Número menor de mortes por Covid banaliza a pandemia

Redação15 de novembro de 20214min0
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Os 250 óbitos por dia se equiparam aos causados por AVC e dengue; para pesquisador, não podemos ficar tranquilos em relação à transmissão e à gravidade da doença

Flexibilização e volta dos grandes eventos não significa o fim da pandemia, adverte pesquisador

Os grandes eventos voltaram, e o uso de máscara está cada vez mais raro nos espaços públicos. O Brasil vivencia a menor média móvel de mortes por Covid desde abril do ano passado, mas isso está longe de ser o fim da pandemia. O país ainda registra uma média de 250 óbitos pela doença por dia, um número ainda muito alarmante, mesmo que há seis meses, a média diária estivesse superando 3.000 mortes.

Para ser uma ideia, o Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das maiores causas de mortes no país, foi responsável por 101 mil vidas perdidas em 2017 no Brasil – uma média de 274 por dia. A dengue, um dos grandes problemas da saúde pública no país, foi responsável por 782 mortes em 2019 em todo o território. Média de duas por dia.

Para Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ainda estamos longe de ficar tranquilos em relação à transmissão ou à gravidade do coronavírus. “Não se pode normalizar algo que não é normal só porque vivemos uma catástrofe recentemente. Na verdade, saímos do centro do vulcão, mas ainda estamos nadando na lava”, argumenta.

Longe do normal 

Segundo o pesquisador, somente Belo Horizonte registra pelo menos 130 casos graves de Covid por semana. “Se você olha para o tamanho da população, verifica que BH registra pelo menos cinco casos por 100 mil habitantes, sendo que o ideal seria estar abaixo de um. Dependendo da localidade, o ideal é estar abaixo de 0,5. Ou seja, estamos longe de estar tranquilos”, disse.

Conforme o boletim epidemiológico da prefeitura, Belo Horizonte tem atualmente 252 pessoas internadas em enfermaria e 122 em UTIs por causa da Covid. “Mesmo com o avanço da imunização com 82,9% de vacinados com a primeira dose e dose única e 67,1% de vacinados com a segunda dose e dose única, é importante lembrar que a pandemia ainda não acabou e as medidas de proteção ainda devem ser mantidas”, afirma se Secretaria Municipal de Saúde.

Segundo Gomes, a vacinação permitiu uma grande redução no número de casos, internações e mortes por Covid em todo o país, mas hoje o país vivencia um cenário de estabilização nos números. Como muitos países da Europa vivenciam um recrudescimento da pandemia, os brasileiros deveriam ficar mais atentos à realidade local.

“Diversas autoridades municipais e estaduais estão falando em antecipar ações, como a retirada da obrigatoriedade do uso de máscara em lugares públicos e abertos, mas do ponto da saúde pública, ainda não é o momento para isso. A circulação do vírus ainda é intensa”, diz o especialista. Gomes defende a adoção de passaportes da vacina para garantir maior segurança durante a flexibilização das atividades.

Fonte: otempo.com.br

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