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Tecnologia aumenta em 86% chance de controlar colesterol após infarto, mostra estudo brasileiro

Redação19 de agosto de 20267min0
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Pesquisa acompanhou 1.465 pacientes em 28 centros do país e aponta que maioria ainda está acima da meta considerada segura

A pesquisa, chamada SAPPHIRE-LDL, avaliou se o uso de ferramentas digitais poderia melhorar o controle do colesterol depois de um evento cardiovascular. Os participantes foram divididos entre um grupo que recebeu o acompanhamento convencional e outro que, além do cuidado habitual, contou com uma plataforma que aproximava pacientes e profissionais de saúde durante o tratamento.

Depois de seis meses, 23,5% dos pacientes que participaram da estratégia digital apresentavam LDL abaixo de 50 mg/dL, meta indicada para pessoas que já tiveram eventos cardiovasculares. No grupo que recebeu apenas o acompanhamento convencional, o índice foi de 13,4%.

O resultado chama atenção porque o controle do colesterol é uma das principais medidas para reduzir o risco de um novo infarto ou AVC. Mesmo assim, alcançar níveis baixos de LDL ainda é um desafio na prática clínica.

Segundo Karla Espírito Santo, head de Estudos Descentralizados e Modelos Inovadores da Academic Research Organization (ARO) do Einstein e uma das autoras do estudo, muitos pacientes chegam ao atendimento com níveis de LDL próximos de 120 mg/dL. Para quem já sofreu um evento cardiovascular, a recomendação é reduzir esse valor para menos de 50 mg/dL. “Reduzir esse valor para menos de 50 mg/dL (…) não é uma meta simples de alcançar apenas com as terapias convencionais, baseadas principalmente em estatinas”, afirma.

O que mudou com a estratégia

A plataforma utilizada na pesquisa foi desenvolvida pela epHealth, empresa de tecnologia em saúde ligada ao ecossistema de inovação do Einstein. A ferramenta permitiu acompanhar a evolução dos pacientes e compartilhar informações com as equipes responsáveis pelo tratamento.

Para os pacientes, havia lembretes sobre os medicamentos e conteúdos educativos. Já os profissionais de saúde recebiam informações sobre a evolução de cada participante, o que ajudava no acompanhamento e nos ajustes do tratamento.

O estudo também utilizou equipamentos de point of care, capazes de realizar a medição do colesterol no próprio local de atendimento. Os resultados ficavam disponíveis em poucos minutos e eram enviados automaticamente para a plataforma.

Além de aumentar a proporção de pacientes que atingiram a meta, a estratégia esteve associada a menores níveis médios de LDL e a um aumento na prescrição de terapias combinadas para reduzir o colesterol.

Maioria ainda não atingiu a meta

Apesar do resultado positivo, os pesquisadores chamam atenção para outro dado revelado pelo estudo: mesmo com acompanhamento médico e o uso da estratégia digital, a maioria dos pacientes permaneceu acima da meta de LDL.

Para o cardiologista e pesquisador do Einstein Raul Santos, o resultado mostra que a tecnologia pode ajudar a aproximar a prática médica das recomendações das diretrizes, mas não é suficiente, sozinha, para resolver o problema. “Tecnologia, sozinha, não basta. Para que mais pacientes atinjam as metas de colesterol e reduzam o risco de novos eventos cardiovasculares, será essencial ampliar o acesso às terapias mais eficazes, como os inibidores da PCSK9, hoje disponíveis”, afirma.

Mais do que demonstrar o potencial da tecnologia, os dados revelam um importante alerta: mesmo com acompanhamento especializado, a maioria dos pacientes ainda não alcançou a meta considerada ideal. Isso mostra que existe uma lacuna significativa no cuidado cardiovascular e reforça a necessidade de novas estratégias para identificar pacientes de maior risco, melhorar a adesão ao tratamento e facilitar o acesso às terapias recomendadas.

“O estudo SAPPHIRE-LDL reforça uma convicção que orienta nosso trabalho: nenhum coração deve ser perdido cedo demais. Ao reimaginar a medicina por meio da ciência, da tecnologia e da inovação, buscamos transformar melhores evidências em melhores desfechos para os pacientes”, afirma Priscila Raupp, gerente médica de Real World Evidence (RWE) da Novartis Brasil, que acompanhou o desenvolvimento do estudo desde sua concepção.

Einstein, epHealth e Novartis

A colaboração entre o Einstein Hospital Israelita, a epHealth e a Novartis vem sendo construída nos últimos anos com o objetivo de desenvolver soluções para qualificar o cuidado cardiovascular por meio da integração entre pesquisa clínica e inovação digital. Em 2019, a epHealth foi vencedora do “Novartis Marathon”, competição de inovação promovida pela Novartis Brasil e pela Eretz.bio (Einstein). Em 2022, as instituições anunciaram uma parceria inédita para conduzir um dos primeiros estudos da América Latina a utilizar uma plataforma digital integrada para apoiar estratégias de melhoria da qualidade assistencial em pacientes com doença cardiovascular.

No ano seguinte, um estudo conduzido pelas três organizações e publicado na The Lancet Regional Health – Americas reuniu dados de mais de 2,1 milhões de brasileiros acompanhados por agentes comunitários de saúde, identificando importantes lacunas na prevenção secundária, especialmente no uso de estatinas e outras terapias recomendadas. Esses achados ajudaram a fundamentar o desenvolvimento do SAPPHIRE-LDL, que avaliou uma estratégia baseada na plataforma digital da epHealth — healthtech incubada pela Eretz.bio, hub de inovação em saúde do Einstein —, integrando a gestão da pesquisa e a intervenção digital em uma única solução.

Fonte: O Tempo

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