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Saúde alerta para alta nos casos graves de dengue

Redação29 de fevereiro de 202416min0
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Mais de 7,7 mil brasileiros, sobretudo idosos, tiveram quadros severos da doença, aponta secretária de Vigilância. Número beira 1,9 mil em MG, que tem 114 cidades em emergência

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, alertou ontem para o alto número de casos graves de dengue no país – sobretudo entre idosos com algum tipo de comorbidade. “Este é nosso pior pico dos últimos anos”, disse Ethel, durante reunião com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). São mais de 7,7 mil casos considerados graves e com sinais de alarme em todo o país, apontam dados da pasta. Em Minas Gerais, de acordo com o painel de monitoramento da Secretaria de Estado de Saúde (SES), esse número chegou a 1.871 ontem. Em mais uma medida de enfrentamento à dengue, chikungunya e zika, transmitidas pelo Aedes aegypti, a Prefeitura de Belo Horizonte começa a oferecer, a partir de hoje, teleconsultas para moradores com sintomas das três arboviores.

Diante da escalada de casos, o Distrito Federal e seis estados – Minas Gerais, Acre, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina –, além de 154 municípios, já declararam situação de emergência, aponta balanço da pasta federal. Nas contas da SES, 114 cidades mineiras, entre elas a capital, já lançaram mão dessa medida.

“Precisamos pensar em uma entrada diferenciada para esses idosos no sistema de saúde. Uma porta de entrada para diagnóstico inicial e, para os pacientes que já estão com dengue e apresentaram piora no quadro, outro tipo de atendimento. Eles não podem competir com todos os outros para serem avaliados”, disse Ethel Maciel. A secretária ressaltou, entretanto, que apesar do aumento de casos graves, o país registra menor letalidade provocada pela dengue. A taxa até o momento está em 0,02 sobre o total de casos prováveis, contra 0,07 no ano passado, e em 2,61 na relação com os registros graves e com sinais de alerta. Em 2023, esse índice era de 4,87.

Durante a reunião, em Brasília, a secretária lembrou que, em 2023, o pico da dengue foi registrado entre o final de março e o início de abril, com 111,8 mil casos, na semana epidemiológica 15. Neste ano, o país já teve 182,2 mil casos na semana 6 (de 4 a 10 de fevereiro). “Não sabemos ainda se vai haver uma descida agora, se essa descida vai ser sustentada, se vai ser tão rápida como a subida”, disse a secretária.

O painel de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde registra, desde 1º de janeiro, 991.017 casos prováveis de dengue e 207 mortes confirmadas. Há ainda 674 mortes em investigação.

O índice de incidência, atualmente, é de 488 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. A incidência em Minas Gerais equivale a três vezes a média nacional, chegando a 1.653,8 casos por 100 mil habitantes, atrás apenas do Distrito Federal, onde o número chega a 3.575,1.

Em entrevista na terça-feira, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse que o Brasil poderá ter neste ano o dobro de casos de dengue que foi registrado em 2023, quando o total de casos chegou a 1.658.816 .

“Há um aumento efetivo do número de casos muito elevado, com um padrão atípico neste início de ano. A gente já tem uma avaliação de que é possível que venhamos a ter o dobro de casos do ano passado”, disse a ministra. O grupo que mais está adoecendo em 2024 é a faixa etária entre 20 e 49 anos. Os casos graves se concentram na faixa acima de 70 anos. Neste ano, já são casos 7.771 considerados graves e com sinais de alarme.

CLIMA E SOROTIPOS

De acordo com a ministra Nísia Trindade, a mudança climática é um fator importante para o aumento da disseminação da dengue, já que neste ano o clima quente e úmido tem favorecido a propagação do mosquito. Outra ponto importante neste ano é a circulação dos quatro sorotipos de dengue. Em muitos
estados onde havia a prevalência do sorotipo 1, já está aumentando para o sorotipo 2, pois as pessoas já têm a imunidade para o primeiro sorotipo. É o caso do Distrito Federal, onde 40% dos casos são provocados pelo sorotipo 2. Além disso, este ano a doença está sendo registrada em cidades médias e pequenas, locais onde não havia antes a infecção por dengue nessa proporção.

BALANÇO DO ESTADO

Em Minas Gerais, o painel de ontem da SES aponta 345.532 casos prováveis de dengue, dos quais 121.627 já confirmados. Além disso, há 228 mortes em investigação e 33 confirmadas, sendo 17 de pacientes que apresentavam comorbidades. No dia anterior, o painel apontava 37 óbitos. Mas quatro foram revisados e reclassificados. O estado registra até agora 1.871 casos graves ou com sinal de alarme da dengue e taxa de letalidade de 1,76%. Entre os óbitos confirmados, 45,45% são de pessoas que tinham 60 anos ou mais, especialmente na faixa entre os 70 e 79 anos, que concentra 21,21% das mortes.

Em relação à chikungunya, foram registrados 37.322 casos prováveis da doença, um aumento de 4,79% comparado ao número divulgado anteriormente, de 35.615. Até o momento, sete mortes foram confirmadas por chikungunya, e 23 estão em investigação. O estado registra ainda 67 casos prováveis e sete confirmados de zika, sem mortes.

TELECONSULTAS EM BH

A partir de hoje, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) começa a oferecer teleconsultas para atendimento das pessoas com sintomas de dengue, chikungunya ou zika. O serviço vai atender adultos, adolescentes e crianças a partir de 1 ano de idade, com horário de atendimento das 8h às 19h, de segunda a sexta-feira. A estratégia faz parte das ações do Plano de Enfrentamento às Arboviroses da PBH. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dores musculares e nas articulações, manchas vermelhas na pele, dor de cabeça e atrás dos olhos, náuseas ou vômitos.

