Leucemia é o câncer mais frequente entre crianças e adolescentes; saiba os sinais de alerta


O cansaço excessivo, a palidez e as infecções frequentes costumam ser associados a problemas comuns do dia a dia. No entanto, em alguns casos, esses sintomas podem indicar leucemia, um tipo de câncer que afeta as células sanguíneas e que é o mais frequente entre crianças e adolescentes.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 12.220 novos casos de leucemia por ano no triênio 2026-2028. A doença ocorre quando células anormais se desenvolvem na medula óssea e passam a comprometer a produção normal dos componentes do sangue.
Durante o Junho Laranja, campanha voltada à conscientização sobre doenças hematológicas, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sinais de alerta e buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes.
“O Junho Laranja é uma campanha importante porque leva informação à população sobre doenças que muitas vezes passam despercebidas. Muitas pessoas convivem por semanas ou até meses com sintomas sem procurar avaliação médica, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. Além disso, a campanha reforça a importância da doação de sangue e do cadastro de doadores de medula óssea, que são fundamentais para salvar vidas”, afirma o hematologista Anderson Silva, especialista em transplante de medula óssea e responsável técnico pelo programa de transplante do Instituto Orizonti.
Sintomas podem ser confundidos
Segundo o especialista, os sintomas mais comuns da leucemia incluem cansaço intenso, palidez, febre persistente, infecções frequentes, sangramentos, aparecimento de manchas roxas pelo corpo, perda de peso sem causa aparente, suor noturno excessivo e aumento dos gânglios linfáticos.
Ele alerta que a identificação da doença nem sempre é simples porque muitos desses sinais podem ser confundidos com outras condições mais comuns.
“Os sintomas da leucemia são bastante inespecíficos. Muitas vezes eles se parecem com os de infecções virais, situações de estresse ou mesmo de uma anemia por deficiência de ferro. Algumas leucemias também evoluem de forma lenta e podem permanecer assintomáticas por longos períodos. Por isso, é importante ficar atento quando os sintomas persistem, pioram ou surgem em conjunto”, explica.
Anemia x Leucemia
A leucemia pode causar anemia porque as células doentes ocupam a medula óssea e reduzem a produção normal dos glóbulos vermelhos. Nesses casos, além do cansaço e da palidez, podem surgir outros sinais de alerta, como perda de peso inexplicada, febre persistente, infecções recorrentes, sangramentos e alterações importantes no hemograma, relata Silva.
“O que pode sugerir que não se trata apenas de uma deficiência nutricional é a presença de sintomas como febre persistente, suor noturno excessivo, perda de peso sem explicação, aumento dos gânglios, infecções frequentes ou manchas roxas pelo corpo. Nessas situações, a investigação médica é fundamental. É importante destacar também que a anemia não causa leucemia. O que acontece é que a leucemia pode provocar anemia ao comprometer a produção normal das células do sangue”, esclarece.
Diagnóstico
O principal exame para levantar a suspeita da doença é o hemograma. Quando são identificadas alterações nas células sanguíneas, exames complementares podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e definir o tipo de leucemia.
“O diagnóstico precoce é essencial porque algumas formas da doença podem evoluir rapidamente e exigir tratamento imediato. O hemograma costuma ser a primeira ferramenta para identificar alterações suspeitas. Quando conseguimos diagnosticar a leucemia mais cedo, aumentamos as chances de controle da doença e de melhores resultados terapêuticos”, destaca Anderson Silva.
Tratamento
Nos últimos anos, os avanços científicos têm ampliado as possibilidades de tratamento. Entre as novidades estão terapias-alvo, anticorpos monoclonais, técnicas mais modernas de transplante de medula óssea e a terapia celular CAR-T, considerada uma das estratégias mais inovadoras no combate aos cânceres hematológicos.
Segundo o hematologista, a terapia CAR-T representa uma das maiores revoluções recentes na área. O tratamento utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerosas. Os resultados têm sido promissores em pacientes com leucemias e outros cânceres hematológicos que não responderam aos tratamentos convencionais.
Avanço chega ao SUS
Os pacientes adultos com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada e que não podem ser submetidos à quimioterapia intensiva passarão a contar com uma nova alternativa terapêutica na rede pública de saúde. Em portaria publicada pelo Ministério da Saúde na última segunda-feira (15), foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) a combinação dos medicamentos venetoclax e azacitidina, indicada para pessoas que apresentam condições clínicas que impedem o tratamento convencional.
A nova opção deverá estar disponível na rede pública em até 180 dias, conforme prevê a legislação federal para incorporação de tecnologias ao SUS. A medida segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e está alinhada ao protocolo clínico adotado pelo Ministério da Saúde para o tratamento da doença.
Doe vida
Além da conscientização sobre os sintomas, o Junho Laranja também chama a atenção para a importância da doação de sangue e do cadastro de voluntários para doação de medula óssea. Pacientes com leucemia frequentemente dependem de transfusões durante o tratamento e, em muitos casos, necessitam de transplante para alcançar a cura.
“Cada bolsa de sangue doada pode fazer diferença no tratamento de um paciente. Da mesma forma, cada pessoa que se cadastra como doadora de medula óssea aumenta as chances de que alguém encontre um doador compatível. Para muitos pacientes com leucemia, essa compatibilidade representa uma oportunidade real de cura”, conclui o hematologista.
Fonte: O Tempo

















