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Doenças autoimunes atingem mais mulheres e têm relação com hormônios e genética

Redação30 de abril de 20263min0
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Para o reumatologista Luís Eduardo Andrade, médico da área de Imunologia do Grupo Fleury, a explicação está ligada à própria evolução biológica feminina

Cerca de 80% das pessoas diagnosticadas com doenças autoimunes no mundo são mulheres, o que faz com que elas sejam, em média, quatro vezes mais afetadas do que os homens. Condições como lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatoide e doenças da tireoide estão entre as principais causas de morbidade feminina antes dos 65 anos, segundo o Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes.

De acordo com o reumatologista Luís Eduardo Coelho Andrade, assessor médico da área de Imunologia do Grupo Fleury, que detém o Hermes Pardini, a explicação está ligada à própria evolução biológica feminina. “A mulher desenvolveu um sistema imunológico mais forte para enfrentar desafios como a gestação e o parto, mas esse mesmo sistema pode reagir de forma exagerada e atacar o próprio organismo”, explica.

A incidência varia conforme a doença. No lúpus eritematoso sistêmico, na colangite biliar primária e na síndrome de Sjögren, a proporção chega a nove mulheres para cada homem. Já enfermidades como esclerodermia, artrite reumatoide e tiroidite de Hashimoto apresentam razão entre quatro e seis mulheres para cada paciente masculino.

Dois fatores biológicos ajudam a explicar essa diferença. O estrógeno estimula a resposta imunológica e a produção de anticorpos, o que justifica a maior incidência durante a fase reprodutiva da mulher. Além disso, o cromossomo X concentra genes ligados à imunidade, e mulheres possuem dois, o que pode gerar uma ativação imunológica mais intensa.

O diagnóstico precoce ainda é um desafio, já que os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos. Segundo Andrade, após o diagnóstico, o controle da doença depende da adesão ao tratamento e de hábitos de vida equilibrados. “Atividade física, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento médico regular fazem diferença direta no controle das doenças autoimunes”, conclui.

Fonte: O Tempo

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