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O Pulso ainda Pulsa. Fraco, mas Pulsa.

Redação16 de abril de 20214min0
Espaio-favela-Rock-in-Rio
por Valdeci Santana

Há tempos que a periferia deixou-se convencer, de que seus horizontes se resumem pateticamente num polo de mão de obra. Um mísero alojamento, onde a servidão repousa sua carcaça esquelética em colchões repletos de calombos, para recomeçar sua labuta nos dias seguintes.

Entretanto a periferia é o legitimo reduto da cultura. Isso é um fato. Suas vielas nada mais são senão veios, onde pulsa a cultura. Uma fonte inesgotável de arte.

Toda identidade cultural do país está esquecida no casario decrépito das comunidades. Seus muros são aquarelas que exibem um grito desesperado por socorro, cada vez em que o artista troca seu pincel por passe de ônibus, a cada situação em que a voz daquele cantor que nem chegou a gravar um disco, é silenciada, ao prestar-se ao posto de sentinela do crime, nas vielas que a nobreza frequenta em surdina, em busca de atividades ilícitas. Aliás, ocorre-me agora, que se a elite se empenhasse tanto em buscar arte nas comunidades, como se empenha em buscar drogas, o Brasil seria referência neste quesito.

Todavia a falta de apreciação cultural é um dos principais motivos, pelos quais, jovens talentos desprezam a arte pelo crime, ou pela vadiagem.

Ah paciente leitor! É bem certo que você tenha topado com algum jovem talento. Alguém para quem, as habilidades artísticas tenham trabalhado com maior dedicação. E talvez, um leve desapontamento inunde sua alma, ao lembrar-se de que aquele jovem pródigo teria um futuro brilhante, e que agora esta no banco de réus, esperando a sentença em algum tribunal. Ou, o que é bem pior, tenha se tornado um ser desiludido, semelhante a tantos outros, para quem a existência passou a resumir-se a uma vida de servidão cega e reconhecimento mínimo.

Esse pobre pecador, cujas imperfeições sobrepostas superariam o Evereste, e que aqui rabisca tais palavras, nem se lembra mais de quantos “Pelés” encontrou, driblando a falta de oportunidade na várzea das comunidades. Não consegue computar quantos grandes músicos, artistas plásticos, atores, literatos desiludiram-se com a arte. Seus sonhos outrora coloridos tornaram-se um borrão.

Cá entre nós, a arte nas periferias anda um tanto esquecida, salva as raras ocasiões em que um talento da comunidade vai parar na mídia, mas, representa um mísero fragmento, dentro de um oceano. E se não fossem os esforços de tantos militantes que tentam sustentar a arte, a cultura do país já teria ido pelo ralo de vez. Atualmente, a única arte realmente visível nas periferias, é a arte de sobreviver.

Tentam nos empurrar uma máxima de que o brasileiro não lê, não ouve boa música e tampouco se interesse por manifestações artísticas de teor requintado. Ora! Negativo, paciente leitor! Querem dizer que nós, pobres não temos tais gostos. O que não passa de uma publicidade inversa, no intuito de manter a massa distante do crescimento intelectual através da cultura. Elegem como referência o crime, a vadiagem e pseudos-artistas, que exibem um “tróço” que de arte não tem nada.

Por fim, comparo a arte a um boteco, pode até existir em bairros nobres, mas, se multiplica e tem magia mesmo é na periferia.

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