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Quem fica com nossas senhas das redes sociais quando morremos? Entenda a herança digital

Redação12 de outubro de 20267min0
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Gigantes da tecnologia contam com ferramentas para gestão das contas após a morte do usuário

Grande parte da vida de uma pessoa, atualmente, está registrada em ambiente virtual – isso inclui contas em redes sociais, drives com fotos e documentos, arquivos salvos na nuvem, investimentos em criptomoedas e outros diversos ativos. Uma das perguntas que muitas pessoas fazem ao refletir sobre esse assunto é: o que acontece com essas contas e esses documentos quando a pessoa morre? Quem pode acessar os arquivos? E se o perfil na rede social for monetizado?

No Brasil ainda não existe uma legislação que deixe claro exatamente o que pode ou não ser feito com a chamada herança digital. Há, porém, um projeto de lei em tramitação no Senado que propõe uma reforma do Código Civil e, entre outros assuntos, regulamenta a herança digital (PL 4/2025). O texto do projeto põe em debate questões como a herança digital e quem a receberá, e também a intimidade e a privacidade do falecido. A proposição está nas mãos de uma comissão temporária que vai analisar o tema.

Ferramentas atuais

Antes de tudo, é importante saber que as próprias gigantes da tecnologia contam hoje com ferramentas para gestão das contas após a morte. O Google, por exemplo, tem o recurso “Gerenciador de Contas Inativas”, que permite definir contatos de confiança para receber acesso aos dados selecionados e também prazos para excluir a conta automaticamente. O YouTube usa os recursos de gerenciamento do Google. Já a Apple tem o programa “Contato de Herança”, que permite cadastrar chaves de acesso para que herdeiros acessem fotos, notas e dados do iCloud após comprovação do óbito. A Meta (Facebook e Instagram) dá a possibilidade de nomear o “Contato do Herdeiro” para gerenciar a conta, transformá-la em memorial ou optar pela exclusão permanente do perfil. O TikTok não tem recursos do tipo, mas oferece contados de suporte para tomada de providências pelos entes do falecido.

No âmbito jurídico, advogados e especialistas sugerem a formalização de um testamento público para nomear herdeiros para contas com legado financeiro, como um canal no YouTube ou no TikTok que seja monetizado.

Ferramentas pagas

Paralelo a isso, empresas de tecnologia têm criado soluções que podem facilitar o acesso dessas contas e documentos por parentes e amigos dos falecidos. O Guarda Digital, lançado este ano, é uma plataforma brasileira de cofre digital e planejamento de legado que permite às famílias organizar a herança digital. Isso inclui documentos, senhas, ativos digitais, desejos funerários e mensagens pessoais – ou seja, tudo o que está no ambiente virtual, como acessos a redes sociais, aplicações, investimentos, e-mails e afins.

A plataforma reúne, em um só ambiente, o cofre criptografado, a curadoria de instruções práticas para a família, o planejamento posterior à perda e a rede de pessoas de confiança que recebem acesso no momento certo. A “chave” para acessar a herança digital é entregue a guardiões e beneficiários previamente designados pelo titular.

“O Guarda Digital é um cofre digital criptografado onde a pessoa organiza em vida tudo o que a família vai precisar quando ela partir, e decide quem recebe o quê, e em que momento. E, diferente de um simples arquivo de documentos, ele vem acompanhado de serviços reais de assistência para a família na hora em que ela mais precisa”, explica o CEO do Guarda Digital, Sidney Pedrotti.

A empresa nasceu da experiência pessoal do fundador Sidney Pedrotti, que perdeu a mãe em 24 de dezembro de 2020 e enfrentou meses de desorganização administrativa, contas em débito, contas digitais inacessíveis e decisões financeiras que ninguém sabia tomar. Na prática, a solução criada por Pedrotti facilita todos esses trâmites.

E funciona assim: imagine uma pessoa que tem 20 anos de fotos dos filhos no Google Fotos, além de contratos, escritura e seguro salvos no Drive. Ela usa carteira digital, banco pelo app e redes sociais. E tem um labrador de 8 anos. Dentro do Guarda Digital, essa pessoa decide que as fotos vão para os filhos e os documentos e o mapa do patrimônio, para o marido. O Instagram vira um memorial e o Facebook é encerrado. Ela grava um vídeo para ser entregue aos filhos no aniversário de 18 anos e deixa registrado quem vai cuidar do cachorro. Ela escolhe duas pessoas como guardiões para acessar tudo isso.

“Hoje as nossas memórias, documentos, relações e parte do patrimônio vivem no digital. Só que quase ninguém deixa isso organizado, e a família descobre o problema no pior momento possível: no luto, sem acessos, sem saber por onde começar, às vezes perdendo para sempre as fotos de uma vida inteira. E, ao mesmo tempo, precisa lidar com a despedida, a burocracia e o inventário”, explica Pedrotti.

A operação do Guarda Digital tem integração com a Caixa Assistência. A parceria adiciona aos planos pagos coberturas assistenciais — entre elas auxílio funeral, telemedicina, cuidado pet, farmácia e nutrição — operadas pela Caixa Assistência. No modelo, o Guarda Digital atua como Controlador dos dados sob a LGPD, e a Caixa Assistência como Operadora dos serviços assistenciais.

A oferta cobre cinco planos, com mensalidades a partir de R$ 29,90. Todos os planos pagos incluem o Inventário Digital Assistido — serviço que orienta a família após a perda no que diz respeito aos ativos digitais do titular.

Fonte: O Tempo

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