Minas Gerais pode ter variantes inéditas do coronavírus

Redação17 de junho de 20217min0
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Uma das hipóteses é que a recém chegada P4 já tenha chegado ao Sul do Estado

Minas não registra variantes Delta (indiana) e Beta (da África do Sul) até o momento, mas a possível presença de cepas inéditas do novo coronavírus preocupa. Nas próximas duas semanas, pesquisadores da UFMG, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde e da Fundação Ezequiel Dias, devem divulgar a conclusão de um estudo que mapeia as variantes no Estado. A pesquisa analisou 1.200 amostras entre março e abril e identificou 98% das cepas em circulação no Estado. No entanto, os 2% restantes ainda não foram identificados.

Segundo um dos pesquisadores, o professor de genética Renan Pedra, essas variantes podem ser inéditas ou cepas antigas, disseminadas no início da pandemia. Uma das hipóteses é que algumas regiões, como Alfenas, no Sul do Estado, já podem ter a presença da P.4, uma das últimas identificadas no país. A mutação foi encontrada no interior de São Paulo no fim de maio e é derivada da mesma linhagem da cepa Gama, originada em Manaus.

“Esses 2% das amostras que não conseguimos identificar pode ser de alguém que foi para o México e voltou com alguma variante, pode ser uma variante já conhecida, que não temos muitos problemas mais. Pode ser qualquer coisa, de algo novo no Brasil ou alguma variante nova em Minas. Já fizemos o sequenciamento e estamos processando as informações. No caso de Alfenas, a cidade faz fronteira com São Paulo, então pode ser a P.4, que é uma cepa que está crescendo e não temos muitas informações”, explicou o especialista, que descartou a possibilidade da variante Beta, identificada na África do Sul, estar no Estado.

 

“Identificamos até então apenas três variantes no Estado, a de Manaus, a do Rio de Janeiro e a britânica. O que temos visto é que as coisas têm mudado rápido, o medo é desses 2% já terem se transformado em 10%, porque do tempo que as amostras foram coletadas até agora muita coisa pode ter mudado. A questão não é o medo do novo, mas como o que é raro pode se transformar”, completa Pedra, citando o caso das variantes do Reino Unido e da Índia, que foram se tornando mais perigosas ao longo do tempo.

Na última terça-feira, o Secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, já havia informado que Minas não havia registrado transmissão da  Delta, após um morador de Juiz de Fora, na Zona da Mata, ter tido a versão, originária da Índia, no fim de maio. Atualmente, a maioria dos casos no Estado (74,15%) são provenientes da variação de Manaus. Já a Alfa, originada no Reino Unido, está em 10,5% do Estado, enquanto 13,1% das cepas  são provenientes da Zeta, do Rio de Janeiro.

Sem controle. De acordo com o professor, a falta de controle e barreiras sanitárias para impedir a circulação de variantes vai provocar mais cedo ou mais tarde a criação de novas cepas.

“O Brasil tem sido um celeiro no processo de geração de novas variantes. Se continuar assim terá mais (cepas) e isso é uma loteria, não tem como saber como as variantes vão se comportar. Vira um problema mundial”, afirma Pedra.

Segundo o especialista, a solução é manter as recomendações de distanciamento social para conter a propagação do coronavírus e minimizar o surgimento de mutações. “É uma tríade, que não vai mudar, isolamento, uso de máscara e as medidas de higiene”, concluí.

Estado. O governo de Minas informou que tem ampliado as ações de vigilância genômica do coronavírus e solicitou à Vigilância Sanitária, a partir do mês de maio, a ampliação da fiscalização de entrada de passageiros oriundos do exterior, no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte.

Distribuição das variantes pelo Estado
De acordo com o professor da UFMG, Renan Pedra, nas unidades regionais de saúde de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, todas as amostras analisadas no estudo eram provenientes da variante Gama. Em contrapartida, no noroeste do Estado, especialmente nas unidades de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, e Pedra Azul, Vale do Jequitinhonha, a maior parte dos casos está relacionado à incidência da variante Zeta e Alfa.

“Com esse estudo vimos a heterogeneidade de cepas no Estado. O que percebemos é que temos locais que a P.1 (Manaus) ainda não chegou, mas certamente vai chegar. Isso significa que à medida que conseguimos mapear as variantes é possível se preparar e fortalecer o sistema de saúde”, avalia o professor, que explica as diferenças.

“Enquanto na P.1 percebemos internações mais longas e de pessoas mais jovens, na P.2 (Rio de Janeiro) tem se menos complicações. Evitar que a P.1 chegue em locais mais precários do Estado, que não possuem uma rede tão completa como a da região metropolitana, evita-se que se tenha um colapso”, pontuou.

Fonte: O Tempo

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