Produção cafeeira e sua importância para a agroecologia, os seres humanos e os produtores

Redação2 de junho de 20219min0
AgroCafe
A importância dos pequenos cafeicultores para o setor cafeeiro - por Danyella Silva

Os pequenos cafeicultores da cadeia agrícola desempenham um papel muito importante no Brasil, tão importante que o sistema é referência para outros países. Segundo dados de 2015 do Governo Federal do Brasil, os pequenos produtores produzem cerca de 70% dos alimentos consumidos no país e suas propriedades empregam 80% da mão de obra rural. Isso mostra o quanto a atividade agrícola dos pequenos e médios agricultores é estratégica para alimentar a população.

No passado, o café na maioria das áreas da América Latina era cultivado sob a sombra de diversas copas de árvores, proporcionando vários benefícios ambientais. Em anos de preços baixos do café (e preços relativamente altos de fertilizantes), as árvores podiam oferecer mais sombra, ao passo que em anos de preços elevados do café as árvores de sombra eram severamente podadas, mais fertilizantes eram aplicados e maior produção de café era obtida. Com a introdução de novas variedades de café de alto rendimento (meados do século XX), o café a pleno sol foi aplicado de forma mais geral, e este é particularmente o caso no Brasil. Nos anos mais recentes, uma atenção renovada é dada aos benefícios ambientais e para a biodiversidade do consórcio com várias espécies de árvores e oportunidades para a certificação de café de sombra.

Produção cafeeira

Em relação ao café, 80% da produção provém da agricultura familiar e, segundo dados do Ministério da Agricultura, a cadeia do café emprega mais de oito milhões de pessoas, consolidando a cafeicultura como importante fonte de renda.

Em um mundo em que a população cresce em ritmo acelerado e muitas pessoas ainda não têm acesso a alimentos de boa qualidade, o papel dos pequenos agricultores é fundamental para garantir a segurança alimentar da população brasileira.

Segundo dados da OIC, o consumo mundial de café em 2015 foi 2,24% superior ao volume produzido no mesmo período do ano anterior, e a tendência é que esse número continue crescendo. A produção deve se adequar para atender a demanda crescente, mas para isso é preciso adotar tecnologias e boas práticas agrícolas para aumentar a produtividade sem agredir o meio ambiente. Ao mesmo tempo, quando a situação é desafiadora, é também quando surgem novas oportunidades.

Não é novidade que o Brasil produz cafés diferenciados pela qualidade e sustentabilidade de sua produção. A variedade de cafés especiais é enorme, pois temos diversos climas, tipos de solo e altitudes nos sete maiores estados produtores de café. Estudos mostram que não apenas os países desenvolvidos são grandes consumidores de cafés especiais, mas também os brasileiros que estão cada vez mais interessados ​​nesse tipo de café. 

A diferenciação, impulsionada pelas demandas do mercado externo, agrega valor ao produto final e cria novas oportunidades de negócios, que tornam o mercado de cafés especiais muito promissor.

O Brasil está fazendo a sua parte: de acordo com os dados do IPEP Cecafé (participação do preço interno no volume FOB das exportações brasileiras de café arábica), os produtores brasileiros recebem a maior parte do preço estabelecido para seu produto, cerca de 75% registrados nos últimos 12 meses. Além disso, existem programas de financiamento para cafeicultores no Brasil, oferecidos pelo Funcafé e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, que visam fornecer crédito para que os cafeicultores possam dar continuidade ao trabalho. Existem também modalidades de empréstimo para financiar equipamentos. A mecanização é outro ponto que merece destaque, pois reduz custos e aumenta a produtividade das lavouras. Inicialmente, parece um grande investimento; entretanto, estima-se que o retorno desse investimento se dê em média quatro anos. No caso dos agricultores com menos capital, podem até optar pelo arrendamento de equipamentos.

Existem várias opções para a adaptação dos produtores rurais, e o desenvolvimento de pesquisas para uma produção sustentável é fundamental. Porém, nenhuma iniciativa pode cumprir seu papel adequadamente se não estiver ao alcance do pequeno agricultor. Por esse motivo, a indústria exportadora de café, junto com a Plataforma Global do Café, acrescentou ao Programa de Produtores Informados o Currículo de Sustentabilidade do Café. O programa inclui gestão ambiental e de propriedade, bem como técnicas de cultivo para aumentar a produtividade e garantir a produção perene.

Ecossistema e Agricultura 

A pobreza e a segurança alimentar dependem das funções e serviços que os ecossistemas locais fornecem. No entanto, a capacidade dos ecossistemas de garantir o bem-estar humano diminuiu (MEA 2005). Aumentar a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de combustíveis fósseis, proteger as espécies selvagens e melhorar a qualidade ambiental é um desafio importante para a sociedade atual. Como uma alternativa ao modelo atual que se concentra principalmente na maximização da produção de bens agrícolas, novas formas de agricultura que fortalecem a entrega de vários serviços ecossistêmicos (ES) estão sendo defendidas (Lundberg e Moberg 2008; Brussaard et al. 2010). Ciência interdisciplinar, intervenções de manejo agrícola e desenvolvimento institucional em escalas locais e globais são necessários para a intensificação ecológica da produção agrícola, mas muitas questões relativas aos trade-offs entre benefícios econômicos e ecológicos permanecem.

Em regiões em desenvolvimento, a agricultura familiar é geralmente baseada em baixos insumos externos e, portanto, fortemente ligada a recursos internos e processos ecológicos. Para essas condições, práticas agrícolas baseadas em princípios agroecológicos (ou seja, otimizar a reciclagem de biomassa e nutrientes e melhorar as espécies e a diversidade genética e as interações benéficas entre os componentes biológicos), a fim de manter a produtividade com o uso mínimo de agroquímicos e outros insumos externos, foram promovidas. As práticas agroecológicas têm sido defendidas como tecnologias que podem simultaneamente oferecer benefícios ambientais, sociais e econômicos aos seres humanos e apoiar a conservação da vida selvagem. 

É extremamente importante que o agricultor tenha acesso à informação para melhor administrar sua propriedade, reduzir custos de produção e aumentar a produtividade das lavouras, melhorando assim sua renda. Para ganhar a vida de forma satisfatória, ele reduz o êxodo rural e garante a continuidade do cultivo. Com isso, o ciclo da produtividade se fecha, gerando benefícios para todos os envolvidos na cadeia do café.

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