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Calor extremo, seca e tempestades: Minas pode enfrentar meses de clima severo

Redação13 de julho de 20267min0
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Especialistas alertam para aumento das temperaturas, maior risco de incêndios florestais e temporais concentrados entre o fim de 2026 e o início de 2027

Minas Gerais poderá enfrentar um período de extremos climáticos caso as previsões sobre a formação de um super El Niño se confirmem nos próximos meses. Estudos e projeções climáticas indicam que o fenômeno poderá provocar uma combinação de seca prolongada durante o inverno e a primavera, seguida por chuvas intensas e concentradas no verão, aumentando o risco de enchentes, deslizamentos de terra e outros desastres naturais.

Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), existe atualmente 63% de probabilidade de que o El Niño alcance intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Em junho, o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico já atingia até 0,9°C acima da média histórica.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Em condições normais, esse fenômeno costuma reduzir as chuvas e elevar as temperaturas em boa parte de Minas Gerais. Quando ocorre em intensidade muito forte, os efeitos podem ser ainda mais severos.

Modelagens climáticas baseadas nos cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), utilizadas em estudos conduzidos pelo professor Antoniel Fernandes, da PUC Minas, apontam que o estado poderá registrar uma ampliação significativa dos eventos climáticos extremos.

A expectativa é de que o restante do inverno e toda a primavera sejam marcados por estiagens mais prolongadas, temperaturas elevadas e aumento do risco de incêndios florestais. O solo mais seco perde capacidade de absorver água, favorecendo enchentes quando as chuvas retornam.

No verão, embora o volume total de precipitação possa aumentar, a tendência é que a chuva ocorra em poucos episódios, porém muito intensos. Esse cenário favorece alagamentos, erosão do solo, prejuízos à agricultura e maior risco de deslizamentos em áreas vulneráveis.

Temperaturas podem subir significativamente

As projeções indicam que diversas regiões mineiras poderão registrar temperaturas bem acima da média histórica.

Em Belo Horizonte, por exemplo, a média das temperaturas máximas durante a primavera poderá subir de aproximadamente 29,5°C para cerca de 31,9°C. Já em Montes Claros, no Norte de Minas, as máximas poderão alcançar cerca de 36,4°C.

O estado já vem registrando episódios de calor extremo nos últimos anos. Em novembro de 2023, Araçuaí registrou 44,8°C, a maior temperatura oficialmente medida no Brasil pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Mais recentemente, em março de 2025, municípios como São Romão, Araçuaí, Pirapora e Nova Porteirinha figuraram entre os locais mais quentes do país.

Norte e Vales devem sentir impactos mais severos

De acordo com os especialistas, as regiões Norte de Minas e os vales do Jequitinhonha e do Mucuri tendem a sofrer os impactos mais intensos do fenômeno.

Além da redução das chuvas, essas áreas poderão enfrentar atraso no início do período chuvoso, ocorrência de veranicos — períodos de estiagem dentro da estação das chuvas — e ondas de calor mais frequentes e prolongadas.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a combinação entre baixa umidade do ar, vegetação seca e altas temperaturas também favorece a ocorrência de incêndios florestais, além de aumentar os impactos sobre a saúde da população.

Recursos hídricos e agricultura entram em alerta

O atraso das chuvas preocupa especialistas também em relação ao abastecimento de água. A menor reposição dos reservatórios durante a primavera pode aumentar a pressão sobre sistemas importantes de abastecimento, especialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Na agricultura, a estiagem prolongada pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e reduzir a produtividade, enquanto as chuvas concentradas do verão aumentam o risco de erosão, perdas de solo e prejuízos às áreas cultivadas.

Inmet prevê semestre mais quente

No boletim climático divulgado no fim de junho, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas acima da média em grande parte do Brasil durante o segundo semestre de 2026.

O documento também indica possibilidade de chuvas abaixo da média em parte das regiões centrais do país e maior probabilidade de ocorrência de ondas de calor e incêndios florestais. A previsão foi elaborada em conjunto com instituições como o Inpe, Agência Nacional de Águas (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Ainda não há consenso entre especialistas

Apesar das projeções, nem todos os pesquisadores concordam que um super El Niño esteja garantido.

O meteorologista Luiz Carlos Molion, pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), avalia que o atual aquecimento das águas do Pacífico ainda pode representar uma fase de transição e defende cautela antes de confirmar a ocorrência do fenômeno em sua máxima intensidade.

Dessa forma, os próximos meses serão fundamentais para confirmar a evolução das condições oceânicas e definir a intensidade dos impactos climáticos que poderão atingir Minas Gerais entre o fim deste ano e o início de 2027.

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