Fake news reduziram cobertura vacinal a partir de 2013, diz estudo

Redação14 de junho de 20214min0
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Pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem apontou a internet como uma barreira para estimular a imunização contra doenças

Um estudo publicado pela UFMG revelou que a disseminação das fake news levaram à redução das taxas de cobertura vacinal contra diversas doenças a partir de 2013. Conforme o levantamento, o país conseguiu construir um dos mais completos programas de imunização do mundo, o que levou a uma redução e até eliminação de enfermidades imunopreveníveis, como sarampo e rubéola.

Porém, nos últimos anos, foi verificado que as coberturas próximas ou acima da meta para quase todas as doenças caíram. “Uma pesquisa recente identificou uma importante barreira à vacinação: a internet. Países com reduções significativas da confiança em vacinas foram associados a movimentos e mobilização on-line antivacinas altamente organizados”, alertou a estudante de Enfermagem da UFMG, Alice  Gomes Frugoli, uma das responsáveis pelo estudo.

Para realizar o estudo, as pesquisadoras analisaram três sites de checagem de notícias falsas, com publicações entre 2010 e 2019, através do modelo dos 3Cs (confiança, complacência e conveniência) da Organização Mundial da Saúde. Ao todo, foram encontradas 20 reportagens com informações inverídicas sobre vacinação, a maioria publicada em 2018 – 63% se referiram às doses contra a febre amarela, doença que voltou a afetar Minas Gerais em 2018.

Com isso, foram separadas duas categorias de fake news: Imunobiológicos têm um risco potencial de morte/sequelas ou são ineficazes. “O cenário evidencia a necessidade de investigar, dentre os fatores potencialmente relacionados, a hesitação vacinal e a veiculação de notícias falsas comumente compartilhadas em redes sociais”, explicou Frugoli.

Argumentações falsas

Conforme o estudo, uma das argumentações mais frequentes contra a vacinação foi a possibilidade dos insumos provocarem morte ou sequelas. Para isso, utilizaram os próprios eventos adversos pós-vacinação (EAPV), que seriam acobertados pelo governo. ““As fake news sobre imunobiológicos associadas a esta categoria utilizam narrativa que desestimula a vacinação em geral, criando, principalmente, desconfiança. Algumas deixam evidente a oposição consciente e radical a qualquer vacina”, enfatizou a estudante.

Já para defender que as doses seriam ineficazes, as publicações pontuavam que a imunização não consegue previnir doenças – uma das justificativas para essa tese é que mudanças nos hábitos de vida das pessoas levaram à erradicação de enfermidades. “As fake news constroem uma narrativa que contradiz a eficácia das vacinas, de modo a convencer o usuário de que são desnecessárias à sua saúde”, declarou.

Para as pesquisadoras, as fake news possuem grande potencial de enganar e produzir hesitação vacinal – a recusa das vacinas recomendadas pelas autoridades de saúde. “As falsas argumentações não se complementam, mas constroem juntas contradições e incompatibilidades, que vão na contramão da confiança, conveniência e motivam a complacência em relação aos imunobiológicos”, conclui Alice.

O estudo foi publicado na Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP). Também participaram dos levantamentos a estudante Raquel de Souza Prado e as professoras Sheila Aparecida Ferreira Lachtim, Tercia Moreira Ribeiro da Silva e Fernanda Penido Matozinhos, da Escola de Enfermagem da UFMG, Carla Andrea Trapé, da USP.

Fonte: O Tempo

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