Em Minas, só 53,3% dos agentes da segurança receberam vacina

Redação4 de agosto de 20215min0
Governo de São Paulo inicia testes com vacina contra o novo coronavírus.
De acordo com o Vacinômetro da SES-MG, apenas 53,3% dos 157 mil profissionais das áreas de segurança, salvamento e forças armadas do Estado foram vacinados

Enquanto a vacinação alcança números bem altos entre os trabalhadores da saúde e da educação, há uma categoria profissional entre os grupos prioritários que demanda uma maior adesão à imunização contra a Covid. De acordo com o Vacinômetro da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), dos 157.774 agentes de segurança estimados no Estado, pouco mais de 84 mil receberam ao menos uma dose – ou seja, 53,3%. Mais de 70 mil não estão imunizados.

Esses números contemplam profissionais da ativa de diversas corporações e instituições, como policiais civis, federais e militares, bombeiros, guardas civis, policiais penais e integrantes das Forças Armadas. Todas as vacinas referentes a esses grupos já foram enviadas aos municípios, e não há relatos de problema na vacinação de algum desses grupos em Minas.

O número de agentes vacinados varia conforme a corporação. Entre os 38 mil policiais militares, 94% receberam ao menos uma dose, enquanto na Polícia Civil, dos 11,2 mil agentes, 90% se vacinaram. Já entre os 17 mil policiais penais, a porcentagem de imunização é de 77,3%, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sejusp). Isso significa que ao menos 3.000 trabalhadores em presídios não foram vacinados e podem levar o coronavírus para ambientes em que pessoas estão próximas, confinadas e sem máscara.

A reportagem de O TEMPO procurou todas as instituições de segurança, e algumas não responderam a perguntas sobre efetivo e vacinação. Corpo de Bombeiros, Polícia Federal e Ministério da Defesa não divulgaram informações sobre a imunização de seus agentes até o fechamento da edição. A Polícia Rodoviária Federal informou apenas que a taxa de vacinação chegou a 95% do efetivo em Minas.

Frederico Couto Marinho, pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG, afirma ser fundamental que os representantes das instituições façam uma análise sobre o percentual não vacinado de seus profissionais e verifiquem os motivos para a recusa.

“Há resistência? Se mais de 10% de uma corporação não está vacinada, isso tem que ser verificado, porque os profissionais não vacinados colocam em risco seus colegas, a população que atendem e seus familiares”, afirma. “Também é preciso saber por que alguns profissionais não se vacinaram. Estão buscando informações somente em redes sociais? Existe negacionismo?”

Para Luis Flávio Sapori, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Segurança Pública (Cepesp/PUC Minas), a vacinação de pouco mais da metade dos agentes de segurança do Estado é um dado decepcionante, já que esse grupo tem maior vulnerabilidade durante a execução do trabalho.

Segundo ele, a influência do presidente Jair Bolsonaro sobre o setor explica a recusa de alguns profissionais. “E essa adesão ao bolsonarista é mais negacionista, com preferência pelo tratamento precoce (sem comprovação científica) e pela resistência à vacina”.

Instituições afirmam incentivar vacinação

Ao menos 306 policiais militares e 14 civis morreram de Covid em Minas. Os gestores das instituições sabem da importância de se incentivar a imunização de sua força de trabalho para afastar o perigo do adoecimento pelo coronavírus.

A Polícia Militar explica que, além das atividades de segurança pública, o militar “ainda está envolvido em ações de vigilância de medidas de distanciamento social, no transporte de vacinas para todo o Estado e em ações de transporte de paciente e atendimento pré-hospitalar, especialmente naqueles municípios que não contam com atendimento do Samu ou do Corpo de Bombeiros. Então, para manter o policial militar em condições de prestar seus serviços para a sociedade, essa vacinação é de extrema importância”.

A Polícia Civil informou que realizou reuniões com chefes de departamentos para tratar da importância da vacinação, além de ter divulgado informações na intranet da instituição e em outros canais de comunicação. A Sejusp disse também que “incentiva e reforça a importância da vacinação” entre os policiais penais.

Fonte: O Tempo

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