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MG tem alta de 330% nos casos de dengue e pode ter nova epidemia em 2024

Redação10 de janeiro de 202414min0
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Nos primeiros dias deste ano, o Estado registrou aumento de diagnósticos positivos acima do esperado para o período

Minas Gerais pode enfrentar uma nova epidemia de dengue em 2024. Nos primeiros dias deste ano, o Estado registrou aumento de casos acima do esperado para o período. A doença pode ter feito uma vítima já neste ano. A dengue é investigada como a causa da morte de uma adolescente de 17 anos em Timóteo, no Vale do Aço. O crescimento do número de diagnóstico vem após um ano considerado endêmico  — quando houve um crescimento de 330,5% em relação a 2022. Além da morte da garota, outro ponto que aumenta a preocupação das autoridades em saúde é com relação ao ressurgimento do tipo 3 da dengue – que há mais de 15 anos não causa epidemias no país.

No ano passado, Minas Gerais registrou 321.038 casos de dengue, uma média de quase 880 por dia, e 198 mortes. Em 2022, foram 74.796 casos (246.242 a menos), uma média de quase 205 por dia, e 68 óbitos. Historicamente, Minas Gerais registra epidemias de dengue a cada três anos. Antes de 2023, o último ano epidêmico foi em 2019, quando foram 413.717 casos e 195 mortes. Para evitar contágios, o governo de Minas Gerais informou que vai repassar R$ 80,5 milhões para ações de conscientização e mobilização sobre os focos do mosquito. Em Belo Horizonte, os Agentes de Combate a Endemias (ACE) vistoriam os imóveis e reforçam junto à população as orientações sobre os riscos do acúmulo de água, além de orientar sobre como eliminar os focos.

O infectologista Leandro Curi analisa o cenário para 2024. “Esperamos volumes altos de pessoas infectadas, enchendo serviço de saúde, como no ano passado. A tendência é que, até o fim do período chuvoso e do verão, os casos cheguem a um nível muito alto”, explicou.

Aumento da demanda já ocorre

Quem trabalha na área da saúde percebe aumento de pacientes com a suspeita da doença. “Estamos atendendo, na média, dez casos por dia. Não é tanto como no ano passado, mas já estamos preocupados. A direção da zoonose do distrito Nacional nos alertou que corremos risco de ter nova epidemia”, afirma o técnico em enfermagem Rodrigo do Nascimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) Nacional, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

O período chuvoso está relacionado ao aumento de casos de dengue. Isso ocorre porque água parada é ambiente para reprodução do Aedes aegypti. Além disso, o calor favorece a criação do mosquito.

Tipo 3 preocupa

O ressurgimento recente do sorotipo 3 do vírus da dengue no Brasil fez acender o sinal de alerta quanto ao risco de uma nova epidemia da doença causada por esse sorotipo viral. Em 2023, quatro casos do tipo 3 da dengue foram registrados em Votuporanga, no interior de São Paulo. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que a circulação de um sorotipo há tanto tempo ausente preocupa os especialistas.

A dengue tem quatro sorotipos, e a infecção por um deles cria imunidade contra o mesmo sorotipo, mas o indivíduo pode contrair dengue se tiver contato com um sorotipo diferente. Como poucas pessoas contraíram o tipo 3, há risco de epidemia porque há baixa imunidade contra esse sorotipo.

“Como muitas pessoas já tiveram os tipos 1 e 2, ao ter o tipo 3, podem desenvolver uma forma grave da doença, o que pode gerar superlotação das unidades de pronto atendimento e hospitais”, alerta o infectologista Kleber Luz, coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Diante disso, é preciso ter maior vigilância sobre as formas graves da doença, conforme afirma o especialista. “Do ponto de vista clínico, não há diferença, mas o que chama mais a atenção é a gravidade do caso, por ser uma infecção sequencial”, acrescenta Luz.

Entenda os sintomas

Entre os sintomas de alerta da doença, estão: febre, manchas vermelhas pelo corpo, dor abdominal, vômito persistente, acompanhados também de sangramento na gengiva, no nariz ou na urina. Ao perceber qualquer sintoma, a pessoa deve procurar atendimento médico na unidade de saúde.

Justamente isso que a aposentada Ilza Aparecida Telles, de 62 anos, fez ao sentir os primeiros sintomas. “Voltava de um encontro da igreja quando tive muita tontura. Uma amiga me amparou até a minha casa, pois não conseguia caminhar sozinha. No dia seguinte foi muita dor de cabeça e febre de até 39ºC. Também tive diarreia, além de dores no corpo e vômito”.

O teste negativo para Covid-19 fez com que os médicos suspeitassem que Ilza estivesse com dengue. “Fui para a emergência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e passei pela consulta e exame. Diante do resultado positivo, segui as recomendações médicas, pois tinha muito medo da evolução do quadro, pois tenho outras comorbidades. Graças a Deus me recuperei e estou firme e forte”, comemora.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) foi procurada pela reportagem e foi questionada se o Estado registrou casos do tipo 3 da dengue. A pasta informou que “recebeu apenas uma notificação do sorotipo 3 da dengue, na semana epidemiológica 47 de 2023”.

