Os preços dos combustíveis fecharam agosto em queda na maior parte dos postos brasileiros, impulsionados pelo recuo de 2,7% no etanol hidratado. Os dados pertencem ao Monitor de Preços de Combustíveis, apurado pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O movimento alivia o bolso do motorista e consolida a maior vantagem histórica do derivado da cana-de-açúcar frente ao combustível fóssil desde o início da série histórica, em 2017. Cinco dos seis produtos acompanhados pelo índice registraram redução no valor médio por litro no período.

Variação dos preços dos combustíveis

O etanol encerrou o mês cotado a R$ 4,050 por litro, consolidando deflação de 9,5% no acumulado de 2026 e de 5,1% nos últimos 12 meses. O diesel comum apresentou retração mensal de 1,1%, enquanto a gasolina comum caiu 0,5%, a aditivada recuou 0,4% e o diesel S-10 cedeu 0,4%.

A contramão ficou com o Gás Natural Veicular (GNV), que encareceu 1,3% no mês e atingiu a média nacional de R$ 4,900 por m³. Mesmo com o alívio mensal, derivados de petróleo seguem em patamar elevado no ano: o diesel S-10 acumula avanço de 12,4% e a gasolina comum registra alta de 6,0% em 2026.

CombustívelPreço médio nacionalVariação em agostoVariação no ano
EtanolR$ 4,050 / litro-2,7%-9,5%
Gasolina comumR$ 6,654 / litro-0,5%+6%
Diesel S10R$ 6,949 / litro-0,4%+12,4%
Diesel comumR$ 6,752 / litro-1,1%+10,3%

Etanol atinge máxima histórica

A relação de paridade média nacional entre etanol e gasolina comum ficou em 65,6%, marcando o menor índice já apurado pelo monitoramento. Nas capitais, a proporção atingiu 66,2%, também um piso histórico.

Considerando o parâmetro tradicional de 70% de paridade energética, o abastecimento com etanol compensou financeiramente em nove estados e no Distrito Federal:

  • Mato Grosso: 55,6%
  • São Paulo: 58,1%
  • Mato Grosso do Sul: 61,8%
  • Goiás: 61,9%
  • Paraná: 63,1%
  • Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia e Amazonas (abaixo de 70%)
  • Santa Catarina (exatos 70,0%)

Diferenças regionais e estados

Os preços médios mostram disparidades acentuadas entre os estados. No Sudeste, o etanol teve queda média de 3,3% no mês, fechando a R$ 3,892 por litro, enquanto o Norte e o Nordeste mantiveram médias mais altas, de R$ 5,082 e R$ 4,927, respectivamente.

Menores médias para o etanol

  • São Paulo: R$ 3,735
  • Mato Grosso: R$ 3,772
  • Mato Grosso do Sul: R$ 4,078
  • Minas Gerais: R$ 4,099
  • Paraná: R$ 4,111

Comportamento da gasolina comum

O litro da gasolina comum custou R$ 6,467 no Sul e R$ 6,487 no Sudeste, frente a R$ 6,960 no Nordeste e R$ 7,130 no Norte. Os menores preços médios estaduais foram registrados no Rio Grande do Sul (R$ 6,336), Minas Gerais (R$ 6,391), São Paulo (R$ 6,470), Santa Catarina (R$ 6,477) e Paraíba (R$ 6,592).

As cotações mais altas ocorreram em Roraima (R$ 7,830), Acre (R$ 7,499), Rondônia (R$ 7,359), Amazonas (R$ 7,306) e Sergipe (R$ 7,272).

Impacto no poder de compra

O Indicador de Poder de Compra aponta que encher um tanque de 55 litros com gasolina comum consumiu 6,1% da renda domiciliar média no segundo trimestre de 2026, com acréscimo de 0,6 ponto percentual ante o período anterior.

O peso financeiro foi desproporcional entre as regiões: comprometeu 9,6% da renda no Nordeste e 8,0% no Norte, contra 5,1% no Sudeste, 5,0% no Sul e 4,9% no Centro-Oeste. Acre, Maranhão e Alagoas lideram entre as unidades federativas onde o abastecimento mais sacrifica o orçamento familiar.

Fonte: O Tempo