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Tempo seco exige cuidados redobrados para proteger a pele; veja dicas

Redação8 de agosto de 20269min0
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Baixa umidade favorece o ressecamento, agrava doenças dermatológicas e exige mudanças na rotina de cuidados, alerta especialista

Virgínia Pedrosa – Mesmo sem temperaturas baixas, o inverno em Minas Gerais é marcado por outro fator que exige atenção: a baixa umidade do ar. Além de favorecer problemas respiratórios, o clima seco também compromete a saúde da pele, provocando ressecamento, irritações e agravando doenças dermatológicas.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o inverno corresponde ao auge da estação seca. A partir de julho, torna-se comum que os índices de umidade relativa do ar fiquem abaixo dos 30%, nível considerado crítico por especialistas da saúde.

Para entender como esse cenário afeta a pele e quais cuidados são indispensáveis, o Jornal O TEMPO conversou com a dermatologista Mariana Menezes, médica do Hospital Felício Rocho. Segundo a especialista, a baixa umidade faz com que a pele perca água mais rapidamente, comprometendo sua barreira natural de proteção.

“O tempo seco favorece a perda de líquido pela pele, causando xerodermia, que é o ressecamento. Isso pode desencadear coceira, irritação, piorar quadros de dermatite já existentes e enfraquecer a barreira cutânea”, explica.

Os primeiros sinais  de que a pele está sofrendo com o clima seco, são: pele áspera, descamação, vermelhidão, coceira e irritações. A médica alerta que idosos, crianças e pessoas com doenças como dermatite atópica, psoríase, eczema e rosácea são os grupos mais vulneráveis, já que possuem uma barreira cutânea naturalmente mais sensível.

Hidratação diária é essencial

Entre as principais recomendações para enfrentar o período seco está manter uma rotina diária de hidratação. Segundo Mariana Menezes, o ideal é aplicar o hidratante logo após o banho, quando a pele ainda está mais receptiva aos produtos.

“A hidratação deve ser diária, e não eventual. Após o banho, a pele absorve melhor os emolientes, o que potencializa o efeito do hidratante”, orienta.

A escolha do produto também faz diferença. Peles oleosas costumam se adaptar melhor a géis, séruns e loções leves. Já pessoas com pele seca geralmente necessitam de cremes mais espessos ou pomadas. Ainda assim, a médica ressalta que essa necessidade pode mudar durante o inverno, quando até peles oleosas podem precisar de produtos mais densos.

Banho quente e demorado pode piorar o problema

Apesar de ser um hábito comum nos dias frios, os banhos muito quentes estão entre os principais vilões da saúde da pele.

“A água quente remove a oleosidade natural da pele e compromete sua barreira de proteção. O ideal é tomar banhos mornos, confortáveis, mas sem temperaturas elevadas”, afirma Mariana.

Outro erro frequente é deixar de hidratar a pele logo após o banho, seja pela pressa ou pela sensação de desconforto causada pelos hidratantes em dias frios.

Além disso, a especialista recomenda utilizar sabonetes suaves, evitar produtos muito agressivos ou esfoliantes durante esse período e, sempre que possível, optar por óleos de banho e produtos de limpeza do tipo syndet (detergentes sintéticos que não utilizam de sabão ou produtos fortes em sua composição, como shampoos e sabonetes próprios para bebês), que limpam sem remover excessivamente a oleosidade natural.

Água e umidificador ajudam, mas não fazem milagres

A ingestão adequada de água continua sendo indispensável – segundo o Ministério da Saúde, o volume ideal varia conforme o peso, a idade, a prática de atividade física e o clima, mas, em médica, o recomendável é o consumo de 35 ml de água por quilo de peso corporal ao dia durante o inverno. No entanto, Mariana destaca que a hidratação interna não substitui os cuidados externos.

“Beber água ajuda na hidratação de todos os tecidos do organismo, inclusive da pele. Mas a hidratação da pele deve acontecer tanto por via oral quanto por meio da aplicação de hidratantes.”O uso de umidificadores também pode contribuir, principalmente em ambientes onde a pessoa permanece por várias horas. “Ele não resolve o problema sozinho, mas é uma medida de apoio importante para reduzir a perda de água pela pele e preservar a barreira cutânea.”

Protetor solar continua obrigatório

Mesmo nos dias frios e nublados, o uso do protetor solar deve fazer parte da rotina porque ele protege dos raios ultravioleta, que aceleram o envelhecimento e podem causar câncer de pele. “O protetor solar deve ser usado todos os dias do ano, independentemente da estação, da temperatura ou do índice de radiação ultravioleta”, reforça a dermatologista.

Áreas mais afetadas

Cotovelos, joelhos, mãos, pés, pernas, lábios e rosto costumam sofrer mais com o ressecamento durante o inverno. Isso acontece porque algumas dessas regiões possuem menor quantidade de glândulas sebáceas ou ficam mais expostas ao vento, à poluição e ao atrito.

Caso o ressecamento evolua para coceira intensa, vermelhidão, descamação importante ou irritações persistentes, a recomendação é procurar um dermatologista.

“Pessoas que já convivem com doenças como dermatite atópica, psoríase e eczema devem redobrar os cuidados nesta época, pois essas condições costumam piorar durante os períodos de maior secura.”

Mitos que precisam ser deixados de lado

Entre os equívocos mais comuns, Mariana Menezes destaca a crença de que banhos quentes não prejudicam a pele e a ideia de que qualquer hidratante serve para qualquer pessoa.

Segundo ela, cada tipo de pele exige produtos específicos, e utilizar fórmulas inadequadas pode não apenas deixar de resolver o problema como também favorecer irritações ou até crises de acne.

“A escolha do hidratante deve levar em consideração as características de cada tipo de pele. Pessoas com pele oleosa costumam se adaptar melhor a produtos em gel, séruns e loções, por terem textura mais leve. Já quem tem pele seca, geralmente, se beneficia de cremes mais densos e pomadas, que oferecem maior poder de hidratação”. A médica ressalta, no entanto, que não necessariamente a oleosidade do rosto vai ser equivalente à oleosidade das demais áreas do corpo. “Então, o fato de ter um rosto oleoso não impede que aquela pessoa tenha uma demanda de um creme um pouco mais denso no corpo”, explica.

Para atravessar o inverno com a pele saudável, a dermatologista resume a receita: manter boa ingestão de água, hidratar a pele diariamente, evitar banhos muito quentes e prolongados, utilizar produtos adequados para cada tipo de pele e não abrir mão do protetor solar, independentemente da estação do ano.

Fonte: O Tempo

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