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Saúde bucal negligenciada pode aumentar risco de internações entre idosos brasileiros

Redação12 de junho de 20266min0
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Com mais de 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos no país, especialista alerta para a relação entre infecções bucais e agravamento de doenças crônicas

O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento populacional. Atualmente, mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, o que amplia os desafios relacionados à prevenção de doenças e à promoção da qualidade de vida na terceira idade. Entre os fatores que ainda recebem pouca atenção está a saúde bucal, que pode influenciar diretamente o surgimento e o agravamento de problemas de saúde capazes de levar à hospitalização.

Segundo especialistas, infecções bucais, doenças periodontais e a perda dentária não afetam apenas a mastigação ou a estética. Esses problemas podem desencadear processos inflamatórios que impactam diversos órgãos e sistemas do corpo, especialmente em idosos que já convivem com doenças crônicas.

Para o cirurgião-dentista Dr. Davi Cunha, a saúde bucal precisa ser vista como parte integrante do cuidado com a saúde geral.

“Muitas pessoas ainda associam a odontologia apenas aos dentes, mas a boca está conectada ao organismo inteiro. Infecções periodontais podem liberar bactérias e substâncias inflamatórias na corrente sanguínea, contribuindo para o agravamento de doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares”, explica.

O especialista destaca que um dos riscos mais preocupantes envolve a pneumonia por aspiração, condição comum entre idosos com dificuldades para mastigar ou engolir alimentos.

“Pacientes acamados, com doenças neurológicas ou limitações motoras podem aspirar saliva contaminada por bactérias presentes na cavidade oral. Quando esses microrganismos chegam aos pulmões, podem desencadear infecções graves que frequentemente exigem internação hospitalar”, afirma.

Além das infecções, a perda dentária também pode comprometer a alimentação. A dificuldade para mastigar faz com que muitos idosos deixem de consumir alimentos importantes, como frutas, vegetais e proteínas, aumentando o risco de deficiências nutricionais e fragilidade física.

“A mastigação é uma etapa fundamental do processo digestivo. Quando ela é comprometida, todo o organismo sofre as consequências. Muitos idosos passam a ter uma alimentação mais restrita, o que pode impactar diretamente a imunidade e a recuperação de outras doenças”, ressalta Dr. Davi Cunha.

Sinais de alerta

Entre os sintomas que merecem atenção estão:

  • Sangramento frequente na gengiva;
  • Mau hálito persistente;
  • Dor ao mastigar;
  • Mobilidade dentária;
  • Feridas que não cicatrizam;
  • Dificuldade para se alimentar;
  • Inflamações recorrentes na boca.

Segundo o especialista, a identificação precoce desses sinais pode evitar complicações futuras e tratamentos mais complexos.

Prevenção é o melhor caminho

Consultas odontológicas periódicas, higiene bucal adequada e acompanhamento profissional regular continuam sendo as principais medidas para prevenir problemas que podem impactar a saúde sistêmica.

“Controlar o biofilme bucal, tratar inflamações precocemente e manter uma rotina de acompanhamento odontológico são atitudes simples, mas que podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida dos idosos. Cuidar da saúde bucal é também cuidar do coração, do controle do diabetes, da alimentação e do bem-estar geral”, conclui.

Com o avanço do envelhecimento populacional no Brasil, especialistas defendem uma integração cada vez maior entre odontologia e atenção à saúde do idoso, reforçando que a prevenção pode contribuir para reduzir complicações, hospitalizações e custos para o sistema de saúde.

Sobre o Dr. Davi Cunha

Dr. Davi Cunha é cirurgião-dentista com mais de 20 anos de experiência, referência no Nordeste em implante zigomático. Graduado em Odontologia e mestre em Farmacologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é pioneiro no Ceará na técnica que permite a reabilitação com dentes fixos em até três dias, sem necessidade de enxerto ósseo. Ao longo da carreira, já realizou mais de 2.500 procedimentos e se destaca pela atuação em casos complexos de perda óssea severa, reabilitação oral e saúde bucal.

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