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Mineira segue tradição de família no café e é selecionada para mestrado na Itália

Redação16 de agosto de 20186min1
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Parte da quarta geração de produtores em Santana da Vargem, Raquel Miranda tem história ligada à cafeicultura no Sul de Minas.

Foi ainda criança que Raquel Miranda, hoje produtora de café aos 28 anos, começou a acompanhar o avô e o pai nas lavouras da família, em uma propriedade entre Santana da Vargem e Três Pontas (MG). A herança que levou toda a família do pai, com 14 irmãos, a viver do café, fez Raquel estudar engenharia agronômica. Hoje, ela comemora um passo importante – a aprovação para uma bolsa integral de mestrado em café na Itália.

Raquel foi a única brasileira a conquistar a bolsa de 100% na Fundação Ernesto Illy e Università del Caffè, na cidade italiana de Trieste. A aprovação foi anunciada em agosto e as aulas começam em janeiro de 2019.

“Não imaginava que seria selecionada. São muitas pessoas qualificadas de todo o Brasil. Foi com muita surpresa e alegria que fiquei sabendo. Agora, vou me especializar em um assunto que vive comigo desde criança”.
Durante a graduação em engenharia, no Instituto Federal em Muzambinho (MG), ela viu o dom da família tomar a frente dos planos. “Na verdade, eu não imaginava que iria mexer com café. Eu queria aprender sobre uva, para diversificar a produção da fazenda. Mas o sangue falou mais alto”.

A produtora é a quarta geração da família a trabalhar com café. Dos avós, Chico Amado e Dona Catarina, viu a força para levantar a propriedade e ensinar todos os 14 filhos e 32 netos. Hoje, a herança do café representa a principal fonte de renda da maioria deles.

“Nossa estrutura é bem simples. Mas em conjunto estamos buscando fazer um excelente café. Os grãos são selecionados e secos em ‘terreiro suspenso’, não têm contato com o chão. Todo trabalho é feito pelos membros da família Miranda”.

Os frutos vieram, mas ninguém ainda havia tido a chance de se especializar. Raquel foi a primeira da família a conquistar o curso superior na área. “Agora, nós, os netos do meu avô, estamos tendo essa oportunidade. Eu fui a primeira, e agora minha irmã e um primo estudam agronomia, também para aplicar aqui.”

O estudo da Raquel, em parceria com a força de trabalho de toda a família, traz sempre novas conquistas o longo dos anos. “Para agregar valor ao nosso café e valorizar o trabalho de nossos pais, este ano, tomamos a iniciativa torar e embalar nossa própria produção. Ainda é bem artesanal e em pequena escala. Fizemos uma homenagem ao nosso avô com o nome Café Chico Amado”.

O caminho até a Itália
Nos primeiros anos da graduação no IF Sul de Minas, a produtora fez parte de grupos de estudo de projetos de extensão. Foi convidada para prestar assistência a pequenos produtores no Norte Pioneiro do Paraná, uma das principais regiões na produção de café especial no país.

Depois de se formar engenheira no Sul de Minas, Raquel quis se especializar e foi para o interior de São Paulo – estudou no Instituto Agronômico de Campinas. Dessa vez, os estudos foram voltados ao solo. Quis aprender como utilizar os resíduos da cadeia produtiva do café na produção de fertilizantes.

Com o fim do mestrado em Campinas, soube da bolsa na Itália pelo noivo. Fez todo o processo exigido – enviou currículo, o histórico escolar e uma carta sobre a história da vida com o café.

Segundo a instituição que faz a ponte com o local na Itália, mais de 200 pessoas se aplicaram para a vaga. Todo ano, a universidade seleciona um estudante brasileiro para a bolsa integral; para 2019, Raquel foi a escolhida.

Na Europa, ela terá contato com toda a cadeia produtiva do café, desde os primeiros passos do cultivo, até o consumo. Após os nove meses de curso no mestrado profissional na Itália, Raquel terá mais um título – o de mestre em ciências e economia do café, reconhecido internacionalmente. As aulas começam em janeiro de 2019.

Os potenciais do Sul de Minas
“O Sul de Minas é maior produtor de café do país. E o Brasil é o maior produtor do mundo. A gente tem qualidade, o produtor cada ano que passa busca mais formação, busca profissionais especializados”, comenta Raquel.

“E o nosso café, que antes era conhecido como café commodity, hoje é adquirido com status de um ‘vinho raro’, são os cafés especiais. Comercializado de maneira diferente, com características próprias”.
É de olho nestas características do café da região que Raquel pretende voltar ao Brasil após o mestrado. “Mesmo sendo o maior produtor, o Sul de Minas até hoje não tem o certificado de origem, não existe o ‘café do Sul de Minas’. Então, é minha ideia, fazer o que estiver ao meu alcance para que a região tenha o reconhecimento de origem”.

 

Fonte: G1.com.br

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Um comentário

  • Raissa Couto Dal Secco

    17 de agosto de 2018 at 9:35

    Parabéns Querida Raquel!
    Este é o caminho.
    Parabéns também ao Instituto Federal de Muzambinho pela formação de uma Engenheira Agrônoma de qualidade.
    E que você possa trazer muito conhecimento e abrilhantar ainda mais a maior cafeicultura do Brasil, a do Sul de Minas.

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