Com alta de 13%, MG registra quase 7 golpes virtuais por hora em 2026


Golpes virtuais em Minas Gerais têm ficado mais elaborados e têm aumentado. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), até o mês de abril de 2026, foram quase sete casos de estelionato em ambiente virtual a cada hora no estado. O número de casos de golpes virtuais também cresceu. Em um ano, houve um aumento de quase 13%, chegando a 63.900 registros em 2025, conforme dados da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
“Tem um cenário crescente de crimes virtuais, principalmente envolvendo golpes financeiros, que são aqueles que fragilizam bem a população. Muitas vezes não são golpes em si com um valor muito significativo. Não são milhões, mas que acumulados acabam movimentando milhões”, afirma a assessora-chefe da Subsecretaria de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, Nathalia Bertú Moura. De acordo com a Sejusp, já são 20.107 registros desse tipo nos quatro primeiros meses deste ano.
Crime organizado
Ela, que também é coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Crimes Financeiros Virtuais, afirma que golpes financeiros virtuais muitas vezes estão associados ao crime organizado. “Existem os golpes isolados, mas cada vez mais as organizações criminosas têm se utilizado disso como ferramenta, porque existe um fator que é o de isolamento. É muito mais, entre aspas, seguro para o criminoso praticar o crime atrás de uma tela do que praticar o crime na rua”, explica Nathalia Bertú Moura.
A assessora-chefe afirma que, conforme relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, crimes financeiros virtuais geraram uma receita de 186 bilhões de reais para o crime organizado no Brasil entre 2024 e 2025.
“O crime organizado hoje opera como uma verdadeira estrutura empresarial, diversificada e altamente adaptável, atuando desde o tráfico e fraudes até a infiltração em mercados formais. Cada vez mais, essas organizações ampliam sua atuação no ambiente digital, utilizando vazamentos de dados, engenharia social e credenciais roubadas para escalar golpes com baixo risco e alto retorno financeiro”, corrobora o subsecretário de Integração da Segurança Pública da Sejusp MG, Christian Vianna de Azevedo.
Golpes
Entre os golpes mais comuns, Nathalia Bertú Moura destaca os que envolvem o Pix, com pagamentos de boletos falsos ou pedidos de empréstimos de dinheiro. Ela também ressalta os casos que envolvem “links maliciosos”.
A assessora-chefe da Subsecretaria de Integração da Segurança Pública também destaca o caso do falso advogado. “O criminoso identifica que o cidadão tem processo judicial em andamento, entra em contato como se fosse um advogado e a partir dali coleta dados pessoais e passa a aplicar golpe financeiro. Ele coleta informações sobre a vida da pessoa para quando ele vai aplicar o golpe, esse golpe é bem direcionado e mais crível e a pessoa cai mais fácil”, explica.
Nathalia Bertú Moura também afirma que a I.A tem sido um recurso nesse tipo de crime. “Tem um crescimento de golpes utilizando inteligência artificial, seja do criminoso se passando por um familiar, seja se passando por alguma figura pública ou por uma outra pessoa que às vezes nem existe, mas que vai criar algum vínculo”, explica a coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Crimes Financeiros Virtuais.
Cuidados
Diante dessa crescente de casos, a Sejusp e o Instituto Nacional de Combate ao Cybercrime (INCC) lançaram um guia prático de segurança digital com orientações voltadas à prevenção de crimes cibernéticos e à proteção de dados pessoais. O material reúne informações acessíveis sobre as principais ameaças do ambiente virtual e medidas básicas de proteção, e está disponível para acesso público através do link crimes-virtuais.seguranca.mg.gov.br/index.html.
De acordo com a pasta, o site também conta com métodos de atuação diante de tentativas ou ocorrências de golpes, com orientações sobre preservação de provas e comunicação às autoridades competentes, como a Polícia Militar e a Polícia Civil. O material inclui ainda recomendações voltadas à segurança em transações financeiras digitais, considerando o aumento do uso de serviços online e os riscos associados.
Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco afirma que a segurança digital é um desafio crescente e exige atenção permanente de toda a sociedade. “Com este guia, buscamos oferecer informações claras e acessíveis para que o cidadão possa se proteger e agir de forma consciente diante das ameaças no ambiente virtual”, diz.
Fonte: Itatiaia

















