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Mesmo no período seco, dengue ainda preocupa e MG segue em epidemia

Redação17 de abril de 20249min0
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Casos devem cair ainda mais durante o mês de maio, onde a epidemia pode ser revista

Apesar de o período chuvoso já ter chegado ao fim, com consequente redução de áreas de proliferação do Aedes aegypti, o mosquito ainda representa um problema em Minas Gerais. A expectativa do governo do Estado é que o número de casos de arboviroses (dengue, chikungunya e zika) siga em redução até o fim deste mês para, em maio, ter uma queda ainda mais acentuada. A queda vista no momento ainda não é o suficiente para deixar de ser uma epidemia. Apesar de os casos diminuírem, o último balanço do Estado indica mais de 1 milhão de casos prováveis de dengue, 248 mortes confirmadas e 701 em investigação.

“Temos um ano de 2024 epidêmico. Falar em fim da epidemia acho que não é adequado, já que temos circulação intensa, ainda que menor. A partir do momento que tiver um linear baixo, isso pode ser discutido, mas no momento precisamos ser cautelosos. O decreto continua ativo, assim como o COE (Centro de Operações de Emergência de Saúde Pública). Ainda estamos em epidemia”, disse o subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Eduardo Prosdocimi, em entrevista a O TEMPO.

O Estado decretou situação de emergência em saúde pública em razão do cenário de arboviroses no dia 26 de janeiro deste ano. Com mais de 1 milhão de casos prováveis de dengue e 84 mil de diagnósticos suspeitos de chikungunya, Minas Gerais registrou o pior ano da série histórica de arboviroses. Para o subsecretário, o “boom” de casos é associado à questão climática, principalmente por altas temperaturas e chuvas intensas entre o final do ano passado e início deste ano.

A projeção feita pelo Estado é confirmada pela infectologista Luana Araújo. “O pior ano da dengue no Estado e no país está longe de acabar. Vimos números muito acima do esperado neste começo de ano, mas devemos ver números de casos acima do esperado durante todo 2024. Estamos na semana epidemiológica 16. Ano passado, 2023, tínhamos passado um pouco do pico de casos da doença nesta mesma semana. O que vemos em 2024 é uma antecipação e uma amplitude muito grande da curva de casos – ou seja, chegaram mais cedo e num volume muito maior. Se considerarmos que a curva terá o mesmo formato, devemos ver uma queda mais acentuada mesmo somente a partir de maio”, projetou.

Outro fator importante para o avanço da doença neste ano é a circulação de outros sorotipos da dengue. “Estávamos acostumados com o sorotipo 1, muito predominante, mas nesse último período sazonal tivemos circulação importante do sorotipo 2, em todas as regiões do Estado, além do sorotipo 3 na região metropolitana de Belo Horizonte. Então nosso organismo não está suscetível a receber três sorotipos de uma vez. Isso pega a gente com preparação menor. Essas duas situações contribuíram para um ano mais complexo em Minas Gerais, mas em todo o Brasil é verificado esse aumento”, frisou.

O pico das doenças foi registrado nas duas primeiras semanas de março e, a partir de agora, deve começar a apresentar uma queda. “A nova estação (outono) é marcada por queda nas temperaturas e por ser um período mais seco. Depois das duas primeiras semanas de março iniciamos uma queda, ainda pequena, mas hoje a gente consegue afirmar que no início de abril estamos sim em queda. Mas, ainda em um linear alto de casos em relação aos últimos anos”, afirmou.

Com a possibilidade de novos eventos climáticos extremos, como altas temperaturas e chuvas além do normal, ainda é cedo, conforme o subsecretário, para prever o cenário do próximo ano. Entretanto, ele chama a atenção da sociedade para que se mantenha vigilante aos possíveis focos da doença, ainda que em período seco. “A gente não consegue prever se ano que vem será tão intenso como nesse último período, esperamos que não, mas precisamos chamar atenção de toda população”, disse.

Hospitais de campanha serão mantidos

Inicialmente, as estruturas de urgência montadas na rede estadual, como salas de hidratação, equipamentos e o Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE) serão mantidos e não haverá desmobilização. Alguns dos equipamentos e estruturas, inclusive, podem ficar de legado para as doenças respiratórias, que chegam com o tempo seco.

De forma geral, o subsecretário avaliou que o Estado fez um grande esforço de capacitar todas as regiões do Estado, com recursos técnicos, de pessoal e financeiro. O resultado dessas ações foi a menor letalidade de arboviroses nos últimos anos, ainda que o número de casos tinha sido recorde.

A infectologista Luana Araújo pontuou que o aumento de casos de doenças respiratórias, principalmente a influenza, gera um desafio ainda maior para o sistema de saúde.

Vacina

Uma questão de esperança para o futuro é uma possível ampliação de vacinas da dengue. Atualmente, o público de imunização é entre a faixa etária de 10 a 14 anos. Caso haja essa ampliação, a dengue pode ser tornar doença imunoprevenível. Isso não significa possibilidade para abaixar a guarda, já que outras arboviroses, como chikungunya e zika não têm vacinas.

Mosquitos modificados

Mesmo com o número de casos recorde, para Eduardo Prosdocimi a soltura de Aedes aegypti biologicamente modificados foi uma boa aposta. O Estado finaliza a construção da fábrica nos moldes adotados por Belo Horizonte. “O mosquito com a bactéria Wolbachia vai atuar a médio e longo prazo diminuir os casos. Não à toa podemos citar o caso de Belo Horizonte que, nos últimos anos, podemos ver uma queda bem significativa de casos nos locais onde houve a soltura desses mosquitos. Não foi por causa da soltura que tivemos aumento dos casos, foi como falei, dos três sorotipos e mudanças do clima pelo El Niño. Vemos com bons olhos a metodologia que pode, sim, a médio e longo prazo, ser mais uma arma biologicamente sustentável no combate”, disse. O subsecretário usou, também, o exemplo da cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, que experimenta queda de diagnósticos de dengue após a metodologia.

Fonte: O Tempo

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