Sintomas da menopausa podem afetar a qualidade de vida

A menopausa é uma etapa natural do envelhecimento feminino, mas isso não significa que todas as mulheres vivenciem essa transição da mesma maneira. Algumas apresentam poucos sintomas, enquanto outras enfrentam ondas de calor intensas, alterações no sono, mudanças de humor, secura vaginal e impactos na qualidade de vida.
A menopausa é definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, desde que não exista outra causa para a ausência da menstruação. Antes dela, existe o período de transição conhecido como perimenopausa, no qual os ciclos podem ficar irregulares e os sintomas começam a aparecer.
A idade também varia. A transição costuma ocorrer na meia-idade, mas a experiência individual depende de fatores genéticos, hormonais e de saúde. Quando a interrupção da menstruação acontece antes dos 40 anos, é necessário investigar a possibilidade de insuficiência ovariana prematura.
Ondas de calor e alterações no sono estão entre os sintomas
As ondas de calor são um dos sintomas mais conhecidos da menopausa. Elas podem surgir de maneira repentina e provocar sensação intensa de calor, principalmente no rosto, pescoço e parte superior do corpo. Em algumas mulheres, também aparecem suor excessivo, palpitações e desconforto durante a noite.
As alterações do sono podem ocorrer tanto por causa dos episódios de calor noturno quanto pelas próprias mudanças hormonais. Dormir mal, por sua vez, pode aumentar o cansaço e interferir na concentração, no humor e na disposição ao longo do dia.
As mudanças emocionais também merecem atenção. Irritabilidade, ansiedade e oscilações de humor podem aparecer durante a transição. Isso não significa, porém, que qualquer alteração emocional deva ser automaticamente atribuída à menopausa. Sintomas persistentes ou intensos precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
O mesmo vale para sangramentos. Alterações no ciclo podem ser comuns durante a perimenopausa, mas sangramentos muito intensos, prolongados ou que acontecem depois de um período de 12 meses sem menstruar devem ser investigados.
Tratamentos dependem dos sintomas e do histórico de cada mulher
Não existe um único tratamento indicado para todas as mulheres. A escolha depende dos sintomas, da idade, do momento da transição menopausal, do histórico médico e dos possíveis fatores de risco.
A terapia hormonal da menopausa (THM) é uma das alternativas utilizadas para controlar sintomas vasomotores, como ondas de calor e suor noturno. Também pode contribuir para a saúde óssea em determinadas situações.
As recomendações mais recentes da International Menopause Society (IMS), publicadas em 2026 após uma revisão sistemática da literatura, reforçam a necessidade de individualizar a decisão sobre a terapia hormonal. Para mulheres com sintomas importantes, especialmente aquelas com menos de 60 anos ou que estão dentro de 10 anos da última menstruação, a relação entre benefícios e riscos pode ser mais favorável quando não existem contraindicações.
A terapia, entretanto, não deve ser iniciada por conta própria. A avaliação médica é necessária para analisar histórico pessoal e familiar, fatores cardiovasculares, risco de trombose, histórico de câncer de mama e outras condições que podem modificar a indicação.
A forma de administração também pode variar. Existem opções orais e transdérmicas, como adesivos e géis. Para mulheres que possuem útero, a combinação de estrogênio com progestagênio costuma ser necessária para proteger o endométrio. Já mulheres que passaram por histerectomia podem ter indicação diferente.
Secura vaginal também pode ser tratada
A queda do estrogênio pode provocar alterações na região genital e urinária. Secura vaginal, ardência, desconforto durante a relação sexual e alterações urinárias podem fazer parte desse quadro.
Esses sintomas não precisam ser encarados como uma consequência inevitável do envelhecimento. Lubrificantes e hidratantes vaginais podem ajudar em alguns casos. Quando necessário, o médico também pode avaliar tratamentos locais, incluindo estrogênio vaginal em baixa dose.
A The Menopause Society, organização internacional dedicada ao estudo da menopausa, destaca que a terapia hormonal vaginal em baixa dose apresenta absorção sistêmica muito menor do que as terapias hormonais sistêmicas e é utilizada para tratar sintomas geniturinários da menopausa.
A saúde sexual também envolve fatores emocionais e relacionais. Por isso, conversar sobre as mudanças e procurar orientação profissional pode ser tão importante quanto tratar os sintomas físicos.
Alimentação e atividade física fazem parte dos cuidados
O tratamento da menopausa não se resume aos medicamentos. O estilo de vida também tem papel importante na manutenção da saúde durante o envelhecimento.
Uma alimentação variada, com fontes de proteínas, frutas, verduras, legumes, fibras e gorduras insaturadas, ajuda a fornecer nutrientes importantes para o organismo. A ingestão adequada de cálcio e vitamina D também merece atenção, especialmente diante da maior preocupação com a saúde óssea após a menopausa.
A atividade física é outro componente importante. Exercícios de força ajudam a preservar a massa muscular, enquanto atividades com sustentação de peso contribuem para a manutenção da estrutura óssea. Caminhada, dança, corrida, musculação e outras modalidades podem fazer parte da rotina, respeitando as condições individuais.
Além disso, manter horários regulares de sono, reduzir o consumo de álcool, não fumar e encontrar estratégias para administrar o estresse contribuem para a saúde cardiovascular e para o bem-estar durante a meia-idade.
Menopausa não significa perda de qualidade de vida
Apesar de ser uma transformação natural, a menopausa ainda é cercada de dúvidas e, muitas vezes, de informações contraditórias. A principal recomendação é evitar soluções milagrosas e tratamentos iniciados sem acompanhamento.
A atualização de 2026 da International Menopause Society reúne recomendações sobre sintomas vasomotores, saúde óssea, saúde cardiometabólica, sexualidade, sintomas geniturinários, saúde mental e outras questões relacionadas à saúde feminina na meia-idade. O documento foi elaborado por um grupo internacional de 38 autores após revisão sistemática das evidências.
Isso reforça uma ideia importante: cuidar da menopausa não significa apenas tentar eliminar ondas de calor. O objetivo é olhar para a saúde da mulher de maneira ampla, considerando sintomas, prevenção de doenças, qualidade de vida e características individuais.
A menopausa, portanto, não precisa ser encarada como o fim de uma fase de bem-estar. Com informação confiável, acompanhamento profissional e hábitos saudáveis, é possível atravessar essa transição com mais segurança e continuar cuidando da saúde em todas as etapas da vida.
Fonte: Itatiaia

















