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Enxaqueca ou AVC? Conheça os sintomas e as diferenças

Redação27 de julho de 20266min0
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Estilo de vida moderno - muito tempo à frente de telas e poucas horas de sono - como gatilho para crises

Na idade de 25 anos, ninguém acredita que irá sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença muito associada a pessoas mais velhas e com hipertensão arterial. Nem mesmo os médicos de Tayla Sanches, a princípio, diagnosticada com enxaqueca após sentir intensas dores de cabeça. Em dois anos, sem alteração no quadro, ela foi internada com seguidas convulsões. Ela teve um AVC isquêmico, desencadeado por uma trombose venosa cerebral.

O episódio aconteceu em 2016. De lá para cá, a idade avançada deixou de ser um marcador para o AVC. Jovens, principalmente mulheres que fazem uso de anticoncepcionais hormonais à base de estrogênio, estão cada vez mais sujeitos a ter um infarto cerebral. Marcelo José da Silva de Magalhães, neurologista e professor da Afya Montes Claros, alerta que essa confusão entre enxaqueca e AVC acontece devido à aparição de aura.

“Alguns pacientes apresentam alterações visuais, dificuldade para falar ou dormência em um lado do corpo, sintomas que também podem ocorrer durante um acidente vascular cerebral. A principal diferença é que, na enxaqueca, esses sintomas costumam surgir de forma gradual antes da dor de cabeça começar e tendem a desaparecer à medida que a dor de cabeça se intensifica. No AVC hemorrágico, os sintomas geralmente aparecem de maneira súbita e tendem a persistir”, diferencia.

Magalhães enfatiza que, no caso de o paciente apresentar sintomas como dificuldade para falar, dormências ou fraqueza em uma metade do corpo, há necessidade de procurar atendimento médico em caráter de urgência para melhor investigação. Ele destaca que, na medicina, ainda não está claro qual seria o mecanismo exato da enxaqueca, que é um tipo de cefaleia – termo médico utilizado para a dor de cabeça. A enxaqueca também é conhecida como migrânea.

“Existem várias teorias que tentam explicar por que um paciente desenvolve os sintomas da enxaqueca. Entre as teorias mais aceitas estão aquelas em que as vias neurológicas responsáveis pela transmissão da dor apresentam alguma alteração pela modificação na liberação dos neurotransmissores (substâncias químicas que permitem a comunicação entre os neurônios). Outras teorias explicam que substâncias inflamatórias liberadas próximas aos vasos cerebrais levariam ao processo de dor”, explica o neurologista.

Nas últimas décadas, assinala Magalhães, o ser humano vem modificando para pior o seu estilo de vida, o que de certa forma, serviu de gatilho para aumentar o número de casos de enxaqueca ao redor do mundo. “Eentre as modificações mais notáveis estão o maior tempo de uso de dispositivos com tela, a redução do sono, o sedentarismo, a alimentação inadequada, a obesidade e o aumento dos casos de doenças mentais, como depressão e ansiedade”, afirma.

Segundo a Organização Mundial da Saúde e o estudo Global Burden of Disease, a enxaqueca é atualmente uma das principais causas de incapacidade em pessoas com menos de 50 anos, destacando seu grande impacto na saúde pública e na qualidade de vida da população. Só no Brasil, afeta mais de 31 milhões de pessoas em idade produtiva. Um estudo do instituto de pesquisa alemão WifOR mostrou que a carga socioeconômica da doença chega a consumir 1,6% do PIB do país.

A enxaqueca é um dos tipos mais comuns de cefaleia e é caracterizada por dores de cabeça de forte intensidade, com característica pulsátil (latejante) que compromete usualmente apenas metade do crânio. É uma dor que pode vir acompanhada de náuseas ou enjoo, intolerância à luz e ao barulho. Apesar de ainda não haver explicação para a causa exata, vários fatores desencadeantes já foram confirmados, segundo Magalhães. Entre eles, mudanças nas horas de sono e hormonais.

As mulheres são as que mais sofrem com a enxaqueca. “A melhor explicação para esse fenômeno é a flutuação dos hormônios durante o ciclo menstrual. Especialmente, no final do ciclo, quando a mulher está prestes a menstruar, é o momento em que as crises ocorrem com maior intensidade. Nesse período de alguns dias, o óvulo não fecundado deixa de produzir hormônios, reduzindo os seus níveis no sangue. Essa queda nos hormônios femininos pode levar a episódios de enxaqueca de forte intensidade”, registra o neurologista.

Magalhães salienta que, em alguns pacientes, a enxaqueca pode se agravar, especialmente quando há abuso de analgésicos. “Nesses casos, observa-se com o passar do tempo dores mais frequentes, mais intensas e que deixam de responder aos analgésicos anteriormente utilizados. Não há uma regra que possa ser aplicada para todos os pacientes quanto ao momento ideal para procurar atendimento médico. Entretanto, se a enxaqueca gera impacto negativo no trabalho, lazer ou descanso, é momento de procurar ajuda médica”.

Fonte: O Tempo

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