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ALMG pode ter maior índice de deputados tentando reeleição, com 90% na disputa

Redação13 de abril de 202610min0
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Com quase a totalidade da Assembleia em busca da reeleição, Legislativo mineiro também pode ter um dos menores índices de renovação dos último anos

Pelo menos 67 dos 77 deputados estaduais de Minas Gerais – o equivalente a 87% da composição da Assembleia Legislativa – devem tentar se reeleger no pleito deste ano, que acontece em outubro. Os dados são de um levantamento feito por O TEMPO (veja abaixo). Além das cadeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), estarão em disputa nestas eleições os cargos de deputado federal, senador, governador e presidente da República. Os eleitores irão às urnas no dia 4 de outubro.

Outros cinco parlamentares vão redirecionar seu projeto político para a Câmara dos Deputados. Com isso, dos 77 deputados estaduais, 72 vão disputar as eleições deste ano. Entre os cinco restantes, três não responderam à reportagem, um disse que ainda não definiu e apenas o presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), não vai disputar uma vaga no pleito de outubro. Ele foi eleito conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) em março e deve tomar posse assim que encerrar o mandato, no início de 2027.

Nesse cenário, a Assembleia Legislativa de Minas terá quase a totalidade dos parlamentares em campanha pelo estado no segundo semestre, registrando o maior índice de deputados estaduais na disputa pela reeleição em pelo menos doze anos, segundo levantamento da reportagem com base em dados da ALMG das eleições de 2022, 2018 e 2014

Para o sociólogo Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em ciência política pela Universidade de Campinas (Unicamp), esse movimento prejudica o andamento dos trabalhados legislativo e fiscalizador da Casa, mas faz parte da dinâmica eleitoral do país. “A saída dos parlamentares para suas bases ainda é uma regra prevista no Código Eleitoral e não encontramos algo melhor do que esse modelo para compensar, de alguma forma, a paralisação dos debates e atividades legislativas”, avaliou.

A busca em massa pela reeleição pode ter um efeito na próxima legislatura: a baixa renovação, tendência dos últimos anos no Parlamento mineiro. Em 2022, por exemplo, o índice foi de 32,46%, o menor em duas décadas. Apenas 25 novos parlamentares foram eleitos pelos mineiros. Na ocasião, 66 dos 77 deputados estaduais disputaram a permanência na ALMG e 52 foram reconduzidos ao cargo. Caso seja mantido o índice, apenas 15 dos 67 que tentarão a reeleição neste ano não conseguiriam manter a vaga, deixando apenas 25 cadeiras para serem ocupadas por novatos.

Em 2018, dos 63 deputados que buscaram a reeleição, 46 saíram vitoriosos nas urnas e 31 novos parlamentares ascenderam à Assembleia Legislativa. Ou seja, a renovação foi de 40,25%. Índice maior que o do pleito de 2014, que ficou em 33,77%: dos 64 deputados que disputaram a reeleição, 51 conquistaram mais um mandato.

Luiz Renato Ribeiro Ferreira avalia que a baixa renovação contraria a expectativa dos constituintes. “O modelo político brasileiro foi pensado, lá na Constituinte de 1988, para que houvesse pluralidade e alternância de poder. Isso quer dizer que o objetivo era dar voz para muitas representações diferentes, a pluralidade, e reciclar as ideias de tempos em tempos, estimulando a alternância”.

Até suplentes que estavam na Assembleia até o último mês pretendem voltar à Casa na próxima legislatura. É o caso de Lincoln Drummond (PL), que deixou o mandato com o retorno de Alê Portela (PL) ao Legislativo após passagem pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). Ambos são pré-candidatos à ALMG.

Situação semelhante envolve Hely Tarqüínio (PSDB), que deixou a vaga com a volta de Macaé Evaristo (PT), que saiu do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania para também se recandidatar. Tarqüínio pretende tentar a reeleição e migrou do PV ao PSDB de olho na disputa em outubro.

Emendas milionárias podem contribuir para cenário analisado

O menor índice de renovação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em duas décadas, registrado em 2022, ocorreu após a implementação das emendas parlamentares impositivas, em 2018. Nas eleições de 2022, apenas 25 novos deputados estaduais foram eleitos pelos mineiros – renovação de 32,46% – e 52 foram reconduzidos ao cargo.

As emendas são instrumentos por meio dos quais deputados destinam recursos do Orçamento público para obras, serviços e projetos em suas bases eleitorais. Com a adoção do modelo impositivo, o governo do estado passou a ser obrigado a executar essas indicações, o que ampliou o capital político dos parlamentares em suas bases.

Em 2026, por exemplo, cada deputado mineiro terá direito a cerca de R$ 26 milhões em emendas a serem enviadas aos seus redutos – metade desse valor tem que ir para a área da saúde.

O mecanismo entra no radar como possível fator de aumento da busca pela reeleição. “O sistema foi se ajustando para oferecer mais poder para os atuais mandatários eleitos e maior dificuldade para a entrada de novas vozes na política”, criticou o sociólogo Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em ciência política pela Universidade de Campinas (Unicamp).

Ele reforçou, no entanto, que parlamentares que fizerem um bom mandato podem e devem ser reeleitos. “Não somos contra premiar o bom trabalho, mas a questão aqui é que é uma característica da democracia a alternância de vozes, ideias e projetos, pois é isso que dá vida ao sistema e torna as legislaturas mais dinâmicas e modernas”. E completou: “A baixa renovação cria uma ameaça de ‘feudos políticos’, mas uma renovação alta demais também pode gerar alguma instabilidade ao sistema”.

A reeleição também se torna atrativa a ponto de poucos deputados estaduais arriscarem disputar outro cargo. Apenas cinco dos 77 parlamentares mineiros vão tentar atuar na Câmara Federal e nenhum apresentou o nome por uma vaga no Senado ou governo.

Ferreira avalia que o cenário se deve a questões matemáticas. “Os políticos fazem cálculos e esses cálculos levam em conta as vagas disponíveis, o histórico e perfil de cada um, a quantidade de dinheiro disponível para concorrer, além das forças e acordos partidários. O que parece ao eleitor um movimento lógico e até natural, de sair da Assembleia e subir para a Câmara em Brasília, nem sempre faz sentido politicamente”, afirmou.

“Outro item que entra nesse cálculo é o fator risco. Muitos dos atuais deputados estaduais sabem que podem ter uma reeleição sem grandes riscos e, por isso, procuram o cenário mais seguro e conveniente politicamente, seja porque seus nomes já estão bem sedimentados junto à população, seja porque a composição partidária, ou seja, a relação de força com seus possíveis concorrentes, possa lhe trazer alguma desvantagem e, portanto, aumentar o risco de uma derrota”, avaliou o sociólogo.

Vaga no TCE pode tirar um deputado da disputa pela reeleição

Há uma última vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) destinada para deputados, e Ulysses Gomes (PT), Ione Pinheiro (União Brasil) e Sargento Rodrigues (PL) podem entrar na disputa. Enquanto isso, se colocam como pré-candidatos à reeleição. Thiago Cota (PDT) também é citado entre os candidatos a conselheiro, mas não respondeu sobre suas intenções eleitorais.

Mesmo com a saída de um dos deputados, o suplente que assumir a cadeira podem tentar reeleição.

Fonte: O Tempo

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