ONU aprova mudança do mapa-múndi para corrigir distorções entre continentes

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta sexta-feira (4), uma resolução que planeja mudar a forma como o mundo é representado nos mapas. O texto incentiva a adoção de uma projeção cartográfica que diminua as distorções entre as dimensões dos continentes. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra.
A resolução foi batizada como “Corrija o mapa” e tem apoio da União Africana. O alvo principal é a chamada projeção de Mercator, criada no século 16 com o objetivo de facilitar a navegação marítima. O modelo segue sendo usado em materiais educacionais, mapas digitais, meios de comunicação e em documentos oficiais.
Entretanto, a forma como ela representa o tamanho das regiões do planeta chama atenção. Áreas próximas aos polos aparecem visualmente maiores do que são na realidade. Além disso, regiões próximas à linha do Equador ficam proporcionalmente menores.

Na prática, a projeção de Mercator faz com que continentes como a África e a América Latina pareçam menores em relação a regiões do Norte da Europa e da América do Norte. Por isso, a resolução aprovada pela ONU argumenta que mapas não são apenas ferramentas para localizar países e continentes — ajudando, também, a formar a maneira como as pessoas enxergam o mundo.
O texto aponta que a projeção distorcida pode ter efeitos cognitivos, educacionais, culturais e até geopolíticos. O Ministério do Interior da França divulgou uma comparação das proporções de mapas. O país está começando a usar o mapa Eckert IV, com escala semelhante à do projeto ‘Corrija o mapa’:

As distorções entre as dimensões dos continentes — em laranja na imagem acima — é adotado e apoiado pela União Africana. A projetção busca preservar melhor as proporções entre os continentes e dar uma representação mais próxima das áreas reais das diferentes regiões do planeta.
Porém, a aprovação da ONU não significa que o mapa-múndi de Mercator será imediatamente abandonado. A resolução apenas incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a considerar modelos mais precisos.
Fonte: Itatiaia

















