Dia Mundial do Alzheimer: Brasil poderá ter 5,6 milhões de pessoas com demência até 2050

O Dia Mundial do Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, coloca em evidência um desafio presente no país e no mundo, o número de casos demência – condição progressiva que afeta a memória, o pensamento, o comportamento e a capacidade de realizar tarefas diárias – que vem crescendo em todo o mundo e deve aumentar no Brasil nas próximas décadas. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 57 milhões de pessoas vivem com essa síndrome em todo o globo. E ainda, a cada ano, são 10 milhões de novos casos. O Alzheimer é a forma mais comum da condição e pode representar entre 60% e 70% dos casos.
No Brasil, o cenário chama atenção. De acordo com o Relatório Nacional sobre a Demência: epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 8,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais convivem com demência, o equivalente a aproximadamente 2,71 milhões de pessoas. As projeções indicam que esse número poderá chegar a 5,6 milhões em 2050.
Embora fatores como idade, predisposição genética e histórico familiar tenham influência importante e não possam ser alterados, existem aspectos relacionados ao estilo de vida e às condições de saúde que podem ser controlados e modificados. “Uma pessoa pode levar um estilo de vida saudável e ainda assim desenvolver Alzheimer. Mas isso não significa que nossos hábitos sejam irrelevantes. Podemos, sim, agir sobre determinados fatores para reduzir a probabilidade de declínio cognitivo e cuidar melhor da nossa saúde cerebral”, explica Martha Valeria Medina, neuropsicóloga da startup espanhola de neurorreabilitação NeuronUP.
O que está ao nosso alcance?
A OMS reforça que até 45% dos riscos de demência podem ser atribuídos a fatores modificáveis. Entre eles estão o sedentarismo, o tabagismo, a hipertensão, o diabetes, a obesidade, o consumo excessivo de álcool, o isolamento social e perdas auditivas e visuais não tratadas. Já idade, histórico familiar e predisposição genética estão entre os aspectos que não podem ser alterados.
“Ter predisposição genética pode aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, mas não determina necessariamente que seu surgimento seja inevitável. Pelo contrário, é especialmente importante adotar medidas que contribuam para a saúde cerebral”, afirma Martha.
Para a especialista, o cuidado com a saúde cerebral deve ser construído ao longo da vida. “O importante é entender que nunca é tarde demais para agir sobre aqueles fatores que podemos modificar. Manter-se ativo física, cognitivamente e socialmente continua sendo relevante também em idades avançadas”, explica.
Por que a memória recente costuma ser afetada primeiro?
O Alzheimer não compromete todos os tipos de memória da mesma maneira. A memória episódica, responsável por registrar acontecimentos pessoais e experiências recentes, está entre as funções que costumam apresentar dificuldades mais cedo, especialmente na incorporação de novas informações.
Isso ajuda a explicar por que uma pessoa pode se lembrar com detalhes de um acontecimento ocorrido há décadas, mas esquecer o que fez naquela manhã ou repetir uma pergunta poucos minutos depois.
“O café da manhã de hoje é uma experiência recente que ainda precisa ser atendida, processada e consolidada para se transformar em uma lembrança duradoura. Já uma lembrança da infância está sendo consolidada, recordada e relacionada a outras experiências há décadas e, por isso, costuma resistir por mais tempo”, diz Martha.
Estimulação cognitiva e autonomia
Para quem convive com Alzheimer, a estimulação cognitiva, possibilitada por ferramentas como a NeuronUP, pode contribuir para manter determinadas capacidades, favorecer a autonomia e ajudar a pessoa a continuar envolvida em atividades significativas. A prática, no entanto, não interrompe a neurodegeneração nem recupera funções cognitivas que já foram afetadas.
Atividades do cotidiano, como cozinhar, conversar, ouvir música, organizar fotografias, cantar músicas conhecidas, cuidar de plantas ou realizar tarefas familiares, também podem estimular simultaneamente atenção, linguagem, memória, habilidades procedimentais e emoções.
“A ideia não é apenas treinar uma memória que apresenta dificuldades, mas ajudar a pessoa a manter sua autonomia e continuar realizando suas atividades cotidianas com a melhor qualidade de vida possível”, conclui Valeria Medina.
Três hábitos para cuidar da saúde cerebral
Segundo Martha, hábitos saudáveis não garantem que uma pessoa não vá desenvolver Alzheimer, mas fazem parte de um estilo de vida associado a melhor saúde cerebral e menor probabilidade de declínio cognitivo e demência. Neste contexto, a neuropsicóloga da NeuronUP traz recomendações de ações que podem ajudar a manter a saúde cognitiva. Confira:
1. Manter-se fisicamente ativo: Praticar atividade física regularmente, combinando exercícios aeróbicos e de força e reduzindo o tempo de sedentarismo.
2. Estimular o cérebro: Aprender coisas novas, ler, resolver problemas matemáticos, estudar um idioma, tocar um instrumento ou realizar atividades que representem um desafio mental.
3. Preservar vínculos sociais: Conversar, compartilhar atividades, manter relações significativas e evitar o isolamento social.
Sobre a NeuronUP
Plataforma líder de neurorreabilitação projetada para atuar como suporte fundamental para profissionais envolvidos em processos de reabilitação e estimulação cognitiva. Com presença em mais de 75 países e utilizada por mais de 7 mil especialistas, possui sistema de monitorização e gestão de pacientes, que permite ajustar terapias em tempo real para mais de 245 mil usuários, melhorando os resultados e consolidando-se como a plataforma número um na Espanha e na América Latina.


















