Preço do café encerrou 2021 com valor mais alto em 25 anos no Brasil

Redação5 de janeiro de 20226min0
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Geadas e seca favoreceram o aumento dos preços, segundo especialistas; Em BH, cafézinho chega a custar R$4

O preço do café no Brasil bateu o maior índice em 25 anos ao final de 2021. A saca de 60 kg, que custava em torno de R$660 em janeiro chegou a dezembro com valor de R$1.480, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP). O cenário é resultado de uma combinação de fatores que passam pelas geadas intensas que atingiram lavouras de produção de café no inverno de 2021, como ocorrido no Sul de Minas Gerais.

Outro obstáculo foi a seca intensa que acometeu o Brasil durante o ano, resultando na crise hídrica que atrapalhou o plantio. Nas gôndolas dos supermercados, o consumidor também nota o problema com o pacote de 500gr do produto, que já tem custo entre R$14 e R$18. A alta nos preços no varejo em todo o Brasil, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é de 42%. Em Belo Horizonte, a variação foi de 27%.

A tendência é de que, no decorrer de 2022, o valor do produto, tradicional na rotina dos brasileiros, se mantenha em alta. “É desconfortável saber que o café vai sofrer outra alta no preço, mas é esperado porque é a realidade atual do mercado”, comentou o aposentado José Jeová Guedes, de 77 anos. O diretor executivo da Associação Brasileira de Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio, acredita que 2021 foi o mais desafiador dos últimos 20 anos para o setor.

Ele lembra que houve um aumento de 140% no valor de mercado do café arábica, o mais tradicional no Brasil. “Mas a recomposição de preços, na melhor das hipóteses, chegou a 62%”, explicou. Inácio diz que os produtores que conseguiram equilibrar as perdas com as geadas tiveram um ano positivo, devido ao aumento no valor dos custos das sacas, diferentemente do que ocorreu com o setor industrial.

“Já era esperado e natural que tivéssemos um ano de baixa produtividade. Só que foi menor do que a gente imaginava e já antecipando que 2022, que deveria ser um ano de maior produtividade, e já sabemos que será muito aquém”, relatou.

Economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, André Braz acredita que no decorrer deste ano os preços devem se manter em alta. “Não vamos ter uma safra capaz de resolver esse problema de oferta a curto prazo”, opina. Ele ainda ressalta que a desvalorização do real frente ao dólar favorece as exportações e pressiona os preços praticados no Brasil.

Para o especialista, a política de câmbio praticada no Brasil, atendendo às condições macroeconômicas e os problemas fiscais, repelem os investimentos e aumenta a incerteza do mercado, mesmo em contexto de alta da taxa de juros. “Enquanto isso perdurar, a moeda segue desvalorizada e vai representar um desafio”, salienta.

MERCADO EM BH RECLAMA DOS PREÇOS

Tradicional ponto de encontro da população de Belo Horizonte, o Café Nice, na avenida Afonso Pena, é um dos estabelecimentos que enfrenta a dificuldade com a elevação do preço do café. Um dos proprietários do estabelecimento, Renato Moura, diz que o preço do cafézinho saiu de R$2,50 em março de 2020 para R$3,20.

Ele diz que desde 2020 tenta segurar os preços, fato que não será possível a partir da próxima semana. “Não tenho como bancar esse valor e o mercado não tem o dinheiro para acompanhar o ritmo de alta do mercado”, reclama.

O empresário diz que o home office, implantado por muitas empresas, reduziu o movimento de vendas, mas espera um 2022 melhor. “Tem 47 anos que estou aqui, passei por diversos governos, planos econômicos e superei todos. Mas igual a essa fase eu nunca vi e está durando. Quase dois anos que estamos nessa batalha”, desabafou.

O sentimento é compartilhado por Pedro de Moraes, dono da padaria Vianney, no bairro Funcionários. Por lá, o preço do cafézinho aumentou 22%, mas o consumo caiu 5%. “A gente tem que absorver parte do custo para não perder clientes”.

PRODUTOR ESPERA 2022 AMARGO 

Atuando na produção de café há 20 anos no Sul de Minas, Luciano Pereira de Mello diz que a alta no valor da saca foi positiva para ele, que conseguiu administrar a alta nos custos produtivos com a compra de defensivos, fertilizantes, e as perdas ocasionadas pelas geadas.

No entanto, em 2022, o cenário de escassez hídrica de 2021 deve atrapalhar o desenvolvimento dos pés de café. “Essas chuvas que estão tendo agora vão amenizar um pouquinho, mas ainda é uma incógnita e os preços de insumos, mão de obra, tudo vai subir”, observou.

Fonte: O Tempo

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