De acordo com a PBH, durante esta semana, serão aproximadamente 50 agendamentos por dia. Já a partir de segunda-feira (4/2), a oferta será ampliada, com cerca de 100 atendimentos diários. Todos os moradores da capital a partir de 1 ano de idade e cadastrados em centros de saúde terão acesso à modalidade assistencial, por meio de uma plataforma compartilhada com a Unimed-BH, com atendimento de médicos da rede SUS.

Se a pessoa não for cadastrada, deverá procurar a unidade de referência para fazer esse processo. Os endereços estão disponíveis no portal da Prefeitura. Após ser referenciada em um dos 152 centros de saúde da capital, a pessoa deve acessar o serviço por meio de um link no Portal da PBH (prefeitura.pbh.gov.br) e agendar a consulta.

Depois de confirmar o cadastro na plataforma, o paciente entra em uma tela e escolhe a data e horário, dentro da disponibilidade apresentada. Próximo à marcação, o usuário entrará novamente no sistema com o CPF e data de nascimento e terá acesso. A PBH destaca que as teleconsultas agendadas para crianças deverão sempre ser feitas através do cadastro delas e não dos pais, porém os responsáveis devem acompanhar todo o atendimento.

De acordo com o diagnóstico, o paciente receberá as orientações, além da prescrição de medicamentos e outros documentos médicos que forem necessários. Eles serão enviados para o e-mail cadastrado em um prazo de até 24 horas. Com a impressão da receita ou pedido de exame, o paciente ou responsável poderá buscar a medicação ou agendar o teste solicitado no centro de saúde de referência.

A capital mineira acumula até o momento 7.665 casos confirmados de dengue, com sete mortes, de acordo com boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde na terça-feira. Quanto aos casos suspeitos, são contabilizados 29.159. Neste ano, foram confirmados ainda 542 casos de chikungunya em residentes de Belo Horizonte e um óbito pela doença. Há 549 casos em investigação. Não há casos de zika confirmados na capital.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

Diante da escalada, deputados estaduais apresentaram requerimento para uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para debater a adoção de medidas pelo governo do Estado junto às escolas no combate à dengue, zika e chikungunya. O requerimento, assinado por Beatriz Cerqueira, (PT), Lohanna (PV), Macaé Evaristo (PT), Betão (PT) e Professor Cleiton (PV), foi aprovado e a audiência está marcada para 6 de março, às 9h30.

De acordo com Beatriz Cerqueira a ideia é discutir uma possível contribuição do ambiente educacional no fortalecimento do combate à dengue e outras arboviroses. “A escola é uma rede importantíssima, que se bem articulada, nos ajuda no enfrentamento à epidemia”, disse a deputada.

Ela e Macaé Evaristo destacam o diálogo que as instituições de ensino mantêm com milhares de famílias como ponto-chave. “Disseminar o conhecimento sobre a dengue na comunidade escolar é importante
para que os estudantes saibam as formas de prevenção, mas também porque esse conhecimento chega a uma população maior por meio desses estudantes”, disse Macaé. Segundo Beatriz, serão convidados para a audiência a Secretaria de Educação em Saúde, o Ministério da Saúde, Fiocruz e o Conselho Estadual de Saúde. (Com agências)

* Estagiárias sob supervisão dos subeditores Rachel Botelho e Thiago Prata

Dia D de combate

No sábado (2/3), o Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, vai realizar o Dia D de combate à dengue. Com o tema Brasil Unido contra a Dengue, serão realizadas ações de orientação para a população sobre os cuidados para evitar a disseminação da enfermidade, como eliminar os criadouros do mosquito transmissor, o Aedes agypti. Lixo, inservíveis descartados incorretamente e pratinhos de plantas estão entre os criadouros. “É um momento de atenção do país, das autoridades sanitárias, do Ministério da Saúde, de um monitoramento muito próximo ao que está acontecendo nas diferentes regiões, estados e municípios, mas é também um momento que requer uma união não só de governos, mas também da sociedade”, disse a ministra Nísia Trindade.

CLASSIFICAÇÕES DOS CASOS
Confira as principais características da dengue

SEM SINAIS DE ALARME
– Nesses casos, o paciente com dengue apresenta febre geralmente por um período de 2 a 7 dias acompanhada de duas ou mais das seguintes manifestações clínicas: náusea ou vômitos; exantema (erupção cutânea); dor de cabeça ou dor atrás dos olhos; dor no corpo ou nas articulações; petéquias (manchas avermelhadas de tamanho pequeno); e baixos níveis de glóbulos brancos no sangue.

COM SINAIS DE ALARME
– Qualquer caso de dengue que apresente um ou mais dos seguintes sinais durante ou preferencialmente após a queda da febre: dor abdominal intensa e sustentada ou sensibilidade no abdômen; vômito persistente; acúmulo de líquidos; sangramento de mucosas; letargia ou inquietação; hipotensão postural (pressão arterial baixa ao levantar-se da posição sentada ou deitada); aumento do fígado; e aumento progressivo do hematócrito (porcentagem de hemácias no sangue), com queda na contagem de plaquetas.

GRAVE
l Qualquer caso de dengue que apresente uma ou mais das seguintes manifestações clínicas: choque ou dificuldade respiratória devido a extravasamento grave de plasma dos vasos sanguíneos; sangramento intenso; e comprometimento grave de órgãos (lesão hepática, miocardite e outros).

Fonte: Ministério da Saúde

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