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Redes sociais impactam a percepção da autoimagem e a própria relação com a vida

Redação22 de agosto de 20237min0
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Especialista explica que compartilhamento exclusivo de momentos bons e imagens perfeitas pode fazer com que a realidade pareça pior

Em maio de 2017, o Instagram anunciava que a ferramenta passaria a contar com filtros para o rosto. À época, a novidade era uma resposta ao sucesso do Snapchat – plataforma que implementou a cultura do uso de filtros e, também, das postagens de fotos exibidas por 24 horas. O que muita gente não imaginava era que os filtros – algumas vezes divertidos e fofinhos, como os que acrescentam orelhas de cachorro ou outras “máscaras” – teriam um impacto tão grande na autoestima e na percepção das pessoas quanto à própria aparência.

Com a capacidade de modificar automaticamente partes do rosto – afinando narizes, mudando o formato dos olhos ou deixando a pele com um aspecto “perfeito” –, esse tipo de tecnologia acabou saindo da realidade virtual e indo até mesmo para mesas de cirurgia. E isso não demorou a acontecer.

Em 2018, já existiam relatos de cirurgiões plásticos sobre o aumento do número de pacientes jovens que buscavam por intervenções estéticas que os deixassem parecidos com as selfies em que usavam filtros. A percepção dos médicos foi, inclusive, tema de um artigo publicado no periódico “Jama Facial Plastic Surgery”.

Conforme o estudo, os filtros e edições de imagem acabaram se tornando a norma e alterando a percepção das pessoas sobre a beleza ao redor do mundo. O impacto do uso dos filtros chegou até mesmo a ganhar um nome: “dismorfia do Snapchat”.

Esse tipo de disfunção se enquadra naquilo que é chamado de “transtorno dismórfico corporal”, quadro em que a pessoa passa a enxergar defeitos no próprio corpo. No caso de dismorfia do Snapchat, porém, os pacientes têm como objetivo mudar a aparência a ponto de reproduzirem as transformações proporcionadas pelos filtros.

Embora a tendência tenha se iniciado pouco tempo após a popularização do uso desse tipo de tecnologia, o impacto do uso de filtros de “beleza” continua a ser visto nos dias atuais. É isso que mostra uma pesquisa encomendada pela Allergan Aesthetics, empresa de tratamentos estéticos médicos. Conforme o relatório, 94% dos brasileiros acreditam, parcial ou totalmente, que o uso exagerado de filtros pode levar à diminuição da autoestima.

A pesquisa, que ouviu 650 pessoas em oito capitais brasileiras, também apontou que 60% das pessoas se espelham em referências estéticas irreais e que 58% acreditam que o nível de cobrança estética tornou-se irreal justamente por causa do uso exagerado de filtros. O estudo foi publicado no final do ano passado.

Comparação nas redes sociais pode ser prejudicial

Para além dos próprios padrões impostos pelas modificações em imagens – seja por meio dos filtros, seja por meio da edição mais tradicional, em softwares específicos, como o Photoshop –, as redes sociais ainda oferecem um campo fértil para que os usuários se comparem uns com os outros. E este é um grande problema, principalmente quando esse comportamento foge do controle.

“É muito comum que, nas redes, pessoas apresentem uma vida que não é a que elas têm. Algumas tiram uma foto para parecerem que estão fazendo algo, mesmo que não estejam fazendo. Ou não estão bem e postam uma foto fingindo o contrário, como uma forma de aparentar. Há um desejo de passar uma imagem de que as coisas estão melhores do que elas realmente estão”, observa a psicóloga Renata Borja.

Especialista em terapia cognitivo-comportamental, ela ressalta que, diante desse cenário, é comum que a vida pareça sempre pior quando comparada ao que é apresentado nessas plataformas. “Nesse sentido, vamos sempre estar piores que alguém nas redes sociais. Alguma pessoa vai ter mais seguidores, outra vai estar mostrando uma coisa diferente da sua”, exemplifica. “As pessoas estão se comparando mais às outras, mas de forma negativa”, afirma.

Ela pontua, mais uma vez, que não é comum que as pessoas compartilhem dificuldades ou problemas online, por isso a comparação torna-se mais difícil. “Em geral, você sempre verá o outro na sua melhor fase e melhor versão. Você verá aquilo que ele quer que você veja”, diz.

Assim, sentimentos de tristeza e ansiedade também podem se tornar mais intensos, ocasionando transtornos e problemas de saúde mental. Nesses casos, a especialista destaca a importância de se procurar ajuda. “Às vezes pode ser necessário fazer um tratamento psicológico porque a pessoa pode não conseguir melhorar sozinha”, diz.

Em casos menos graves, ela dá algumas dicas que podem tornar mais saudável a relação com o ambiente virtual – intensamente presente na rotina contemporânea. “Diminuir o tempo que se passa nas redes, aumentar a conexão com as pessoas, chamando amigos para sair, deixando um pouco o virtual e indo para o real, para a conexão verdadeira”, orienta.

Segundo Renata, as próprias plataformas virtuais podem ser utilizadas para fazer a ponte. “Posso utilizá-las para combinar encontros, para fazer coisas que vão reforçar mais a conexão com outras pessoas”, acrescenta. Ela aconselha ainda que a comparação pode ser levada a um lado mais positivo, fazendo com que atitudes ou transformações consideradas boas não sejam utilizadas de forma autodepreciativa, mas que sirvam de inspiração.

Fonte: O Tempo

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