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Excesso de telas, sono e rotina: como podem afetar o comportamento infantil

Redação9 de outubro de 20264min0
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Crianças irritadas, agitadas ou com dificuldade de concentração são uma queixa frequente nos consultórios pediátricos. Nem sempre a causa está no temperamento da criança: o tempo de tela, a qualidade do sono e a previsibilidade da rotina influenciam diretamente o comportamento.

Segundo o pediatra Dr. Fausto Carvalho, esses três fatores se somam e, por isso, devem ser avaliados juntos antes de qualquer conclusão sobre o comportamento infantil.

“Quando uma criança está mais irritada, desatenta ou com crises de choro frequentes, a primeira pergunta que faço é como estão as telas, o sono e a rotina da casa. Muitas vezes, o ajuste desses três pontos já traz melhora importante”, explica o Dr. Fausto Carvalho.

Como cada fator pesa no comportamento

  • Telas: o uso excessivo, ou perto da hora de dormir, está associado a irritabilidade, menor tolerância à frustração, dificuldade de atenção e, nos menores, atraso na fala;
  • Sono: dormir pouco ou mal costuma aparecer na criança como agitação, impulsividade e mau humor, e não necessariamente como sonolência;
  • Rotina: horários imprevisíveis para refeições, sono e atividades dificultam a regulação emocional e aumentam as birras.

“A criança precisa de previsibilidade para se sentir segura. Quando os horários mudam todos os dias e a tela ocupa o lugar de brincar, conversar e dormir, o comportamento reflete isso”, destaca o pediatra.

O que a família pode fazer

  • Seguir os limites da Sociedade Brasileira de Pediatria: nenhuma tela até 2 anos; até 1 hora por dia dos 2 aos 5 anos; de 1 a 2 horas por dia dos 6 aos 10 anos, sempre com supervisão;
  • Evitar telas durante as refeições e de 1 a 2 horas antes de dormir, e não deixar aparelhos no quarto;
  • Garantir horas de sono adequadas à idade: em geral, de 10 a 13 horas para pré-escolares e de 9 a 12 horas para crianças em idade escolar;
  • Manter horários regulares para dormir, acordar e se alimentar, inclusive nos fins de semana;
  • Reservar tempo diário para brincar, fazer atividade física e conversar com os pais.

“Não adianta apenas proibir. Os pais são o modelo: se os adultos vivem com o celular na mão durante as refeições, é difícil exigir o contrário da criança”, afirma o Dr. Fausto Carvalho.

Quando procurar o pediatra

Mesmo com ajustes na rotina, a avaliação médica é indicada se a criança apresentar:

  • Mudança persistente de comportamento, com agressividade, isolamento ou choro frequente;
  • Crises intensas ao ter o aparelho retirado;
  • Atraso na fala ou queda no rendimento escolar;
  • Sono muito alterado, com ronco frequente, pausas na respiração ou despertares noturnos repetidos.

 

“Mudanças de comportamento podem ter várias causas, e nem todas se resolvem só com ajuste de rotina. Se a alteração persistir, vale uma avaliação para investigar outras causas”, conclui o Dr. Fausto Carvalho.

Fonte:

Dr. Fausto Carvalho

Pediatra

Instagram: @faustofcarvalho

Mais informações:

Médico formado pela Faculdade de Medicina de Marília;

Residência médica em Pediatria pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo;

Mestrado em Educação pela Universidade Estadual Paulista (campus Marília);

Doutorado em Psicologia pela Universidad de Buenos Aires;

Psicanalista e analista didata pela Sociedade de Psicanálise do Paraná.

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