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Queda de cobertura vacinal acende alerta para casos de meningite

Redação18 de maio de 20269min0
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Vacinas ajudaram a reduzir significativamente os casos graves e as mortes pela doença, lembra infectologista

Os casos recentes de meningite bacteriana registrados na região metropolitana de Belo Horizonte voltaram a chamar atenção para uma doença que pode evoluir rapidamente, provocar sequelas graves e até levar à morte. Neste mês, uma criança atendida no Centro Materno Infantil de Contagem teve o protocolo de morte encefálica iniciado após dar entrada na unidade com quadro compatível com meningite bacteriana. Dados atualizados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) fornecidos a O TEMPO mostram que, até o momento, o Estado registrou 240 casos confirmados de meningite em 2026 e 43 óbitos. Em 2025, foram contabilizados 930 casos e 140 mortes. Segundo a pasta, os óbitos estão associados principalmente às meningites bacterianas, incluindo infecções causadas por meningococo, pneumococo e outras bactérias com maior potencial de gravidade.

Entre os municípios com mais casos confirmados neste ano estão Belo Horizonte, com 75 registros, Uberlândia, com 45, e Uberaba, com 27 casos. Já as cidades com maior número de mortes notificadas são BH, com nove, Uberlândia, cinco, além de Ipatinga e Montes Claros, com três óbitos cada. A SES-MG também informa que 62,5% dos casos confirmados ocorreram em homens. Os registros se distribuem por diferentes faixas etárias, mas há destaque para adultos entre 30 e 49 anos e crianças menores de 1 ano. Entre os óbitos, a predominância também é masculina, especialmente em pessoas acima dos 40 anos.

A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, fungos, bactérias e até doenças autoimunes, mas as formas bacterianas são consideradas as mais graves, como explica o infectologista Leandro Curi. Ele prossegue informando que a rapidez da evolução está ligada à resposta inflamatória provocada pela infecção. “A meningite bacteriana é considerada uma emergência médica porque a infecção provoca uma resposta inflamatória muito intensa nas membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Algumas bactérias, como o meningococo, conseguem se multiplicar rapidamente e liberar substâncias inflamatórias capazes de desencadear uma reação sistêmica grave”, situa.

Ele explica que, em poucas horas, o paciente pode apresentar aumento da pressão intracraniana – portanto, pressão dentro do crânio –, comprometimento da circulação sanguínea, sepse, queda da pressão arterial e falência de órgãos. “Além disso, a inflamação pode causar lesões neurológicas permanentes, como perda auditiva, convulsões, dificuldades cognitivas e sequelas motoras”, enumera.

Entre os grupos mais vulneráveis estão as crianças, os idosos e as pessoas com imunidade comprometida. Para quaisquer pacientes, alerta o médico, o início rápido do tratamento faz diferença no prognóstico. “O início rápido do antibiótico pode ser determinante para reduzir complicações e salvar vidas”, lembra, assinalando ainda que, diante dos números registrados em Minas Gerais, é fundamental falar em vacinação e diagnóstico precoce. Afinal, como explica Curi, o aumento de casos e mortes provavelmente está relacionado a diferentes fatores – entre eles, a baixa cobertura vacinal.

“Essa queda (da cobertura vacinal) nos últimos anos é uma das principais preocupações das autoridades de saúde, porque reduz a proteção coletiva e facilita a circulação de agentes infecciosos”, situa. Ele reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção das meningites bacterianas mais graves. O Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive, oferece imunizantes que protegem contra diferentes bactérias associadas à doença, entre elas meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b (Hib). “Essas vacinas ajudaram a reduzir significativamente os casos graves e as mortes ao longo das últimas décadas”, garante.

Entre as vacinas disponíveis gratuitamente estão a meningocócica C, aplicada na infância; a meningocócica ACWY, voltada para adolescentes; a pneumocócica 10-valente; e a vacina contra o Hib, presente na pentavalente infantil. O infectologista ressalta que algumas doses também são disponibilizadas pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs), destinados a grupos com condições clínicas específicas, como pessoas imunossuprimidas ou com doenças crônicas. “O calendário vacinal brasileiro é considerado amplo e eficiente, principalmente quando seguido corretamente. Ainda assim, nenhuma vacina consegue proteger contra todos os agentes causadores de meningite, porque a doença pode ser provocada por diferentes bactérias, vírus e até fungos”, pondera.

O infectologista ainda lembra que os primeiros meses de vida concentram parte importante dos casos graves porque o sistema imunológico dos bebês ainda está em desenvolvimento. Por isso, atrasos na vacinação preocupam tanto os especialistas. “O calendário vacinal infantil é planejado justamente para oferecer proteção nos momentos em que o risco de formas graves é maior. Quando há atraso ou interrupção do esquema vacinal, a criança permanece desprotegida por mais tempo e aumenta o risco de infecções graves, hospitalizações e complicações”, assevera Curi, reconhecendo ser comum que as famílias acreditem, de forma equivocada, que vacinas atrasadas exigem reinício de todo o esquema. “Na maioria das situações, vacinas atrasadas podem e devem ser atualizadas o quanto antes, sem necessidade de reiniciar todo o esquema”, contextualiza.

Outras ações

Além da vacinação, o infectologista cita medidas simples que ajudam a reduzir a transmissão de doenças respiratórias, como higienizar as mãos, evitar compartilhar objetos pessoais e manter ambientes ventilados. Ele também alerta para os riscos da desinformação sobre vacinas. “A meningite é uma doença séria, mas muitas formas graves podem ser prevenidas com as vacinas disponíveis no SUS”, defende. “Também é importante combater fake news sobre vacinas, porque a queda da cobertura vacinal tem impacto direto no aumento de doenças potencialmente graves e evitáveis”.

Sobre o início precoce do tratamento, ele assinala que os sintomas iniciais podem ser confundidos com doenças virais comuns, o que, comumente, atrasa a procura por atendimento. “Muitos sintomas iniciais podem se confundir com viroses comuns, principalmente no começo do quadro”, diz. Nos primeiros estágios, a meningite pode provocar febre, mal-estar, dor no corpo, irritabilidade e sonolência. A diferença, segundo o médico, é que os sintomas costumam se intensificar rapidamente nos quadros bacterianos.

“Alguns sinais de alerta merecem atenção imediata, como febre alta persistente, rigidez na nuca, dor de cabeça muito forte, vômitos repetidos, confusão mental, dificuldade para acordar, sonolência excessiva, manchas arroxeadas na pele e convulsões”, ilustra. Em bebês, os sinais podem ser menos específicos. “Irritabilidade intensa, recusa alimentar, choro inconsolável e moleira abaulada também podem indicar um quadro grave”, informa. O infectologista menciona ainda que nem sempre todos os sintomas aparecem ao mesmo tempo. “Justamente por isso a orientação é não esperar o quadro piorar para procurar atendimento. Quando há suspeita de meningite, o tempo faz diferença no prognóstico”, conclui.

Fonte: O Tempo

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