Vírus Sincicial Respiratório (VSR): O que é e por que a transmissão aumenta no outono


Nos primeiros três meses de 2026, 18% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com identificação viral confirmada foram causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), segundo dados do Ministério da Saúde. De acordo com o último Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz na quinta-feira (9/4), o VSR também tem sido responsável pelo aumento dos casos de SRAG, principalmente em crianças de até 2 anos, em diversos estados brasileiros, incluindo Minas Gerais.
Segundo o infectologista Adelino de Melo Freire Junior, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia e médico cooperado da Unimed-BH, o Vírus Sincicial Respiratório é altamente transmissível, principalmente durante o período atual. “Ele tem como característica a transmissão sazonal, circulando de forma mais intensa em determinadas épocas do ano, normalmente no outono, meados do outono e início do inverno”, explica.
Embora ele possa causar, na maioria das pessoas, sintomas semelhantes ao de um resfriado comum – o que inclui coriza, tosse, espirros, febre baixa e congestão nasal – o VSR pode causar quadros mais complicados em crianças menores. “No adulto, no jovem, numa pessoa que tem uma imunidade normal, ele não traz maiores problemas além de um quadro gripal que vai se resolver sozinho e ceder após alguns dias. Recém-nascidos e crianças de até 2 anos, porém, podem apresentar um quadro clínico conhecido como bronquiolite, ter chieira, necessitar de internação com uso de oxigênio e acompanhamento até a recuperação”, ressalta.
Adelino de Melo acrescenta que, de forma mais simples, o VSR se comporta de forma semelhante ao vírus da Influenza e da Covid-19. “Ele tem um impacto mais específico em dois públicos: o mais conhecido, que é o das crianças, e mais recentemente, foi descoberto, que os idosos também são afetados por esse vírus de forma significativa, apresentando sintomas mais intensos, podendo precisar de internação”.
Como é a transmissão do Vírus Sincicial Respiratório (VSR)?
Assim como outros vírus respiratórios, o VST é transmitido através de gotículas respiratórias e contato direto com secreções de uma pessoa infectada. “Então, essa transmissão é fácil de acontecer entre as pessoas e isso favorece a circulação do vírus”, destaca o infectologista.
Qual é o tratamento para o VSR?
Segundo o infectologista, não existe um tratamento específico para o Vírus Sincicial Respiratório. “O que a gente tem é uma vacina, que é aplicada na gestante, que foi incorporada no SUS, ainda no final do ano passado. Ela é aplicada no terceiro trimestre na gestação e tem como objetivo estimular a imunidade, passar anticorpos para o recém-nascido, ainda na barriga, para que a criança nasça com uma proteção que dura alguns meses”, explica o médico.
Ela acrescenta que outra estratégia incorporada nos planos de saúde e no SUS é o uso de um medicamento que previne a infecção em crianças de maior risco, como aquelas que estão abaixo do peso ou que são prematuras, por exemplo. “É um anticorpo injetável, que ajuda na proteção por alguns meses”.
Como é feito o diagnóstico do VSR?
O diagnóstico da infecção é feito pelas manifestações clínicas causadas pelo vírus e, também, através de um exame específico que confirma a contaminação causada pelo Vírus Sincicial Respiratório.
Por que a transmissão do VSR aumenta no outono e no inverno?
De acordo com o infectologista, o comportamento das pessoas durante esse período do ano facilita a circulação do vírus. “As pessoas ficam em ambientes mais fechados por causa do frio. O próprio ar mais seco, característico dessa época, também afeta a sensibilidade das vias aéreas, o que é outro fator que faz com que essa circulação sazonal aconteça”, afirma. “Uma coisa que vale a pena comentar é que o Vírus Sincicial é muito infeccioso, então é muito fácil que crianças sejam infectadas nos primeiros anos de vida. Nem todos vão ter os sintomas mais graves, mas uma parte das crianças pode ter esse quadro que inclui chieira, que é a característica da asma, dificuldade respiratória, e esses são sinais de alerta”, diz.
Como se prevenir do Vírus Sincicial Respiratório?
Adelino de Melo explica que as medidas de prevenção são as mesmas de outras síndromes gripais: higiene frequente das mãos, uso de máscara, evitar levar crianças em lugares com muita circulação de pessoas, principalmente em locais fechados e, se houver alguém doente em casa, tentar limitar o contato com os familiares. “Se tem um irmão doente, por exemplo, porque crianças em idade escolar são os vetores principais, é importante tentar fazer uma separação de pratos e outros itens que não devem ser compartilhados”, orienta.
Ele aconselha que, se possível, o teleatendimento seja escolhido para uma primeira avaliação. “Assim, a circulação é minimizada e se houver realmente necessidade, a criança é levada ao pronto-socorro”, afirma ele, ressaltando, porém, que a dificuldade respiratória, principalmente no primeiro ano de vida, precisa ser avaliada de forma presencial.
“Sempre que possível, também é importante testar e confirmar a presença do vírus porque é uma forma de gerenciamento dos casos. Como não tem tratamento específico, a gente consegue evitar o uso de antibióticos. A bronquiolite não é tratada com antibiótico. Às vezes a família acha que a melhora está demorando e demanda que o antibiótico seja utilizado, mas ele não é necessário”, finaliza.
Fonte: O Tempo


















