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Preço do diesel sobe 23,3% em Minas Gerais e pressiona indústria

Redação24 de março de 20267min0
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Valor médio do litro atinge R$ 7,34 no Estado após conflito no Oriente Médio e gera alerta sobre desabastecimento e custos de frete

O preço médio do litro do diesel já está 23,3% mais caro em Minas Gerais em comparação aos valores registrados antes do conflito no Oriente Médio. Enquanto na semana anterior à crise, os consumidores mineiros pagavam, em média, R$ 5,95 pelo litro, na última semana o preço médio registrado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no Estado foi de R$ 7,34. A alta já provoca impactos na cadeia econômica de Minas Gerais.

Com o aumento das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, o preço do barril do petróleo subiu, passando de aproximadamente US$ 60 para mais de US$ 100, impactando os preços nas refinarias, nas distribuidoras e, consequentemente, para o consumidor.

De acordo com o especialista em combustíveis Vitor Sabag, o reajuste anunciado pela Petrobras na semana passada já chegou ao mercado. A tendência, segundo ele, ainda é de elevação nos preços, embora em ritmo menor. “Em se tratando da ANP, para esta semana, acho que virá mais um aumento, em menor proporção, mas ainda assim é mais um aumento”, diz.

Sabag alerta, no entanto, que os dados oficiais podem não refletir com precisão o cenário atual. “A pesquisa da ANP não necessariamente reflete o cenário real, porque é um pouco atrasada. O balanço considera preços até meados da semana passada”, explica.

No mercado, o especialista observa um fator adicional que pode intensificar a alta nos próximos dias: a oferta reduzida de combustível. “Está aumentando o preço, mas está faltando combustível. Há relatos de dificuldade e até cortes de volume nos pedidos, o que pode agravar a pressão sobre os preços”.

Apesar de descartar uma paralisação generalizada de caminhões no curto prazo, ele alerta para um ciclo de alta que pode estar começando e encarecer significativamente o transporte, afetando toda a economia nos próximos meses.

“O cenário mais alarmante é a dúvida sobre o que vai acontecer com a importação do diesel. Estamos começando a sentir falta de produtos no mercado. Parar caminhão eu acho muito, mas podemos dizer que é o início de um ciclo. Se a Petrobras não fizer nada e o conflito continuar do tamanho que está, abril tende a ser muito turbulento”, comenta Sabag.

Impacto direto na indústria

Na indústria mineira, o diesel tem papel estratégico, e seu encarecimento afeta toda a cadeia produtiva. Segundo o especialista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pataca, o principal impacto está no transporte. “Hoje, o diesel é praticamente o combustível do transporte de grandes cargas”, explica.

Com isso, o aumento atinge tanto a chegada de insumos quanto a distribuição de produtos. “A gente já está percebendo o encarecimento no frete do produto que chega. No entanto, a indústria também precisa distribuir o produto final. Então, é um impacto dobrado”, afirma.

Além da logística, algumas indústrias também utilizam o diesel diretamente na produção. “Há setores específicos em que as indústrias operam com maquinário e geradores movidos a diesel. Então, isso encarece o processo produtivo nesses casos também”, diz Pataca.

Outro ponto de atenção é o repasse dos preços ao longo da cadeia. “Normalmente, essas altas de preço não são absorvidas em sua totalidade pelo consumidor final, mas, quando é para aumentar, os valores são repassados diretamente”, detalha. Segundo ele, há casos em que os reajustes superam os índices oficiais: “Às vezes, a Petrobras aumenta 11%, mas, para o consumidor final, chega a 13% ou 14%”, comenta.

Na tentativa de conter a alta, o presidente Lula chegou a anunciar a isenção de impostos federais e uma ajuda financeira a produtores e importadores de diesel. No entanto, o reajuste da Petrobras, de 11,6%, acabou por anular os benefícios. Sem conter os aumentos, consumidores começaram a relatar práticas abusivas, o que motivou órgãos públicos e a sociedade a monitorar os preços.

Diante disso, Pataca defende maior fiscalização: “Faz-se necessária uma fiscalização por parte do poder público, no sentido de que o preço repassado ao consumidor seja aquele que realmente está na cadeia e que não tenha acréscimos além do definido”.

Procurado, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) informou que o Ministério Público de Minas Gerais seria o órgão responsável por responder sobre a fiscalização. Procurado, o órgão ainda não se manifestou.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) informou que não irá comentar a alta dos preços.

Fonte: Diário do Comércio

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