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Armazenar medicamentos no banheiro é uma boa ideia? Veja o que diz farmacêutica

Redação11 de agosto de 20266min0
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Apesar da praticidade, pode não ser o local mais adequado para guardar remédios, já que a umidade dos banhos pode comprometer a estabilidade dos fármacos

Guardar medicamentos no armário do banheiro é um hábito comum em muitos lares brasileiros, mas o local pode não ser o mais adequado para conservar os produtos. A umidade gerada pelos banhos e as constantes variações de temperatura podem comprometer a estabilidade de alguns medicamentos e, consequentemente, afetar sua eficácia.

Segundo Aline Benedita dos Santos Fonseca, coordenadora do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, o armazenamento correto é fundamental para garantir a qualidade, a segurança e a eficácia dos medicamentos durante todo o prazo de validade. “O modo de armazenamento impacta diretamente na estabilidade do medicamento, o qual está diretamente relacionado a manter as suas características físicas (forma, dureza), físico-químicas (pH, densidade, coeficiente de lipossolubilidade), microbiológicas (ação de conservantes), a fim de manter a biodisponibilidade dos medicamentos”, explica.

Umidade e temperatura podem acelerar degradação

De acordo com a professora, fatores como umidade e temperatura interferem diretamente na estabilidade dos medicamentos. “Estudos científicos demonstram que fatores extrínsecos como umidade e temperatura, afetam de modo direto a estabilidade dos medicamentos, isso porque um aumento de temperatura aumenta a energia cinética das reações químicas e promove uma aceleração da degradação dos medicamentos”, afirma.

A umidade também pode provocar alterações nos comprimidos. Segundo Aline, ela pode afetar a dureza dos produtos, tornando-os mais friáveis e reduzindo sua resistência. Esse processo pode provocar perda de massa e, consequentemente, do princípio ativo, o que pode contribuir para a perda da eficácia do tratamento.

Por que o banheiro não é indicado?

Durante o banho, a temperatura do ambiente pode aumentar e a umidade se eleva. Segundo a especialista, esse cenário pode acelerar as reações químicas responsáveis pela degradação do fármaco e reduzir a potência do medicamento.

A umidade elevada também favorece processos de hidrólise, alterações físicas dos comprimidos e pode comprometer a estabilidade microbiológica de algumas formulações. Por isso, a recomendação é observar sempre as condições de armazenamento indicadas na embalagem ou na bula do medicamento.

Onde guardar os medicamentos?

A farmacêutica explica que as indústrias realizam ensaios de estabilidade dos medicamentos no Brasil em consonância com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seguindo legislações como a RDC 318/2019. Entre os procedimentos estão testes de temperatura e umidade em câmaras controladas.

Posteriormente, a RDC 430/2020 define as condições de armazenamento dos medicamentos, bem como a melhor faixa de temperatura e umidade, segundo a especialista. Conforme as recomendações citadas, os medicamentos devem ser mantidos em locais arejados, secos e protegidos da luz, do calor e da umidade. Quando não há especificação de umidade relativa (UR), deve-se evitar condensação e excesso de umidade.

Geladeira nem sempre é a melhor opção

Colocar medicamentos na geladeira sem que haja uma recomendação específica também pode ser inadequado. Nem todos os produtos precisam ser refrigerados. A orientação é manter sob refrigeração somente os medicamentos cuja embalagem ou bula determine essa necessidade. Mesmo nesses casos, os produtos não devem ser colocados na porta da geladeira, devido às variações de temperatura.

Fogão, sol e carro também exigem atenção

Além do banheiro, outros locais da casa ou do dia a dia podem prejudicar a conservação dos medicamentos. A recomendação é evitar deixá-los próximos ao fogão, expostos ao sol ou dentro do carro, onde as temperaturas podem atingir níveis elevados.

Outro cuidado é manter os medicamentos fora do alcance de crianças e animais de estimação.

Mudanças na aparência podem indicar problema

Alterações na cor, no cheiro, na textura ou na aparência do medicamento podem ser sinais de que o produto não está em condições ideais para o consumo. Nessas situações, a orientação é não utilizar o medicamento e procurar um farmacêutico para obter informações sobre o descarte correto. O produto não deve ser jogado no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário.

Para Aline, cuidados simples no armazenamento podem contribuir para preservar as características dos medicamentos. “Pequenas mudanças no local de armazenamento podem fazer diferença na manutenção da qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos. Por isso, vale a pena revisar onde os medicamentos são guardados em casa”, conclui a professora.

Fonte: O Tempo

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