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Dia Nacional do Teste do Pezinho: Minas Gerais realizou mais de 1,4 milhão de triagens em recém-nascidos entre 2019 e 2025

Redação8 de junho de 20267min0
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Estado já realiza diagnóstico de até 64 doenças; especialista reforça importância do exame nos primeiros dias de vida e destaca as principais doenças

No último sábado, 6 de junho, foi celebrado o Dia Nacional do Teste do Pezinho, uma data que reforça a importância da Triagem Neonatal, um dos exames mais importantes para a saúde do recém-nascido. Realizado preferencialmente entre o 3º e o 5º dia de vida, por meio da coleta de algumas gotas de sangue do calcanhar do bebê, o teste permite a identificação precoce de diversas doenças, possibilitando o início rápido do tratamento e do acompanhamento adequado, contribuindo para a prevenção de complicações e para o desenvolvimento saudável da criança.

De acordo com a Secretária de Estado de Saúde de Minas Gerais, o estado tem apresentado resultados expressivos ao longo dos anos. Entre 2019 e 2025, mais de 1,4 milhão de recém-nascidos foram triados, resultando em 2.522 diagnósticos confirmados.Desde a implantação do programa, em 1993, já foram realizados mais de 7 milhões de exames no estado, com a identificação de 8.493 casos.

A coordenadora da pós-graduação em Pediatria da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dra. Carolina Affonseca, comenta que fazendo o teste logo nos primeiros dias de vida, os médicos conseguem iniciar o tratamento precoce, evitando complicações e garantindo uma vida mais saudável para o bebê.“Ele é considerado essencial porque pode identificar doenças graves logo nos primeiros dias de vida, antes mesmo que os sintomas apareçam. Essas doenças, muitas vezes, quando não tratadas oportuna e adequadamente, afetam o desenvolvimento físico e mental da criança e podem causar sequelas graves, irreversíveis ou até levar à morte”.

A ampliação do Teste do Pezinho no Brasil vem avançando gradualmente desde a sanção da Lei nº 14.154/2021, que expandiu o número de doenças rastreadas pelo exame na rede pública de saúde. Em 2025, Minas Gerais consolidou sua posição como referência nacional nesse processo ao concluir a terceira fase da expansão da Triagem Neonatal, passando a diagnosticar até 64 doenças raras. O resultado representa um avanço significativo em relação às seis doenças inicialmente contempladas, ampliando as oportunidades de diagnóstico precoce e de tratamento para milhares de crianças.

A médica ressalta a importância também do exame ampliado, ao invés do básico nos primeiros dias de vida do recém-nascido.“Sempre que possível, o teste do pezinho ampliado deve ser preferível ao teste básico, especialmente quando há histórico familiar de doenças genéticas ou metabólicas. Se for encontrado algum resultado fora do normal, a equipe de saúde entrará em contato com a família para explicar o resultado e marcar novos exames, mais específicos, para confirmar ou descartar a doença. É importante lembrar que, por ser um teste de triagem, o teste do pezinho é um teste bastante sensível, feito para não deixar de detectar praticamente nenhum indivíduo doente. Por isso, é frequente a ocorrência de testes falsos positivos”, esclarece a especialista.

Principais doenças detectadas pelo teste 

O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento rapidamente e reduzir o risco de complicações. Dra. Carolina destaca que o teste do pezinho é capaz de identificar diversas doenças genéticas, metabólicas, hormonais e infecciosas ainda nos primeiros dias de vida, muitas vezes antes do aparecimento de qualquer sintoma. Entre as principais, ela destaca:

Hipotireoidismo congênito: alteração da tireoide que pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento cerebral.

Fenilcetonúria: dificuldade do organismo em metabolizar uma substância presente nos alimentos, podendo causar deficiência intelectual quando não tratada.

Fibrose cística: doença que afeta principalmente os pulmões e o sistema digestivo, favorecendo infecções respiratórias e dificuldades no ganho de peso.

Doença falciforme: alteração dos glóbulos vermelhos que pode provocar anemia, crises de dor e infecções graves.

Deficiência de biotinidase: falta de uma enzima importante para o organismo, podendo causar convulsões, queda de cabelo e atraso no desenvolvimento.

Hiperplasia adrenal congênita: distúrbio hormonal que pode interferir no crescimento e no desenvolvimento sexual.

Toxoplasmose congênita: infecção capaz de causar alterações na visão, na audição e no sistema nervoso central.

“Com a ampliação gradual da triagem neonatal pelo SUS, outras doenças vêm sendo incorporadas ao exame, entre elas a galactosemia, os distúrbios do ciclo da ureia, as doenças lisossômicas, as imunodeficiências primárias e a atrofia muscular espinhal. A principal importância do teste do pezinho é que a maioria dessas doenças não apresenta sinais ou sintomas nos primeiros dias de vida. Por isso, o exame é fundamental para permitir o diagnóstico precoce e o início do tratamento no momento adequado, reduzindo o risco de complicações graves e melhorando a qualidade de vida das crianças”, conclui a pediatra.

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