jornada”, afirma Camila Fernandes.

Emerson Rodrigues, complementa que as redes sociais viraram uma terra sem lei. “Precisamos tomar muito cuidado com os conteúdos que consumimos. Eles só mostram a parte boa, o resultado final, mas não o caminho percorrido. Procure sempre orientação de um profissional qualificado. Concentre-se na sua evolução, no seu objetivo e no que é importante para você”, aconselha.

O professor pontua a importância da atividade para corpo a mente. “Vivemos numa sociedade estressante, cheia de cobranças. Uma das maneiras de aliviar esse estresse é através do exercício físico. A sociedade está ficando cada vez mais longeva, e a prática regular proporciona melhor qualidade de vida, permitindo ser um idoso independente, capaz de realizar as tarefas diárias sozinho. Além de todos esses benefícios, a sensação de bem-estar proporcionada pelo movimento é maravilhosa e nos ajuda a enfrentar a correria do dia a dia”, finaliza.

Um passo de cada vez

Segundo Emerson Rodrigues, professor de Educação Física, o pensamento “tudo ou nada” é um dos principais vilões da desistência precoce. “Essa mentalidade é um erro muito grande, às vezes motivada pelas redes sociais e pelo imediatismo dos resultados. A constância nos treinos é a principal meta; posteriormente, colhemos os resultados”, explica.

Patricia Suevo, gerente de Marketing de 46 anos exemplifica essa transformação gradual. “Eu nunca fui totalmente sedentária, sempre tive algum contato com atividade física ao longo da vida. Mas, por muito tempo, ela não era prioridade, era algo pontual, sem constância. Eu enxergava mais como obrigação ligada à estética de um corpo magro, não como parte essencial da saúde e do bem-estar”, relata.

A mudança ocorreu há 6 anos quando Patricia adotou uma nova mentalidade. “Entendi que precisava de constância, não de perfeição. Comecei com CrossFit cinco vezes por semana e iniciei também musculação. Essa combinação me motiva, me desafia e evita que a rotina fique monótona. Foi aí que a atividade física deixou de ser eventual e passou a fazer parte da minha rotina de verdade”.

Ela enumera os resultados: “mais disposição no dia a dia, melhora na qualidade do sono, mais energia e equilíbrio emocional. Hoje me sinto mais forte, mais saudável e com maior qualidade de vida. A atividade física representa um compromisso comigo mesma, um momento reservado para cuidar da saúde física e mental. Não é mais sobre estética, é sobre bem-estar, disciplina e constância”, ressalta Patrícia.

Fonte: O Tempo

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