Primavera pode aumentar casos de alergia ocular; saiba como se proteger

A primavera começa oficialmente em 22 de setembro e é uma das épocas mais bonitas do ano. Com o florescimento das plantas, paisagens mais coloridas e dias que começam a ficar mais longos, a estação convida a aproveitar mais os momentos ao ar livre. Para algumas pessoas, porém, a chegada da nova estação também pode vir acompanhada de coceira, vermelhidão, lacrimejamento e sensação de areia nos olhos. Isso acontece porque, neste período, aumenta a presença de pólen no ar, um dos principais gatilhos das alergias oculares, que também podem ser favorecidas pela baixa umidade.
Segundo o Dr. Caio Malta, oftalmologista do H.Olhos, a primavera reúne condições que favorecem o aparecimento das chamadas alergias sazonais. “Neste período, há uma maior concentração de pólen disperso no ar, proveniente de árvores, flores e também do capim. Esse material pode entrar em contato com os olhos e desencadear uma resposta alérgica. Além disso, a baixa umidade do ar também contribui para o desenvolvimento e agravamento desses quadros”, diz.
Entre os sintomas que merecem atenção estão olhos avermelhados, coceira intensa, lacrimejamento e sensação de areia ou corpo estranho. Apesar de alguns desses sinais também aparecerem em outros problemas oculares, existem características que ajudam a diferenciar uma alergia de uma conjuntivite infecciosa. “Na alergia ocular, a coceira costuma ser um dos sintomas mais marcantes e pode vir acompanhada de vermelhidão e lacrimejamento. Já nas conjuntivites infecciosas, é mais comum haver uma secreção espessa, purulenta e de coloração amarelada, o que não é característico das alergias”, comenta.
As alergias oculares podem atingir diferentes faixas etárias, mas pessoas mais jovens com predisposição a outras manifestações alérgicas estão entre os mais suscetíveis. “Observamos uma maior ocorrência em crianças e adolescentes que já apresentam doenças alérgicas, como rinite e asma, ou alergias dermatológicas. Por isso, quando existe esse histórico, é importante redobrar os cuidados durante períodos em que os fatores desencadeantes estão mais presentes no ambiente”, pontua o especialista.
Como poeira e ácaros também podem contribuir para a irritação dos olhos, algumas mudanças na rotina ajudam a reduzir a exposição aos agentes que desencadeiam as crises. A recomendação é substituir vassouras e espanadores pelo aspirador de pó, lavar os lençóis semanalmente e utilizar capas antiácaro no colchão. Também é indicado reduzir, sempre que possível, a presença de tapetes, cortinas de tecido, carpetes, cobertores e bichos de pelúcia nos ambientes.
“Manter a casa limpa e bem ventilada é uma medida importante para diminuir o contato com poeira e outros agentes que podem desencadear as alergias. O ideal é deixar os ambientes arejados, evitar o acúmulo de itens que concentram poeira e fazer a higienização frequente da roupa de cama. São atitudes simples que podem fazer diferença para quem tem predisposição a esses quadros”, orienta.
Outro cuidado fundamental é evitar levar as mãos aos olhos, mesmo quando a coceira estiver intensa. Embora coçar possa proporcionar uma sensação momentânea de alívio, o hábito tende a intensificar o desconforto e pode provocar consequências mais sérias para a visão. “O ato de coçar os olhos estimula a liberação de histamina, uma substância que aumenta ainda mais a vontade de coçar. Dessa forma, cria-se um ciclo que piora a alergia e, com o atrito constante, aumenta também o risco de lesões na córnea”, alerta Caio Malta.
Quando esse comportamento se torna frequente, os danos podem ir além da irritação. O atrito repetitivo pode contribuir para o desenvolvimento do ceratocone, condição em que a córnea sofre afinamento e assume um formato cônico e irregular, podendo causar importante embaçamento visual. “Coçar os olhos de maneira recorrente pode trazer consequências graves para a saúde ocular. O principal risco é o ceratocone, mas também existe a possibilidade de infecções, já que levar as mãos sujas aos olhos facilita a entrada de vírus e bactérias. Em situações mais raras, o trauma provocado pelo hábito também pode estar associado a complicações mais sérias”, explica.
Na tentativa de aliviar rapidamente a vermelhidão ou a coceira, algumas pessoas recorrem a colírios por conta própria. No entanto, o uso sem avaliação médica pode trazer mais riscos do que benefícios, principalmente quando o produto contém determinadas substâncias. “Não é seguro utilizar colírios sem indicação médica. Produtos que contenham corticoides, vasoconstritores ou antibióticos devem ser utilizados somente quando houver recomendação de um profissional. Quando essas substâncias são usadas de maneira inadequada, os possíveis malefícios aos olhos podem superar os benefícios esperados”, ressalta.
Caso os sintomas persistam, a avaliação especializada é importante para identificar a causa da irritação e indicar o tratamento adequado. “Se os olhos permanecerem irritados, vermelhos, coçando ou apresentarem inchaço por mais de dois dias, é recomendável procurar um oftalmologista. A persistência desses sinais é um alerta de que pode ser necessário investigar o quadro e indicar um tratamento específico”, finaliza o Dr. Caio Malta, oftalmologista do H.Olhos.


















