Poupança registra terceiro mês com mais saques do que depósitos


A caderneta de poupança registrou o terceiro mês seguido com mais saques do que depósitos em março, de acordo com relatório do Banco Central divulgado nesta quinta-feira (9). Os dados mostram uma retirada líquida de R$ 11,1 bilhões no mês passado, um aumento de quase 70% nos recursos retirados em relação ao mês de fevereiro.
No mês passado, foram depositados cerca de R$ 369,6 bilhões na caderneta, contra saques da ordem de R$ 380,7 bilhões. Já os rendimentos creditados somaram R$ 6,3 bilhões, enquanto o saldo final da poupança caiu para menos de R$ 1 trilhão pela primeira vez desde maio de 2024.
O fenômeno ocorre em um momento em que a caderneta, uma vez já considerada a porta de entrada para o mundo dos investimentos, perdeu atratividade para os brasileiros. Segundo especialistas, o movimento por alguns motivos: a taxa básica de juros elevada favorece outros investimentos de renda fixa, como o Tesouro Direto, e uma população mais educada financeiramente para reconhecer oportunidades seguras no mercado.
Para Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Banco Inter, os juros elevados tornaram a poupança menos atraente frente a produtos que oferecem rentabilidade superior, risco semelhante e liquidez diária. “Ou seja, o investidor percebeu que não há mais prêmio algum em ficar na poupança”, disse.
Veja investimentos alternativos a poupança
A caderneta é a porta de entrada do mundo dos investimentos, seguindo a máxima de que deixar o dinheiro render é melhor do que deixá-lo parado. “A poupança é tradicionalmente um dos primeiros investimentos que o brasileiro tem à disposição, e quando ele quer sair a gente tem recomendado muito ativos mais seguros”, destacou Winalda.
Certificado de Deposito Bancário
O especialista explica que para começar de forma mais cautelosa a sair da poupança, é recomendável o investimento em Certificados de Depósito Bancário (CDB), que possuem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os certificados são indexados a uma taxa como o CDI, Selic ou inflação.
“O CDB é uma Selic pós-fixado. Vai ter um rendimento bem melhor do que essa poupança e você vai ter liquidez, vai ter segurança, vai contar com o FGC. Deu esse primeiro passo, criou essa reserva de emergência, quer andar um pouco mais? A gente começa a olhar para o crédito privado”, disse.
CRIs e CRAs
Winalda explica ainda o funcionamento de títulos como Certificado de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRI e CRA), que podem ser fixados a Selic ou a inflação mais uma taxa pré-fixada. pensados para o longo prazo e isentos de Imposto de Renda. Outra diferença para além do imposto, é que os títulos não possuem proteção do FGC, aumentando a recompensa pelo risco.
“No longo prazo é interessante investir visando a inflação. Você vai montar sua carteira com boa parcela em inflação, o famoso IPCA+. No Brasil, o imposto de renda em um ativo que não é isento, ele é cobrado em cima da inflação e da parte pré-fixada. Como o Brasil historicamente tem taxas de inflação mais alta, é possível que lá na frente eu pague um imposto muito alto. Com o isento isso não acontece. É interessante para quem quer sair do CDB”, explicou.
Tesouro direto
Considerado o investimento mais seguro do país, garantido pela União, os títulos de tesouro direto contam com três modalidades, sendo a principal o Tesouro Selic, com rendimento e liquidez diário. “Quem garante esse investimento é o governo federal, e ele é o dono do jogo. Ele vai te pagar com toda certeza”.
Outras modalidades são os tesouros pré-fixados, com uma taxa conhecida na hora do investimento, e o IPCA+, similar aos certificados de recebíveis. Cabe lembrar que os títulos do tesouro não são isentos de Imposto de Renda, seguindo uma tabela regressiva de acordo com o tempo em que o dinheiro fica investido.
Fonte: Itatiaia

