“O caso foi notificado pela Unidade Regional de Saúde de Belo Horizonte. Em 2024, não foi identificado o sorotipo 3 no estado, até o momento”, esclareceu.

Campanhas de prevenção do Governo do Estado

O aumento de casos, aliado com o período do ano, faz com que os gestores públicos invistam em campanhas de prevenção. “Nos meses mais quentes, em que há maior incidência da transmissão das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, as ações e os cuidados estaduais são intensificadas”, afirmou a SES-MG.

O uso de drones para encontrar possíveis focos dos mosquitos é uma das estratégias. Segundo a pasta, em 2023, foram investidos mais de R$ 15 milhões na aquisição de equipamentos, distribuídos aos municípios. Neste ano, devem ser mobilizados mais R$ 16 milhões.

Além disso, as cidades vão receber mais de R$ 80,5 milhões para ações de conscientização e mobilização sobre os focos do mosquito. Os 47 municípios com população superior a 80 mil habitantes vão receber R$ 3,50 por capita e os de 30 mil a 80 mil R$ 2 por capita. Os com menos de 30 mil habitantes vão receber R$ 50 mil.

Para o infectologista Leandro Curi, no entanto, historicamente, as campanhas no Brasil não conseguiram controlar a doença. “Nas últimas décadas, a dengue tem vencido. A gente não tem conseguido prevenir o mosquito e controlar os focos de criadouro”, analisou.

Ações da Prefeitura de BH

A primeira semana de 2024 teve 275 casos prováveis de dengue notificados em Belo Horizonte. A prefeitura, no entanto, não informou quantos diagnósticos positivos tem a cidade devido à instabilidade do sistema. O Executivo municipal ressaltou que possui um Plano de Enfrentamento às Arboviroses, que contempla ações que têm como objetivo ofertar “assistência oportuna, segura e de qualidade, de forma a evitar a ocorrência de maior gravidade de casos”.

As ações de controle vetorial são executadas diariamente em todo o município para evitar o aumento de casos. Além das vistorias realizadas pelos ACEs, há também a aplicação de inseticida a Ultra Baixo Volume (UBV) para o combate a mosquitos adultos em áreas com casos suspeitos de transmissão local e também após avaliação ambiental pelas equipes da Zoonoses. “Em 2023 foram realizadas ações em mais de 45 mil imóveis. Outra importante ação é o monitoramento de focos por meio do uso de drones, que são utilizados para a captação de imagens e aplicação de larvicida diretamente nos locais de risco. Até o momento, foram realizados mais de 100 sobrevoos considerando as nove regionais do município”.

A capital mineira também conta com 1,7 mil ovitrampas, que são armadilhas instaladas em pontos estratégicos das nove regionais do município para monitorar a circulação do Aedes aegypti e intensificar ações preventivas em áreas com maior número de mosquitos. “As estruturas simulam o ambiente ideal para a reprodução e possuem uma substância que atrai as fêmeas. Somente em 2023 ano já foram realizadas cerca de 78 mil visitas para o monitoramento”, explicou a PBH.

O método Wolbachia é complementar às demais ações de controle e prevenção da dengue, zika e chikungunya. “Trata-se de uma bactéria que não pode ser transmitida para humanos ou animais. Os mosquitos que carregam esse microrganismo têm a capacidade reduzida na transmissão das arboviroses, diminuindo o risco dessas doenças. Cabe esclarecer que esse método não envolve qualquer modificação genética do vetor Aedes aegypti“.

Vacina é eficaz, mas ainda não chega para todos

Recentemente incorporada pelo Ministério da Saúde ao Programa Nacional de Imunização (PNI), a vacina contra a dengue chamada Qdenga promete ser aliada no enfrentamento da doença. A previsão é que o imunizante comece a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de fevereiro.

Contudo, inicialmente, não estará disponível para todos. Isso ocorre devido à limitação de produção de doses pela farmacêutica Takeda Pharma, responsável pela fabricação do imunizante. Desta forma, o Ministério da Saúde vai priorizar grupos considerados prioritários, com critérios ainda não divulgados.

“Com a vacina, progredimos positivamente”, afirma o infectologista Leandro Curi. “É uma vacina com alta imunogenicidade, alta capacidade de gerar anticorpos”, prossegue. A eficácia global da vacina é de 80%, mas varia conforme os quatro sorotipos da dengue, sendo mais eficaz para os tipos 1 e 2, os que mais circulam no Brasil.

Em nota, o governo de Minas afirmou que “aguarda orientações do Ministério da Saúde a respeito da execução do plano de vacinação”. O Estado acrescenta que, “de acordo com informações da pasta federal, a vacina não será utilizada em larga escala devido à restrição do laboratório fabricante. Por isso, a vacinação com esse imunizante será direcionada para público e regiões prioritárias no país”, diz.

Quem pode tomar a vacina?

A QDenga também está disponível no mercado privado, por cerca de R$ 350. Contudo, a quantidade de doses também é insuficiente para uma vacinação em massa.

A vacina pode ser tomada por pessoas com idades entre 4 e 60 anos, desde que não haja contraindicações. O imunizante não é recomendado para gestantes, lactantes e imunossuprimidos.

Com Fiocruz e Agência Brasil

Fonte: O Tempo

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